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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"Vaia con Dios, Pedro"


"19 Fevereiro 2012 | 23:31
Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


Pedro Passos Coelho já fala como a sua nova eminência parda, António Borges. No Parlamento, criticou "a economia protegida, que protegeu alguns grupos económicos e que não democratizou o acesso à economia". Lindo. E agora, o que fará? Enfrentar uma vaia em Gouveia é nada ao pé desses silenciosos lóbis. É mais fácil não ter medo do povo que do polvo.

As declarações de Passos Coelho são acertadas: "más leis laborais", "mau financiamento público" e "economia protegida" alongaram-nos num estertor de uma década. Mesmo com abundância de liquidez e de crédito, a economia não cresceu — cresceram as margens de lucro de alguns grupos, muitos deles protegidos. Agora que o Governo já tratou das leis laborais e os mercados trataram do mau (e do bom) financiamento público, falta abrir os aloquetes dos cintos de castidade aos protegidos.

Quando se fala em sectores protegidos e "rendas monopolistas" toda a gente pensa na EDP (como antes se pensava na PT). Toda a gente e a "troika", que trouxe o assunto na algibeira na actual visita. Mas o Governo, que antes bramia vigorosamente contra a empresa, besuntou-se na sua privatização e já fez uma nova proposta para amortizar o défice tarifário que protege os subsídios às eólicas e os contratos de longo prazo da EDP, e agrava em até 15% os subsídios às indústrias na co-geração. Traduzindo: o lóbi da EDP vence o da Galp (e o dos cimentos, pasta e papel e têxteis). O que pensa Pedro Passos Coelho disso?

Mas há mais, muito mais do que a energia nesse imenso sector de empresas que são ou foram beneficiados por contratos protegidos das volatilidades dos mercados e da concorrência. Há construtoras como a Mota-Engil, concessionárias de auto-estradas como a Brisa, muitas criminosas parcerias público-privadas, SCUT e outras minas e armadilhas. Há falta de concorrência entre produtores e as grandes distribuidoras, como a Sonae e a Jerónimo Martins. Mesmo na banca, depois das desgraças agora visíveis nos créditos concedidos sobretudo no BCP e na Caixa, é preciso garantir que o novo crédito, se o houver, não tenha como destino solver as tesourarias dos mais influentes, mas sim salvar uma economia que está a ficar seca como um bacalhau ao sol.

Falta falar dos interesses protegidos no Estado. Incluindo as empresas públicas, precisamente aquelas que estão a drenar o crédito. No sábado, o "Público" mostrava: mais derrapagens em 2011 e incapacidade de cortar custos em 15%, como exigido. É escandaloso que nove meses depois de se lhes ter encostado a faca à garganta, haja empresas de transportes a correr atrás da cauda, fazendo muito pó sem sair do sítio. O que prova que elas só apresentarão planos de saneamento financeiro no último suspiro; e que têm cobertura política dos seus ministérios sectoriais (como a Economia) em desafio às Finanças. A derrapagem no sector dos transportes é maior que os salários que a função pública perde. É preciso dizer mais?

A criação do Conselho de Finanças Públicas e a aprovação da lei dos compromissos orçamentais promete acabar com esta forma de desprezo que se colectiviza, mas serão tentativas ridículas se não houver força política. É por isso que o primeiro-ministro tem de ler as suas próprias palavras, e as de António Borges, e ser conclusivo, afrontar, concretizar, chutar à baliza. Facilitar o despedimento não muda a economia, é preciso também tirar os empresários protegidos das "zonas de conforto" que solenemente patrocinámos. Portugal está cheio de boas empresas, grandes e pequenas, que querem competir em igualdade de circunstâncias. São essas, aliás, que andam a exportar deixando valor em Portugal. E que, querendo prosperar, poderão salvar o País da maior ameaça: a espiral negativa. E isso será muito pior que qualquer vaia."


*

A expressão 'vaya con dios' significa 'vá com Deus'.
Um bom artigo recebe, em geral, bons comentários. Eis uma amostra:


JCGX 20 Fevereiro 2012 - 13:40
Controlar o défice ou a despesa?
Em maré de crise profunda, talvez não seja a melhor altura para controlar o défice público, antes se deve controlar rigorosamente a despesa pública e relacionada.
Não percebo por que razão o Ministro que tem a tutela do Metro de Lisboa, por exemplo, não exige imediatamente à gestão uma lista exaustiva e detalhada dos gastos operacionais que sirva para fazer uma análise de cada elemento de despesa, de modo a avaliar a sua pertinência, cortando o que se possa cortar, sem prejudicar o nível de serviço. Bastava, por exemplo, exigir um balancete analítico com desenvolvimento de todas as contas que pesassem nos gastos operacionais totais mais que x por cento (0,1%, por exemplo).
Posto isto, a ordem seria para que o conjunto dos gastos não subisse nem mais um cêntimo ou que sofresse alguma redução, se possível em função da análise feita. Se o gestor não cumprisse seria incriminado judicialmente, com imediato despedimento e eventual mobilização de bens próprios para indemnizar o Estado.

Ouvi, recentemente, a seguinte história: um português, alfacinha, professor no secundário nos EUA foi recebido e condecorado por Obama, na sequência de ter ganho uma espécie de campeonato de mérito ou notoriedade nacional no âmbito do sistema de ensino.
Pois bem, o português, que emigrou jovem para os EUA, estudou e fez-se professor, foi eleito ou nomeado para gerir uma espécie de região escolar que tinha atingido um elevado grau de degradação e desequilíbrio financeiro e em poucos anos tornou essa região escolar num exemplo e referência de qualidade e sucesso.
Segundo palavras do próprio, quando assumiu o cargo, pediu imediatamente a todos os seus subordinados listas exaustivas e detalhadas das despesas. A seguir analisou cada lista com cada um dos responsáveis sob a sua alçada visando cortar tudo o que fossem despesas dispensáveis, tendo em conta o bom funcionamento das escolas e a qualidade do ensino. Assim, sem precisar de recorrer a aumento das receitas, equilibrou as contas e começou a ter um excedente financeiro para investir no aumento da qualidade das escolas da sua região.

Francisco70 20 Fevereiro 2012 - 14:21
Vamos ver
Enquanto era candidato a PM, PPC não se cansou de repetir o chavão “falar verdade e defender os interesses dos portugueses”. Passadas as eleições, PPC ainda em fase de aquecimento, continuou com o mesmo discurso, só que os tentáculos do polvo começaram a mexer-se e, passou a falar “meia verdade e a esquecer-se dos interesses dos portugueses”.
Neste momento começa a querer revelar-se igual a qualquer um dos anteriores, ou seja charlatão, pau mandado, ao serviço da máquina partidária e dos restantes lóbis deste país.
Dr. PPC, se quer ficar recordado para a história pelos melhores motivos, tem a oportunidade, que ainda nenhum teve, para sacudir essa corja de ladrões, caso contrário pode ficar recordado para a história sim, mas pelos piores motivos.

João Ratão 20 Fevereiro 2012 - 14:24
Tendencioso
Pessoalmente acho que o Sr. Santos Guerreiro escreve bem. Tem as ideias razoavelmente arrumadas e sabe expô-las. Quanto à imparcialidade das suas análises e/ou comentários, é por demais evidente que tem uma agenda muito própria de interesses pessoais e/ou profissionais que lhe toldam o entendimento, deitando tudo a perder por causa do seu evidente facciosismo.
Não defendo Passos Coelho, assim como não defendi Sócrates. Entendo que o trabalho de governação deve ser analisado no termo da legislatura. Aí sim, devem-se fazer as contas e ver onde se esteve bem, onde se esteve mal e onde houve usurpação de poderes e enriquecimento ilícito ou, pelo menos, de legalidade duvidosa.
Quanto a Sócrates, estamos conversados. Nem se tornam necessários comentários. Mostrou à saciedade quem foi e ao que foi. Conseguiu tudo o que a nível pessoal se propôs. Façamos o mesmo em relação a Passos Coelho. Daqui a sensivelmente 3 anos, façamos o balanço. Depois sim, atiremos-lhe, ou não, todas as pedras que encontrarmos e estiverem disponíveis.
Quem julga um executivo ao fim de pouco mais que meia dúzia de meses de governação, das duas uma, ou não é sério e se encontra ressabiado, ou está a agir a soldo de alguém com finalidades nebulosas mas que se depreendem.

Anonimo 20 Fevereiro 2012 - 16:40
Agrava?
"e agrava em até 15% os subsídios às indústrias na co-geração" Agrava?
A co-geração dessas indústrias é uma fraude, e por essa fraude o Estado paga um subsídio astronómico ainda por cima ligado à cotação do petróleo. E você está com pena deles?

JCGX 20 Fevereiro 2012 - 16:52
Acho estes sítios muito interessantes...
... enquanto produtores de material analisável por sociólogos, psicólogos, psiquiatras e antropólogos. Espero que alguns investigadores se dêem conta da riqueza do material (comentários aparentemente espontâneos) que têm aqui ao dispor para fazerem uma radiografia de alguns extractos da espécie portuga.
Vejamos: normalmente a maior parte dos apontamentos são meras bojardas, todavia objectos interessantes para mapear o tipo de material que os seus autores acumularam na caixa craniana.
Também abundam os meros aplausos, os bravos, como em algumas assembleias em que há uns jumentos com o exclusivo papel de gritar uns bravos aos donos do jogo.
Este tipo de material reporta-nos para uma das características fortes do portuga, uma espécie de bipolarização: ser bájulo e subserviente com alguns que se pensa serem importantes e espezinhar outros que se julga inferiores.
Comentários que visem juntar algum valor acrescentado intelectual (VAI), ou seja, abordar os assuntos em concreto, explorar com seriedade e consistência os diversos ângulos de abordagem e produzir algum raciocínio original, é que é coisa muito rara.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"O unicórnio que voa"


"Olha, é uma reforma estrutural! Afinal existem mesmo, fazem-se com partidos de direita e em democracia. Chamem as galinhas com dentes e levem-nas com os porcos de bicicleta a visitar o unicórnio voador.

Agora que já caminhamos sobre a água, só falta saber para onde vamos: temos reforma, o que se faz com ela? A pergunta é para si, senhor empresário.

Alvíssaras, Álvaro Santos Pereira, alvíssaras, Pedro Passos Coelho. A reforma do mercado de trabalho era necessária há muitos anos. Grande parte dela já havia até sido concluída no Governo de José Sócrates, basta ver a facilidade com que se despediram milhares nos últimos anos. Mas sobrava uma última rigidez: o despedimento individual. Era como dobrar uma barra de ferro. Agora, se os tribunais não implicarem, será dúctil como plasticina. Era uma aberração: ter o despedimento colectivo instantâneo e o despedimento individual impossível.

A reforma é toda para isto: para baixar custos às empresas (nas rescisões, nas horas extraordinárias) e ao Estado (menos subsídio de desemprego), para que se trabalhe mais tempo (menos férias, folgas e feriados) e para enunciar a liberalização do despedimento. Sim, é uma enunciação, pois os termos para a inadaptação do posto de trabalho são tão ambíguos que o tribunal pode no mesmo gesto abrir ou fechar a porta.

Mas esta é também uma reforma feita para consumo externo, para agradar aos mercados, como confessou o ministro da Economia, para saciar a troika, para pontuar melhor nos "rankings" de competitividade.

Tudo o que é perdido, é o trabalhador que perde. Tudo o que é ganho, é a empresa que ganha. Tudo o que é omisso, é omisso para o trabalhador, para o precário ou para o desempregado. Com um caso gritante: e os recibos verdes, pá? Nada, não há quase nada. Mas esse é tema para um outro editorial. Para já, fiquemos no que está no acordo, olhemos para o meio copo, porque hoje é dia de celebração.

O acordo é bom, pois a situação era desequilibrada a favor do trabalhador. Mas agora acabou-se a ladainha e o ramerrão. O Governo sai de cena e a lei deixa de ser bode expiatório: aos patrões foi dado aquilo que nem nos sonhos mais selvagens eles esperavam ter. Agora que têm a varinha mágica na mão, precisam de mostrar que sabem usá-la, que não a abanam por vingança, que não a viram contra si mesmos.

Deixemo-nos de histórias: o primeiro efeito desta mudança da lei será de destruição. Há milhares de empresas que estavam à espera disto para avançar com os despedimentos. Porque precisam de reduzir a sua capacidade, os seus custos, e porque não querem pagar milhares de euros em indemnizações. Depois dessa mortandade anunciada, inicia-se um novo ciclo.

É aqui que entram os chefes, os empresários e os patrões. A concertação social deu-lhes os meios que eles sempre reivindicaram, nunca mais poderão queixar-se se não de si mesmos. Ou são bons gestores, ou são maus gestores. E tendo em conta o estado das nossas empresas, a sua fragilidade financeira, a observação de que os trabalhadores portugueses trabalham bem no estrangeiro e em multinacionais, as expectativas estão baixas. A nossa capacidade de gestão é genericamente fraca. Temos muitos chefes incultos, gestores que não imaginam como se motiva, lidera, envolve e premeia, empresários muito pouco exigentes em relação a si mesmos. Todos eles estão hoje radiantes mas ficarão preocupados se a sua própria incompetência se tornar visível. É também por isso que esta reforma é boa, porque separará os bons gestores dos empresários duma figa.


Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt"


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Relações íntimas entre políticos e maçonaria - II


Em Junho, Nuno Manalvo, ex-chefe de gabinete de Isaltino Morais na Câmara de Oeiras, convidou cerca de 40 personalidades para participarem num jantar, através de e-mails onde utiliza uma linguagem claramente identificada com a maçonaria. O grupo de reflexão 'Acreditar em Portugal' criava a iniciativa que era "reservada a membros da casa", a loja maçónica Mozart.
O jantar tinha como orador Joaquim Aguiar, do Grupo Mello, e seria moderado por António Saraiva, presidente da CIP. Estava agendado para 4 de Julho, um mês depois das legislativas, no restaurante Tasca da Esquina, "do nosso confrade Vítor Sobral".

Na lista de e-mails enviados por Manalvo, estão Luís Montenegro, actual líder parlamentar do PSD, João Paulo Alfaro, ex-espião, Pedro Duarte e Neto da Silva, ex-deputados do PSD, Humberto Pacheco, ex-deputado do PS, e Paulo Noguês, do Instituto Luso-Árabe e da Associação Portugal-EUA.
A Ongoing estava representada por 7 quadros, entre eles o presidente e vice-presidente, Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, respectivamente, Jorge Silva Carvalho, ex-director do SIED, Vasco Rato, Agostinho Branquinho, ex-deputado do PSD, e António Costa, director do semanário Económico, propriedade da Ongoing.
E ainda constavam o vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro, Álvaro Covões, produtor de espectáculos, António Lourenço dos Santos, ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do PSD, Amândio Antunes, director-geral da Finaccount, Carlos Veiga, candidato a presidente de Cabo Verde, Luís Carrilho, comandante da polícia em Timor-Leste, José Amaral Lopes, ex-secretário de Estado da Cultura do PSD, general José Cordeiro, da Indústria de Desmilitarização e Defesa, Filipe Costa, ex-chefe de gabinete de Alberto Costa e hoje no ICEP em Xangai, Ricardo Kendall, da Midas, o advogado Rogério Tavares, e Francisco Rodrigues, do SIRP (serviços secretos).

Quando contactados pelo PÚBLICO, as reacções são 'comoventes':
Manalvo começou por negar ter estado envolvido no jantar. Posto perante o teor dos e-mails, admitiu que se tratava de criar um grupo destinado a discutir o futuro do país.
Saraiva apresentou como objectivo do encontro juntar profissionais para pensar o crescimento económico e justificou a não realização do jantar pela falta de quorum.
Aguiar desvalorizou o convite justificando a não realização pelo facto do restaurante estar ocupado.


Cabeçalho do e-mail com o convite


Que náusea. Esta gente julga que os profanos são parvos. Que não vemos a distância abissal que vai dos ideais defendidos pela maçonaria à prática — políticos, serviços secretos e empresários encostados ao Estado que se agrupam em lojas maçónicas para defenderem os seus interesses em prejuízo dos interesses do País. Asfixiando financeiramente os empresários que não vivem à sombra do orçamento do Estado e obrigando-os a ir investir para outros países.

É andar para a frente com a fusão ou extinção de serviços públicos a fim de reduzir o número de cargos dirigentes nos institutos, agências ou fundações públicas dos serviços e fundos autónomos. Na administração central e nas autarquias. Em todos os sítios onde esta corja de aldrabões se acoitar.
Limpar todo este lixo a começar pelo parlamento. O que é que Passos Coelho está à espera para cumprir a promessa eleitoral de reduzir o número de deputados de 230 para 180 permitido pela Constituição da República?


mat22 05 Janeiro 2012
Ridículos
Que seita de malta que ocupa os lugares chave. Já estou como o Miguel Sousa Tavares: Que ridículos tipos que se reunem de aventalzinho em cerimónias ridículas! Estamos no século XXI.
Que fraca gente esta a que estamos entregues! Que fraca e ridícula gente esta! Pobre país que tem o seu destino entregue a Zorrinhos a Montenegros e a milhares de outros. Pobre país!


josedomingos 05 Janeiro 2012
Nojo desta justiça e deste país! É a única palavra que me ocorre
Este é, de facto, um país de vómito, em que a Justiça é pisada aos pés, enxovalhada, humilhada e reduzida a um simulacro e a uma encenação pobre e nojenta por bandos ou lobbies, como se lhe queira chamar, que operam a soldo dos seus inconfessáveis interesses e ficam sempre impunes.

Assim se vai compreendendo, preto no branco, como é que um sujeito, cujo processo já transitou em julgado, com a sentença de prisão já proferida pelo tribunal, ainda cá anda fora, a pretender fazer figura de pessoa de bem e a quem lhe são dadas todas as oportunidades para ir branqueando a sua imagem.
Falamos, obviamente, do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais.

Como é que algum investidor poderá querer colocar os seus capitais neste país podre, em que, se tiver necessidade de dirimir alguma questão em tribunal, sabe, de antemão, que a Justiça simplesmente não existe, não funciona e dura anos e anos sem fim, até que o processo seja concluído, se é que não acaba por prescrever?

Todos sabemos como este país precisa, como de pão para a boca, de investimento para que se possa desenvolver.
Só que as condições para atrair investimento são cada vez mais dificultadas e o pouco que por cá ainda existe vai, a pouco e pouco, sendo deslocalizado.

No fundo, tudo se liga e tudo faz sentido, neste país, para explicar o pântano mal cheiroso e fétido de corrupção e de lobbies poderosos em que vivemos e que operam, na calada dos gabinetes, para preparar as suas golpadas e os seus conluios.
Pobre país!


Malekas 05 Janeiro 2012 - 14:52
Dúvida
Se a maçonaria está relacionada com secretismo, é porque não é boa coisa. Tudo o que é bom e constitui exemplo para toda a gente, não é secreto. Até é desejável que tenha grande visibilidade para poder ser visível por todos, de modo a ser seguido por muitos. Isto claro, se for exemplo de virtudes.
Por isso, ainda gostava de saber o que andam a fazer homens graúdos de avental vestido, a fazerem figuras ridículas e, ainda por cima, sem quererem que se saiba. O que é que esconde na verdade esta encenação patética da maçonaria? Alguém é capaz de me explicar?
Por que razão têm as pessoas tantos problemas e tantos constrangimentos em assumirem-se maçons? Será que não querem que se saiba que são assim tão... boas pessoas?


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Impostos nos Países Baixos"


"Estamos saturados de manhosos, desconfiados de moralistas, estamos sem ídolos, sem heróis, estamos encandeados pelos faróis dos que saltam para o lado do bem para escapar à turba contra o mal. Quando apanhamos, abocanhamos. Estraçalhamos. Somos uma multidão furiosa. Às vezes, erramos. A família Soares dos Santos não está a fugir aos impostos. Mesmo se vai fugir ao País.

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce (para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

A decisão da família Soares dos Santos pode ser criticada mas não pelas razões que ontem se ouviu. A Jerónimo Martins não vai pagar menos impostos. E a família que a controla também não — até porque já pagava poucos.

Uma empresa tem lucro e paga IRC; depois distribui lucro pelos accionistas, que pagam IRC (se forem empresas) ou IRS (se forem particulares). Neste caso, a Jerónimo continua a pagar o mesmo IRC em Portugal (e na Polónia); o seu accionista de controlo, a "holding" da família Soares dos Santos, transferiu-se para a Holanda. Por ter mais de 10% da Jerónimo, essa "holding" não pagava cá imposto sobre os dividendos e continuará a não pagar lá. Já quando essa "holding" paga aos membros da família, cada um pagaria 25% de IRS cá — e pagará 25% lá. Com uma diferença: 10% são para a Holanda, 15% para Portugal.

Porque tomou a família uma decisão que, sendo neutra para si, prejudica o Estado português? Pela estabilidade e eficácia fiscal de lá, que bate a portuguesa. Pelo acesso a financiamento, impossível cá. E porque a família tem planos de crescimento que não incluem Portugal.

Aqueles que se escandalizaram ontem deviam ter-se comovido também quando, há um par de meses (como aqui foi escrito), a Jerónimo anunciou como iria investir 800 milhões de euros em 2012: 400 milhões da Colômbia, 300 na Polónia... e 100 milhões em Portugal. Isto sim, é sair de Portugal. E quando a Jerónimo investir na Colômbia, provavelmente vai fazê-lo também através da Holanda, onde se paga menos. Estes são problemas diferentes dos que ontem foram enunciados: a falta de atracção de investimento de Portugal; e a instabilidade fiscal, que muda leis como quem muda de camisa, afastando o capital.

A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir da Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender — feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.

O que custa a engolir não é que Soares dos Santos tenha cortado o passado com Portugal, esse mantém-no e continua a pagar impostos. É que tenha cortado o futuro. É que tenha decidido investir fora daqui porque aqui não tem por onde crescer, para procurar lucros fora de Portugal, criar postos de trabalho fora de Portugal e, então sim, pagar impostos desse futuro fora de Portugal. Pensando bem, esse é um grande problema e é um problema nosso. Mas investir fora do País não é traição. É apenas desistir dele. E a Jerónimo já partiu para a Polónia há muitos, muitos anos — ou ninguém reparou?


Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt"


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Nos discursos políticos, o mar é uma riqueza


Em 2009, o presidente da Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar propôs à Direcção-geral das Pescas que financiasse a instalação de aparelhos GPS nas embarcações de pesca, mas o pedido não foi aceite.

Ontem de manhã, notando que não conseguia comunicar há dois dias com o "Virgem do Sameiro”, um dos barcos de pesca acompanhados pela associação, deu o alerta.
Imediatamente tiveram início as operações de busca com o navio-patrulha oceânico ‘Viana do Castelo’ disponibilizado pela Marinha, um barco salva-vidas e uma embarcação de alta velocidade da Capitania do Porto da Figueira da Foz e um avião da Força Aérea.
Só hoje é que os seis tripulantes do barco de pesca foram avistados por um helicóptero da Força Aérea em missão de fiscalização das pescas. Estavam dentro de uma balsa salva-vidas e acabam de ser recolhidos.


Obviamente que as operações de busca e salvamento têm custos. A angústia dos pescadores, dois dias à deriva, e das suas famílias tem um valor incalculável. E os pescadores podiam ter perdido a vida.
Isto aconteceu num País onde os titulares dos mais importantes cargos políticos sabem, e proclamam, que o investimento no sector das pescas é essencial para diminuir importações e criar postos de trabalho.

No discurso de tomada de posse, o presidente da República apontou o mar como uma via de desenvolvimento económico para o País:
"É crucial aprofundar o potencial competitivo de sectores como a floresta, o mar, a cultura e o lazer, as indústrias criativas, o turismo e a agricultura, onde detemos vantagens naturais diferenciadoras. A redução do défice alimentar é um objectivo que se impõe levar muito a sério, tal como a remoção dos entraves burocráticos ao acesso da iniciativa privada à exploração económica do mar."
E no discurso do 5 de Outubro relembrou:
"Os oceanos permanecem em larga medida por explorar, em tudo aquilo que nos podem oferecer de forma sustentável."

Imaginem o que seria, se não soubessem.



À noite, descobrimos uma história com gente dentro:
O helicóptero e os recuperadores salvadores que resgataram os náufragos neste vídeo.
E a odisseia dos pescadores nas palavras singelas do mestre da embarcação.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Humor em Novembro - II


Viagens de família, massagens, tampões higiénicos, cintos de pele de crocodilo, cabeleireiro, faqueiros em prata, mercearia e uma festa de aniversário de uma neta.

Estes são exemplos de despesas pessoais que o Fisco encontrou registados nas contas da Amorim Holding II, entre 2005 e 2007, e que atingem o valor de 3,1 milhões de euros.
O Fisco, representado pelos serviços da direcção de finanças de Aveiro, reclama por isso a devolução de 750 mil euros de IRC a Américo Amorim, uma quantia que o empresário nortenho se recusa a pagar.

O contabilista da Amorim Holding II admitiu a existência de algumas despesas pessoais na contabilidade da sociedade, mas diz tratar-se de “pequenas despesas, não relevantes”.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

"O miserável capitalismo português"


"O miserável capitalismo português

07 Novembro 2011, 12:03 por Camilo Lourenço


Certo dia António Guterres convidou-me para almoçar em São Bento. Às tantas perguntei-lhe se não o preocupava a presença do Estado na economia.

O então 1º ministro vacilou e respondeu: "Sim, preocupa-me". E contou-me uma história: "Há dias tive aqui um grupo de empresários que queriam criar uma associação. Disse-lhes que achava muito bem. Mas no final da conversa um deles saiu-se com esta: "Precisamos que o Governo pague as instalações…"".

Lembrei-me deste episódio quando se soube que o Estado vai pagar os 35 milhões de euros que custou a construção do Europarque, em Santa Maria da Feira. Tudo isto porque a AEP, alegadamente, não tem condições para os pagar. Como o Estado português aceitou ser "fiador", os bancos que financiaram o projecto vão accionar as garantias.

É esta a face mais vergonhosa do nosso capitalismo: não sabe viver sem o Estado. Agora, quando Guterres era 1º ministro, no Gonçalvismo, quando Salazar cá andou, quando D. João II se lançou na gesta ultramarina, quando... Bem, é melhor ficarmos por aqui senão acabamos em D. Afonso Henriques...

O problema é que nada disto é novo: nas privatizações o Estado fez preços especiais aos empresários portugueses que depois venderam as empresas a estrangeiros, apropriando-se de enormes mais-valias; parte dos accionistas dos nossos bancos só o são porque compraram acções com dinheiro emprestado; quando se fala em criar condições para crescer, a primeira coisa que se ouve é "apoios do Estado", "linhas de crédito bonificadas", etc. Com exemplos destes o leitor surpreende-se com o estado do país? E está a ver qual é o maior problema estrutural da economia portuguesa?"


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Jogos de poder


No seu discurso no 4º Congresso da Ordem dos Economistas, o Presidente da República afirmou que a proposta de OE 2012, ao suspender o subsídio de férias e Natal apenas de um grupo específico de cidadãos, viola o princípio de equidade fiscal.

RTP 2011-10-19 20:16


Durante este congresso, os economistas João Salgueiro, Vítor Bento e Miguel Beleza deram a sua opinião sobre as palavras de Cavaco Silva e a necessidade de haver medidas de austeridade.

RTP 2011-10-19 13:28


Posteriormente, saíram a terreno administradores de empresas, empresários de topo e antigos ministros para criticar Cavaco Silva.



Só uma voz se ouviu em defesa do princípio da equidade fiscal nas medidas de austeridade. No programa Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira, ex-deputado do PSD, concordou com Cavaco Silva, afirmando que se está a criar uma clivagem "perigosa" na sociedade portuguesa e acrescentou: "Duvido que os funcionários públicos voltem a receber subsídios na próxima década".
Pacheco Pereira mostrou-se preocupado com a falta de informação prestada pelo Governo: "Há um mês, ninguém pensava que era preciso tirar um subsídio inteiro, agora tiram dois. Alguém me sabe explicar porque passámos de repente para uma situação tão dramática?"

Não sabemos. Agora estes senhores que abandonaram Cavaco Silva e se passaram de armas e bagagens para o lado de Passos Coelho, decerto conhecem a resposta:


RTP 2011-10-21 20:23:03

O antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva, Eduardo Catroga, afirmou que "a equidade fiscal não está posta em causa" e repreendeu o presidente da República: "Não fez bem em falar" porque "estes temas devem ser tratados nas reuniões bilaterais e acho que foi num momento prematuro".

*

convi 21 Outubro 2011
Dr. Catroga,
Trabalhei consigo e devo dizer-lhe que, quer pessoalmente quer profissionalmente, me deixou a melhor das impressões. Lamento a sua análise a propósito das declarações do seu amigo, Prof. Cavaco Silva, actual Presidente da República.
Logicamente que o PR, em privado, terá dito a Passos Coelho, o mesmo que declarou publicamente. E não me venha dizer, a mim, que sei o que é, ou não é, equidade fiscal/tributária, que o PR não tem razão.
Logicamente que se poderá argumentar que se trata de redução de despesa pública e não de tributação de rendimentos. Aceito mas, então, terá a natureza de confisco e uma atitude discriminatória. Sejamos claros: duas pessoas, com o mesmo rendimento, uma na FP e outra na actividade privada, deveriam contribuir igualmente, ou seja, com o mesmo esforço, para o desiderato que o governo pretende alcançar!

Sascencao 21 Outubro 2011
"Violação da equidade fiscal"?
  • Existem funcionários públicos em excesso, e quem suporta o sobredimensionamento do sector público são na maioria contribuintes do sector privado.
  • A generalidade dos funcionários públicos ganham mais que os trabalhadores do privado mesmo considerando responsabilidades e níveis de formação equivalentes.
  • Os funcionários públicos gozam do privilégio que é a estabilidade no emprego, protegidos da dureza do mercado de trabalho competitivo real onde estão inseridos os trabalhadores do privado.
  • Se uma empresa privada está falida ou em dificuldade os trabalhadores são despedidos, no caso do Estado os funcionários públicos não têm que se preocupar porque aumenta-se os impostos ou pede-se emprestado para os outros pagarem.
  • A produtividade dos funcionários públicos é questionável, quem recorre a serviços públicos sabe do que estou a falar, no privado se o trabalhador não é produtivo provavelmente é despedido.
  • A progressão de carreira de muitos funcionários públicos tem sido automática justificado apenas pela antiguidade, e as promoções de muitos pela filiação. No privado é preciso provar-se competente e trabalhar muito para evoluir na carreira.
  • Muitos funcionários públicos têm subido de escalão remuneratório apenas por terem conseguido terminar uma licenciatura. No privado alguns trabalhadores precisam de tirar a licenciatura apenas para manter o local de trabalho e não serem substituídos.
  • Geralmente só os trabalhadores do privado estão sujeitos à avaliação de desempenho e às devidas consequências.
  • A gestão danosa dos governantes do Estado – todos eles funcionários públicos – fica impune, no caso do privado provavelmente é julgado por todo prejuízo causado.
  • Ao sector privado tem-se pedido flexibilização do mercado de trabalho para melhorar a competitividade, ao sector público não se tem pedido nada.
  • O emprego precário e as pressões no local de trabalho é um mal que afecta principalmente o sector privado.
  • No sector privado a maioria dos trabalhadores já viu o seu rendimento reduzido: muitos perderam os incentivos, bónus e comissões e só lhes resta o ordenado base; alguns negociaram a redução de salário com os patrões; muitos foram dispensados e depois contratados a ganhar uma fracção do que ganhavam antes; outros continuam desempregados e desses, muitos perderam 100% do rendimento, sem trabalho e sem subsidio de desemprego.
Honestamente, quem se acha injustiçado ou sente prejudicado por trabalhar na função pública, por favor, largue o conforto, demita-se e aventure-se no mercado de trabalho privado!

Raiano 21 Outubro 2011
Lamentável
Lamento a posição do Sr. Presidente. Como economista que é, deve saber que o que está em causa é reduzir o deficit orçamental do Estado. Logo é preciso reduzir custos no Estado e não no sector privado onde, quando as empresas estão mal financeiramente, entram em falência e, como é costume, os trabalhadores vão para o desemprego. Ou será que desconhece o número de desempregados deste país?

simcos 21 Outubro 2011
Só é lamentável para este governo? Disse o mesmo do anterior...
Caro Sr Raiano, o Sr. Presidente sabe muito bem que há um défice orçamental a cumprir, mas também sabe que para chegar lá há vários caminhos, só que o PPC quer reduzir o défice por parte da despesa, sim, os subsídios 13º e 14º da FP e dos reformados são despesa.
Porque não se distribui também pelos privados e assim, em vez dos 2 subsídios sobre uns, só seria 1 subsídio a menos para todos? Eu sei qual o problema, é que assim teria que transformar-se esses subsídios em taxa de impostos, e então o encaixe passaria a ser feito pela via da receita.
Mas qual é a justeza de um reformado do sector privado (Segurança Social) perder 2 mensalidades da reforma e os do activo nada?

cafrancisco 21 Outubro 2011 - 19:58
O sofisma
O problema do país não está no deficit público. Está na dívida pública.
O que o país precisa é que haja mais exportações e menos importações. Logo é necessário também cortar os vencimentos aos privados para haver menos dinheiro em circulação, logo haver menos compras, logo haver menos importações. O resto são desculpas esfarrapadas...
O Sr. Primeiro-ministro decidiu pelos cortes na Função Pública porque representam 1/10 dos eleitores. Mas, mais tarde ou mais cedo, os trabalhadores do sector privado vão ser chamados a ajudar a pagar a factura. E não vai demorar muito.

mrnogueira01 22 Outubro 2011 - 13:05
E a subvenção?
A subvenção pública que recebe sabe-lhe bem, não é assim?
Será que o Sr. Catroga e as centenas de políticos que usufruem das mesmas estão dispostos a devolvê-las ao Estado? Será que não recebeu vencimentos enquanto exerceu cargos políticos?
Olhe que não acredito que tenha feito tal. É que, se não recebeu, então concordo que lhe atribuem a tal pensão vitalícia, ganha ao fim de 8 anos de actividade em cargos políticos.
E que tal o fim dos subsídios aos partidos, conforme o número de deputados que têm? Também não seria uma medida da mais elementar justiça?
Não acha que devem ser os militantes e os "boys" a contribuírem para os respectivos partidos?
E “dinheirinho" que certos partidos (PS/PSD/CDS) recebem dos empresários, constam das contas dos respectivos partidos?
Pois Sr. Catroga, muito bem prega "Frei Tomás”.
E a defesa de uma única reforma, com o tecto máximo de 3.000 euros, por exemplo, convém-lhe?
Ah, pois! É muito fácil falar de cátedra, não é Sr. Dr.?

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RTP 2011-10-21 20:23:03

Francisco Van Zeller, actual presidente do Conselho pela Promoção da Internacionalização e ex-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, considerou "muitíssimo grave" o discurso de Cavaco Silva porque "vai dar apoio a todas as manifestações de rua que venham a ocorrer, que agora têm as costas quentes pelo chefe de Estado".
E finalizou, dramatizando: "[o Presidente da República] criou um enormíssimo problema ao país. Não ao Governo. (...) Agora lá fora vão ver que o chefe do Estado, nada menos, está contra a política que leva à consolidação orçamental".

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VBM52 21 Outubro 2011 - 20:38
Complexo de caudilho?
Ninguém vai pela cabeça dos outros seja PM, PR ou um qualquer Zeller. O que movimenta as massas são as condições de vida adversas e a tomada de consciência das mesmas e como estas afectam o presente e as perspectivas futuras que cada um alicerçou para si. É natural a indignação e a reacção ao que nos afecta. O inverso é que seria antinatural, sintoma de amorfismo ou conformismo.
O velho princípio: a cada acção corresponde uma reacção...

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Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom depois de classificar as críticas de Cavaco Silva de "ambíguas" e "perigosas", afirmou que "estas questões devem ser tratadas nas instâncias próprias". E finalizou com esta afirmação:
"Vemos responsáveis por instituições a falar cada um por seu lado, o que de facto dá muito pouca unidade de combate a um problema grave que o país atravessa. Acho que nós estamos a atravessar um PREC da direita".

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VBM52 21 Outubro 2011 - 19:58
Perigosos são eles
O PR instado pela jornalista a comentar as medidas, uma vez que, em Janeiro, havia discordado do Governo PS por diminuição do salário da FP, não podia, a bem da coerência, concordar com as actuais medidas, só prque tomadas por Governo PSD.
Por outro lado, tem sido propalado, por ministros impreparados, não haver despedimento na função pública o que é falso.
Desde 2008, existem duas vinculações à FP [Lei 12-A/2008]: por nomeação — Magistrados, Policias, Corpo Diplomático — estes, sim, com direitos especiais, incluindo o direito a despedimento por acordo; e por contrato individual de trabalho, os demais trabalhadores do Estado. Estes podem perder o posto de trabalho, a qualquer momento, bastando que a extinção desse posto resulte da reestruturação do organismo. Nem é preciso justa causa, nem está prevista qualquer indemnização ou acordo de rescisão. Somente um ano no contingente de mobilidade, com 60% do vencimento, depois, se não conseguir colocação, zero.

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Jornal Negócios 2011-10-21 10:23

Outro antigo ministro de Cavaco Silva, Luís Mira Amaral, também se mostrou discordante: "Não concordo com o presidente da República nem do ponto de vista político, nem do ponto de vista económico. Neste momento dramático, todos os órgãos de soberania têm de remar no mesmo sentido".
Em relação ao Orçamento do Estado para 2012, defendeu que "a Função Pública tem de se lembrar que têm um patrão falido e que, se fosse um patrão privado, falia e as pessoas perdiam o emprego.
Felizmente ainda é possível pagar salários e pensões, dado que o Estado está quase em falência técnica mas ainda conseguimos negociar um acordo com a troika.
"

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paraver 21 Outubro 2011
O Senador imoral
Mira Amaral é apologista do pensamento único, o que é natural face ao convívio que mantém com ditaduras repressivas e sanguinárias. É o mesmo Mira Amaral que contribui para a falência do Estado por ter feito uma negociata para embolsar 18.000€/mês de pensão de forma ilegítima e das restantes mordomias que acumula por ter sido ministro. Mais, Mira Amaral trabalha, mas continua a embolsar pensões. Com que idade se reformou? Pois...

alverca 21 Outubro 2011
O "patrão" está falido...
... porque andou durante demasiados anos a desbaratar milhões em negócios ruinosos, estudos manhosos, pensões múltiplas milionárias e outras mordomias para amigos e influentes deste pobre país e a distribuir subsídios e prebendas para tudo quanto era sítio.
Porque, nos últimos anos, o "patrão" e seus apaniguados elevaram o oportunismo saloio a política de Estado, em conluio ou com a passividade de uma classe política mais que medíocre. Noutro país mais civilizado, com uma Justiça digna desse nome, o "patrão" e muito “boa gente” estariam agora a pagar pelas políticas desastrosas que conduziram Portugal a este estado de calamidade.

jorgex74 21 Outubro 2011
'Só fala quem tem que se lhe diga'
Neste caso o provérbio assenta que nem uma luva! Apesar de concordar com parte do comentário, não posso deixar de referir que o Estado gasta por ano, com estes senhores, milhões de euros em subvenções vitalícias. Subvenções essas que podem começar a ser recebidas quando acabam as "funções". Para já não falar das subvenções públicas, que representam também centenas de milhões de euros por ano. Claro que assim, tudo somado..... O PATRÃO ESTÁ REALMENTE FALIDO.

mrnogueira01 22 Outubro 2011 - 12:06
Sr. Mira Amaral,
Se o senhor fosse uma pessoa digna devolvia os 18 000 euros que recebe de reforma porque quem trabalha 18 meses para uma Instituição não pode, por imperativos morais e éticos, receber uma reforma de tal valor.
Também quando o Sr. diz que a subvenção vitalícia que recebe do Estado não deve ser taxada, porque não a recebe por 14 meses mas sim 12, é outra falácia.
Há alguma outra profissão onde alguém recebe subvenções vitalícias ao fim de 8 anos por ter exercido cargos políticos — o seu caso — e que é actualmente de 12 anos?
Eu, na minha família, fui ensinado que a política é uma profissão nobre, para onde vai quem quer servir a causa do bem comum da respectiva comunidade e não servir-se a si próprio.
Ora, vai desculpar-me, nem foi isso que se passou consigo nem é isso que se tem vindo a passar. O Sr. actualmente defende o interesse de Angola, oferecendo-lhes o BPN que já custou mais de 5 mil milhões de euros aos contribuintes portugueses.
E, como sabe, o Governo actual prepara-se para injectar mais 12 mil milhões nos Bancos com o confisco aos contribuintes.

É muito bonito falar em Estado falido quando foi o Sr. e todos os políticos pós-entrada na CEE, hoje UE, que se abotoaram com grande parte dos fundos estruturais que Portugal recebeu, ou é mentira? Para além das auto-estradas, para onde foram as restantes verbas?
Dou-lhe dois exemplos. Dias Loureiro e Duarte Lima chegaram à estação de Santa Apolónia com uma meia de cada cor e agora usufruem de riquezas incalculáveis. Um, até é o principal suspeito de ter assassinado uma senhora muito rica, no Brasil.
O desplante e o descaramento desta gente não tem fim. Certamente conhece o ditado: "Pode enganar-se toda a gente uma vez, mas não se consegue é enganá-la o tempo todo." E parece que a maioria dos portugueses começa a acordar do seu longo sono.
Este país é, claramente, uma utopia, nasceu porque um filho resolveu bater na mãe e foi restaurado porque uma senhora não queria continuar no grupo dos vassalos e disse, para o marido, que queria ser rainha pelo menos um dia.
Tenha um pingo de dignidade e, pelo menos, deixe de aparecer em público como se não tivesse nenhuma responsabilidade no que se passa.


domingo, 16 de outubro de 2011

"O medo é a nova forma de escravatura"


lmsilva999 14 Outubro 2011 - 23:58

Há dias em que concordo com este senhor

O medo em falta mata e em demasia destrói. Nem 8, nem 80. Quanto mais medo, acima de um certo limite do razoável, mais a pessoa X (colectiva ou singular) é controlada pela pessoa Y, pois não pensa, é ilógica, sem discernimento e com atitudes precipitadas.

Existirão muitas empresas que, sem necessitar, embalarão na desculpa da crise real para justificar tudo e ameaçar de uma forma velada os seus trabalhadores e fornecedores.
Há que estar atento aos números das empresas, às projecções que elas próprias dão aos mercados, mas que internamente fingem não existir para que os trabalhadores aceitem apenas lutar pela sobrevivência e não vejam que, se não forem eles, a empresa não dá os lucros fabulosos que, em alguns círculos oficiais, admitem que o são.

Pode parecer estranho? Talvez para a maioria das empresas, mas certamente não para muitas que nos últimos anos tiveram os melhores anos de sempre e apontam em ir a caminho de outros tantos.
Estejam atentos, leiam os dados oficiais das vossas empresas, comparem-nos com os anos anteriores e com os que as restantes do mesmo sector apresentam, verifiquem e encontrem tendências e não se entreguem ao medo irracional.
Algum medo? Claro! Mas muito? Cada caso é um caso. Cuidado com o controle feito com base no medo, tão comum na sociedade. O medo é a nova forma de escravatura. E sabem que mais? Resulta tão bem.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Humor em Agosto - II


O investidor norte-americano Warren Buffett e os empresários franceses mais favorecidos solicitaram a implementação de um imposto especial sobre as grandes fortunas, para ajudar a enfrentar a crise da dívida dos Estados.
O Negócios quis conhecer a disponibilidade do "rei" da cortiça, o homem mais rico de Portugal, para aceitar um tal imposto. Resposta de Américo Amorim:

"Eu não me considero rico. Sou trabalhador."





quarta-feira, 29 de junho de 2011

O dia em que a Grécia adiou a bancarrota


Pedro Guerreiro, director do Negócios, analisa neste vídeo, com transparência, a aprovação do programa de austeridade na Grécia, a crise da zona euro, a questão das PPP's portuguesas e outros temas.

A situação portuguesa, embora menos grave que a grega, tem uma "manada" de elefantes brancos por acomodar — as Parcerias Público-Privadas.
São contratos em que empresas privadas realizam obras públicas (auto-estradas, hospitais), os bancos financiam e o Estado se compromete a pagar elevadas rendas aos privados e a responsabilizar-se por todos os riscos de financiamento e de operação.
Estamos a falar de valores que ascendem a 60 mil milhões de euros e acrescem à dívida pública actual.

Para quando o julgamento dos políticos que, por negligência ou cupidez, em benefício próprio ou dos seus partidos, negociaram contratos ruinosos para o Estado?





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Morreu o empresário Salvador Caetano


Salvador Fernandes Caetano nasceu em 2 de Abril de 1926 na freguesia de Vilar de Andorinho, concelho de Vila Nova de Gaia e faleceu hoje no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos.
A família era humilde e numerosa e o pai, carpinteiro, não podia custear o curso de Direito com que sonhava. Após concluir o ensino primário, começou a trabalhar com onze anos de idade como ajudante de pintor nas carroçarias de Castro Reis.
Empreendedor, alguns anos mais tarde decide trabalhar sozinho na reparação dos autocarros da empresa de viação Gondomarense.

Entretanto casou-se com a filha de lavradores abastados. Em 1946, aos 20 anos, aproveita o pós-guerra para criar uma indústria de carroçarias, juntamente com o seu irmão Alfredo e com Joaquim Martins, a empresa Martins, Caetano & Irmão Lda que viria a ser o embrião da Toyota Caetano Portugal S.A.

No entanto foi difícil o início de actividade, tendo os sócios decidido abandonar o projecto. Pioneira em Portugal, primeiro da técnica dos perfis de aço e madeira e, em 1955, das carroçarias fabricadas integralmente em metal, a empresa consegue conquistar importantes clientes: em 1961 fornece 12 autocarros de dois pisos ao Serviço de Transportes Colectivos do Porto, uma encomenda que permitiu a entrada em laboração, em 1965, da fábrica para a construção de autocarros, em Oliveira do Douro, Gaia, e ganhar, em 1967, um contrato de exportação de autocarros para a Grã-Bretanha.

No ano seguinte tornou-se representante exclusivo da Toyota em Portugal e, em 1971, começou a laborar a primeira unidade industrial de montagem de automóveis, em Ovar, que, numa década, viria a atingir a montagem de 100 mil viaturas.

Em 1982 adquiriu uma empresa importadora de camiões em situação de insolvência, a A.M. da Rocha Brito, Lda, que transformou na concessionária dos veículos BMW no mercado português — a firma Baviera.

Em 1996, ao comemorar os 50 anos de actividade, Salvador Caetano tinha criado ou adquirido mais de três dezenas de empresas nos mais diversos sectores de actividade, tendo o Grupo Salvador Caetano facturado 1,6 mil milhões de euros em 2006, para os quais a Toyota Salvador Caetano, contribuiu com 382,6 milhões de euros.
O Grupo Salvador Caetano empregava 6100 funcionários em 2006, dos quais 813 na Toyota Salvador Caetano.


Destacamos este episódio que revelou numa entrevista de 2004:

"Naturalmente que, numa actividade já tão longa, é evidente que há sempre 'espinhas'. A que eu tenho mais saliente na garganta, e que não consigo esquecer com facilidade, foi o esforço, o sacrifício que tive que fazer e a luta que tive de travar para conseguir o alvará para montar a fábrica de montagem em Ovar. Isto em 1968. Estávamos em pleno condicionamento industrial e tinha, nessa altura, como inimigo número um tal eng. Torres Campos, que era o director-geral da Indústria e que, de uma forma arrogante, disse-me um dia: "Enquanto eu estiver aqui, quem manda sou eu e você não terá o alvará.” Eu levantei-me e exaltei-me de tal modo que lhe disse: “Quem é você? Você não presta”, quase o insultei e ele ficou muito atrapalhado, vim-me embora e depois o assunto foi resolvido pelo eng. Rogério Matias, que era na altura secretário de Estado da Indústria."


domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Rumo à Profissão"


"Durante cerca de 14 meses, ocupei um posto de trabalho por conta de outrem numa empresa da área da publicidade, comunicação e eventos; dessa experiência, guardo memória das minhas primeiras conclusões acerca dessa dita indústria, poucas vezes (para mal das minhas próprias pretensões) criativa.
Registei o conhecimento adquirido sobre concursos que são metáforas sobre a "transparência", com os vencedores a não cumprirem um único item do "briefing" e clientes — representantes pagos pelo sector público — sem a menor preocupação com isso; registei a ausência completa de qualquer estratégia de recursos humanos, sustentada pela velada chantagem do desemprego (nada como um mal ainda maior para "meter as tropas em alerta"); aprendi que o sucesso de muitos negócios não tem nada a ver com o que realmente "produzem", mas muito mais com "para quem trabalham", e que estas transferências de dinheiro do erário público para o bolso privado mais não são do que a mais hipócrita forma de subsídio encapotado, atrás dos acessórios e adereços com que se constrói uma muito questionável "imagem de sucesso".
Uma espécie de "nouveau pato-bravo" que, ao contrário do seu antecessor dos anos oitenta, desta feita se esconde atrás dos "conceitos inovadores" em vez da "obra feita".
"


Eis um testemunho que alerta para a existência de um falso sector privado, aquele que trabalha quase exclusivamente para o Estado e mais não é senão uma excrescência desse mesmo Estado.

Quer saber, caro leitor, quem são estas empresas privadas?
Contam-se por vários milhares, cresceram como cogumelos após a chuva nos últimos seis anos, estão em www.base.gov.pt, movem-se nos domínios da publicidade, comunicação e eventos, da restauração e catering, da advocacia, da informática, ...
E se tiver a pachorra de ler alguns destes artigos — Os jantares da ANACOM, A festança dos 160 anos da DGCI ou O negócio das Novas Oportunidades — pode descobrir o nome de muitas delas.
Mudam de cor tal como os camaleões, tanto podem reflectir o rosa socrático ou o laranja santanista, o que não há ali é uma única empresa que saiba produzir bens exportáveis...