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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um governo para a Zona Euro - I


Fabrice Dimier/Bloomberg


Hoje, durante um encontro em Paris, a chanceler Ângela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy elaboraram uma proposta que vão apresentar aos restantes líderes europeus. Já se conhecem os seguintes pontos:
  • Criação de um Governo económico na Zona Euro, formado pelos líderes dos 17 países e presidido pelo belga Herman Van Rompuy, actual presidente do Conselho Europeu.
  • Fixação de um limite máximo para o endividamento público de todos os países da Zona Euro, inscrito nas respectivas Constituições até ao fim do Verão de 2012.
  • Criação de uma taxa sobre as transacções financeiras, i.e. sobre os movimentos internacionais de capitais.

Sobre a fixação de um tecto para a dívida pública, que a Alemanha adoptou em 2009, a chanceler Merkel declarou:
"É um passo corajoso. Se no passado o tivéssemos feito, não teríamos tantos problemas hoje (...) Hoje estamos a fazer propostas para reforçar a confiança no euro", acrescentando que os limites de endividamento devem ser controlados por órgãos nacionais, não apenas europeus, independentes dos Governos no poder.
A quem o diz. Se algum órgão nacional tivesse conseguido controlar o despesismo dos governos Sócrates, esta catástrofe não tinha ocorrido.

Quanto às obrigações europeias — eurobonds —, a chanceler esclareceu: "A Europa ainda não está aí (...) Vivemos em democracia, é bom que haja discussões. Mas às vezes as pessoas procuram uma solução para pôr termo de uma vez à crise, e vamos resolver esta crise, mas passo a passo".
E o próximo passo será garantir que o endividamento público será reduzido no futuro, impondo um “travão” de natureza constitucional.

Ah, a chanceler Merkel não aceita que a Zona Euro se endivide como sucedeu aos Estados Unidos que têm uma dívida astronómica, 8% da qual nas mãos da China, que já é a segunda maior economia mundial...
Temos estadista.


países da UE que pertencem à Zona Euro (17): Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia,
Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países
Baixos, Portugal.
países da UE que pretendem pertencer à Zona Euro (8): Bulgária, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia,
República Checa, Roménia, Suécia.
países da UE com uma derrogação de pertença à Zona Euro (Reino Unido)
países da UE com uma derrogação que pode ser abolida por futuro referendo (Dinamarca)
países fora da UE com acordo para usar o euro (Mónaco, S. Marino, Vaticano)
países/regiões fora da UE que usam o euro, sem acordo (Andorra, Montenegro, Kosovo, Norte
de Chipre)


Edifício Europa, Bruxelas, futura sede do Conselho Europeu, que é composto pelos líderes dos 27 Estados membros da UE.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Uma dívida pública trepante



Cartoon SA 02-06-2011 do Negócios



Para se perceber o desvario dos derradeiros seis anos de governação, basta olhar para este gráfico da dívida pública que abrange as duas últimas décadas:




Recordemos que o tratado de Maastricht impõe um limite superior à dívida pública: 60% do PIB.

Se o leitor apreciar valores exactos, aqui tem a tabela construída com os dados publicados pelo Banco de Portugal — quadro E.3.3:




sábado, 9 de abril de 2011

Queremos governantes competentes


O que nos diz Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo empresarial Jerónimo Martins, sobre o pedido de ajuda financeira de José Sócrates? Que "vem muito tarde, muito tarde".
"Sabia-se há muito tempo que a situação económico-financeira de Portugal era muito má. E, quando se tem pela frente uma situação económica muito má, a única coisa que há a fazer é olhar para ela com seriedade e desenvolver um plano de ataque a essa mesma situação. E aquilo que se demonstrou ao longo deste tempo todo, foi que lançaram um PEC I, um PEC II, um PEC III e um PEC IV. Quando se lança PEC atrás de PEC significa que não há plano, significa que tudo é feito sobre o joelho, face às necessidades de tesouraria num determinado momento.
Evidentemente que isto só agrava o problema porque não atacamos, primeiro, o mal. Quando se nota a evolução da dívida portuguesa desde 2004 até hoje — em 2004 era 56% do PIB e hoje nem sabemos quanto é, há quem diga que é 92, mas há quem diga que é 140% — isto significa que nada foi feito e pretendeu-se fazer como a avestruz: meter a cabeça debaixo da areia e esperar pelo tempo melhor (...).
Criou-se à volta do FMI uma imagem de que a entrada dele é o fim deste país, quando a entrada do FMI é uma necessidade total. E porquê? Porque destruiu-se nestes anos todos a Administração Pública. Infiltrou-se, por todo o aparelho de Estado, incompetência, incúria e desleixo. E introduziu-se uma coisa horrível que foi a mentira. Lembra-se, em 2009, que nos disseram, em Agosto, que o défice era x e acabou por ser x, mais y e mais z? Não me venham dizer que, em Agosto, não se sabia qual era o défice, qualquer companhia sabe, em Agosto, quais são os resultados que vai ter no fim do ano.

Penso que vamos ter de negociar com o FMI e com a Comissão Europeia um plano de longo prazo de recuperação das Finanças portuguesas, porque há aspectos sociais terríveis no nosso país, neste momento, e não se podem ignorar. Um exemplo: tenho 1% da massa salarial do Pingo Doce penhorada pelos tribunais, de pessoal que não pôde pagar os seus compromissos e agora sou obrigado a entregar 30% desses salários aos tribunais. (...) Facilitou-se o crédito a esta gente para tudo: foram obrigados a comprar casa porque não havia arrendamento e agora, de um dia para o outro, vai-se-lhes buscar o dinheiro. (...)
Tem de haver um plano em que se recupere as Finanças porque sem Finanças sãs não há desenvolvimento mas, ao mesmo tempo, tem de se olhar com cuidado para os problemas sociais que este país está enfrentando e que nos podem levar a graves perturbações. (...)
Qualquer pessoa aceita qualquer plano desde que se lhe indique aonde esse plano nos vai levar e nós nunca fomos informados. Qual é o verdadeiro buraco das Finanças portuguesas? Há quem diga que não se podem fazer auditorias às contas. Qualquer pessoa na Comissão Europeia sabe exactamente qual é o buraco. Quem é que não tem direito a saber? O cidadão português. Paga os seus impostos e não tem o direito de saber como o seu dinheiro está a ser administrado e como é que o gastaram: isto é crime. (...)
Os juros altos vêm de não haver um plano que mostre aos credores para onde o país vai. Vai haver crescimento económico, ou não? Vai haver criação de emprego, ou não? Como se cria o emprego? Através do investimento. E como se cria o investimento? Através da confiança. E nada disto existe. A única coisa que existe é uma caça ao dinheiro para suprir as necessidades diárias do Estado.
(...)
[Embora a austeridade inicialmente se agrave] temos uma certeza, o dinheiro vão-nos emprestar. Agora depende da capacidade que Portugal tiver em fazer uma boa discussão: demonstrar que somos credíveis, verdadeiros e temos um plano que vamos implementar. E isto impõe aos partidos que pensem em Portugal e não pensem uns em tramar os outros. (...)
Não podemos continuar neste adiar permanente de resolver uma situação grave. Tem que haver um acordo entre Presidente da República, partidos políticos e governo em relação às medidas que têm de ser tomadas e um compromisso solene de as implementar. Uma sociedade só compreende o que tem de fazer desde que a chamem a participar. Há uma medida urgente, têm de iniciar as negociações com o FMI, acertar no plano e ir implementá-lo. A seguir, começar a discutir aquilo em que o governo que saia das eleições deve ter o apoio dos outros, de preferência por uma coligação.
Tem de haver, antes das eleições, a mesma coisa que o senhor Dr. Mário Soares fez com o professor Mota Pinto: acordaram, antes das eleições, quem iria ser o primeiro-ministro e quais as medidas a tomar e respeitaram; o senhor Dr. Mário Soares foi o mais votado, foi o primeiro-ministro. (...) Penso que, em nenhuma solução o senhor Eng. Sócrates pode entrar, porque o senhor Eng. Sócrates, até hoje, tem mentido e um primeiro-ministro não pode mentir ao país. (...)
Porquê existe uma grave crise económico-financeira em Portugal? Porque há uma crise política há muitos anos, que gerou uma crise social. Desapareceram os líderes (...) que tinham sentido de Estado, que punham o País à frente dos próprios partidos. Então começaram as jogadas partidárias, começaram a aparecer partidos com quadros que, de experiência de vida, não tinham nada e se instalaram como ministros, secretários de Estado, assessores e engordaram. (...)
Estes anos já provaram que governos minoritários não funcionam. Zapatero teve a dignidade de dizer: "Não me vou candidatar mais". O Eng. Sócrates devia ter a humildade de dizer, neste momento: "Peço desculpa, vou-me embora". E o partido socialista devia ter a coragem de indicar um bom candidato a primeiro-ministro. (...)

Neste País, actualmente, gostamos muito de pôr as culpas nos outros. Nós não temos culpa nenhuma. (...) O que é que estamos a fazer de errado, cada um de nós? Um país é aquilo que a sua sociedade quer. Se cada um de nós, nas nossas funções, as desempenharmos bem, o país será bom. Temos de olhar para nós e perguntar: O que é que posso fazer pelo meu país? A sociedade civil portuguesa tem pecado pela inércia — os empresários, as associações empresariais, a banca, os sindicatos. (...)
Quando se vota, não sei em quem estou a votar. Voto num tipo que penso vai ser o candidato a primeiro-ministro, mas eu devia saber quem eram os candidatos a deputado. Devia ser obrigatório cada candidato a deputado publicar o seu currículo: o que é que ele fez na vida? Para saber se vale a pena votar nesse senhor. (...)

A CIP tem de deixar de defender interesses pequenos para passar a defender a iniciativa privada em Portugal, no seu todo, apresentando projectos. Passamos a vida a queixarmo-nos: os agricultores queixam-se, os industriais queixam-se, todo o mundo se queixa. Criou-se a ideia que o Estado tem de pagar tudo e nós não temos de fazer nada. (...) Se falar ao povo português, dizendo que o Serviço Nacional de Saúde tem que ser pago por alguns, não pelos pobres, as pessoas compreendem. O que não se pode é andar permanentemente a oferecer saúde grátis, escolas grátis, é tudo grátis, você só tem direitos, não tem responsabilidades. Temos de alterar profundamente a nossa forma de pensar e devemos manifestar o nosso desacordo, dentro da lei. (...)

Que tipo de país queremos, um país assente na iniciativa privada ou no Estado? Se é assente na iniciativa privada, vamos começar por alterar a Constituição, dizendo que a iniciativa privada é bem recebida. Quando fui para a Polónia, reuni-me com os advogados e pedi-lhes a Constituição polaca, a política fiscal e a Justiça. (...)
Se o País quer a iniciativa privada, então vamos adaptar as nossas regras e controlar essa iniciativa privada por reguladores, mas não nomeados por partidos políticos. Temos de encontrar um sistema em que seja gente competente, imparcial e conhecedora que vai desempenhar essas funções. Depois vamos vender o nosso País aos investidores estrangeiros. Adaptação das leis laborais: você tem direito ao trabalho, não tem direito ao emprego.
(...)
[No que respeita aos projectos de investimento], a lei tem de ser muito clara: quer construir um hotel, sabe quais são as condições. Se não construir de acordo com a lei vai ser preso e o hotel vai abaixo. Responsabilizar as pessoas. Por que é que, em Portugal, há corrupção? A máquina burocrática é tal, que você tem de passar a vida a untar as pessoas ao longo do caminho. (...)
É uma pena que, para trabalhar, tenha de deixar o meu País, quando o meu País tem condições para ser um país a sério. Andamos simplesmente a brincar. A maior parte destes senhores que têm estado no governo deviam pedir desculpa, para não dizer mais, foi um crime o que eles fizeram.
[As pessoas que decidiram contratos lesivos, nomeadamente nas grandes obras públicas prejudiciais] deviam responder em tribunal. Uns não falam porque não podem, outros não falam porque têm interesses, vivemos numa sociedade de medo. (...)
Quem tem que mostrar o caminho é o senhor Presidente da República que, neste momento, tem uma obrigação muito especial: forçar ao entendimento entre os partidos políticos para que apresentem à Nação um programa de recuperação e não dizermos que é uma fatalidade vir o FMI. Tem que chamar os três ou os quatro partidos a Belém, todos juntos, e dizer-lhes: meus caros amigos, têm que se entender e têm x dias para me apresentarem o vosso plano, antes das eleições. E se não apresentarem, deve informar o País e fazer um governo de iniciativa presidencial. (...) Deve forçar os partidos a garantirem que, qualquer que seja o resultado das eleições, há um plano acordado e devem cumpri-lo. E quando os resultados das eleições vierem, o mais votado será o primeiro-ministro.
"



07-04-2011


É o discurso de um Homem que criou uma carreira internacional sem protecção política, uma carreira internacional baseada no mérito.
É um Homem que se sentiu obrigado a regressar ao país para assumir a responsabilidade de gerir uma empresa familiar que ficou sem timoneiro.
É um Homem que construiu o segundo maior grupo nacional de distribuição alimentar e lhe deu uma dimensão internacional.
É um Homem que soube criar postos de trabalho para muitas famílias portuguesas.
Saibamos ouvir e reflectir sobre as ideias que transmite nesta entrevista ao Negócios da Semana, um programa da SIC. Ou preferimos continuar a ser o país mais pobre da Europa ocidental e a calcorrear o mundo a mendigar empréstimos?

O maior problema do país é o tipo de pessoas que consegue fazer carreira política em Portugal: incompetentes, irresponsáveis, demagogos e aldrabões.
Precisamos de varrer estas gentes, que atulham os partidos políticos e vivem à sombra do Orçamento do Estado, na administração central ou local e nas empresas públicas nacionais ou municipais, porque conduziram o país à insolvência.
Se os 3,5 milhões de abstencionistas das últimas eleições legislativas anularem o boletim de voto escrevendo "Queremos governantes competentes", o Presidente da República não terá outra alternativa, senão empossar um governo de iniciativa presidencial formado por estadistas.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Taxa de juro da dívida a cinco anos atinge 8%


A yield da dívida pública portuguesa a cinco anos sobe 22 pontos base para 8%, superando a de emissões com maturidades mais longas. Um sinal de que os investidores descrêem da solvabilidade das contas públicas no curto prazo e esperam que o País vá recorrer à ajuda externa para se financiar.

A taxa de juro das obrigações a dez anos sobe 10 pontos base para 7,6% e na maturidade a dois anos a taxa sobe 15 pontos base para 6,52%.

A taxa de 8%, a mais elevada desde que Portugal aderiu ao euro, é atingida no dia da cimeira de líderes europeus em que se espera que seja alcançado um compromisso sobre alterações ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. A decisão deverá ser anunciada no fim-de-semana de 24 e 25 de Março.
"Vamos esperar que esta reunião decorra", disse o ministro Teixeira dos Santos depois de anunciar medidas adicionais de corte orçamental equivalentes a 0,8 por cento do produto interno bruto em 2011 e 2,5 por cento no próximo ano. "Espero que os líderes europeus compreendam a gravidade da situação que estamos a enfrentar."

Em Espanha, pelo contrário, a tendência dos juros é de queda. Na maturidade de dez anos o governo espanhol vê o custo do seu financiamento descer 8 pontos base para 5,42% e a taxa a cinco anos recua 10 pontos para 4,44%.


myke 11 Março 2011 - 18:29
Pouca vergonha
Os meus bisnetos ainda vão ficar com dívidas feitas por esta escumalha.


1ab 11 Março 2011 - 18:46
Bisnetos?
Caro myke,
A última tranche da dívida deixada pela bancarrota de 1892, foi paga em 2001. Não sei se sabia mas é a verdade que muitos portugueses não sabem. Portanto só os bisnetos não chegam para pagar mais esta, vai muito para lá dessa geração!


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Há dívida para além do défice"


"25 Janeiro 2011, 11:29 por Paulo Pinho

Num período histórico, não muito distante, em que um Governo colocou o problema do défice no topo da agenda política, se bem que pouco tenha feito para atacar as suas causas profundas, ficou famosa uma frase proferida em plena Assembleia da República pelo Presidente da República de então, segundo a qual existiria "vida para além do défice".

Ninguém poderá discordar de frase tão profunda. Mas valerá a pena recordar que, na altura, o défice excedia o limite de 3% com o qual nos comprometemos no Tratado de Maastricht, enquanto a dívida pública já excedia, embora por pouco, o limite de 60%. Sucede que, hoje em dia, oito anos depois, o valor oficial rondará os 90%. Como terá sido possível?

Será o défice público realmente tão importante ao ponto de se tornar em tema, hoje, tão obsessivo? Em minha modesta opinião, não. Aliás, julgo, que pelo andar do "sentimento dos mercados", em breve se tornará irrelevante, por muito que o Governo português se embrenhe em "adiantar" números que ainda não pode conhecer e se desmultiplique em explicações de cálculos "com e sem submarinos" ou lance cortinas de fumo sobre a óptica da contabilidade pública versus a da contabilidade nacional.

Em condições típicas, o défice mede o aumento do endividamento. Por outras palavras, se o défice medir a diferença entre a despesa e a receita, mede, também, a necessidade de endividamento. Contudo, a criatividade contabilística combinada com práticas de desorçamentação (áreas onde a Grécia se destacou pela negativa), fazem com que a relação entre o valor do défice oficial e o aumento do endividamento sejam cada vez mais difusas. Sendo que o segundo tende a ser cada vez maior do que o primeiro. Por isso, o crescimento da dívida pública total, oficial e das entidades e fundos que não consolidam com o Estado, tem crescido de forma muito significativa sem que os "défices" que o originaram não constem do "défice" para o qual todos olham. Ou olhavam. Honra seja feita ao Tribunal de Contas que muitas vezes tem alertado para a situação. Mas, como os nossos credores (ou "especuladores" no jargão de alguns políticos) andavam distraídos, a coisa passava. E Bruxelas, alinhava.

Costuma dizer-se que se pode enganar alguma gente durante algum tempo; mas que não se pode enganar muita gente durante muito tempo. Ora, quem ler atentamente o que as agências financeiras, de "rating" e imprensa internacional agora dizem sobre a situação actual das nossas finanças públicas verifica que o tom da análise se encontra a desenfocar do número do déficit. A questão da integração do Fundo de Pensões da PT é frequentemente mencionada. Mas, mais importante, é crescente o número dos que comparam o crescimento da dívida em 2010 com o deficit anunciado pelo Governo. E percebem que a bota não bate com a perdigota. Há mais crescimento da dívida do que défice, em 2010, tal como em 2009 e em 2008. E percebem que assim será em 2011. Vêem o défice a diminuir, mas a despesa corrente a subir, sendo óbvio, que o esforço fiscal exigido ao sector privado para compensar este crescimento da despesa trava o crescimento da economia, o que por sua vez compromete a recuperação das receitas públicas. E esse crescimento económico é indispensável para um saudável reequilíbrio das contas públicas. Olham também para as taxas de juro das novas emissões, multiplicam por toda a dívida futura a emitir e percebem que não as conseguiremos pagar.

Neste jogo de expectativas entre o emitente Estado e seus potenciais credores, o primeiro coloca todos os esforços sobre o número oficial do défice. Mas é tarde. Porque os segundos já olham para o crescimento da dívida e correspondente taxa de juro marginal enquanto se interrogam quanto ao crescimento da dívida não-oficial. E percebem que aquele só poderá ser travado por uma travagem da despesa pública e resolução dos défices que se encontram fora do perímetro de consolidação das contas públicas. Por isso, esses são os tópicos enfatizados nas análises que "os mercados" fazem da nossa situação, alguns dos quais recentemente publicados por casas de "research". Hoje, os mercados vêem a dívida que está para além do défice oficial. E sem sinais claros de como o crescimento desta será travado e revertido, o que obriga a um esforço claro de contenção da despesa corrente, Portugal não regressará em condições aceitáveis aos mercados internacionais, condenando-se a si próprio a uma inevitável intervenção externa, porventura mais preocupada com o saneamento financeiro imediato do que com o relançamento da economia a longo-prazo.


Professor da Universidade Nova de Lisboa"


*


Pior que o défice orçamental é o défice escondido com o rabo de fora na dívida.
Este artigo não me causa surpresa porque, há algum tempo, verifiquei que os senhores deputados aprovaram a despesa orçamental de 191 milhões de euros para 2010, ou seja, quase o dobro dos 100 milhões estabelecidos no Orçamento de Estado para esse ano. E não é, com certeza, caso único.
Por isso duvidei que a execução orçamental deste ano seja rigorosa e até pedi a vinda do FMI.

A opinião dos outros:

lmgg4690 25 Janeiro 2011 - 17:29
Dívida pública tem de ser "atacada" rapidamente
Como o artigo diz, e muito bem, têm de ser atacados todos os "mini-défices" e "mini-dívidas" que existem nas inúmeras empresas e organizações sob a alçada do Estado e do dinheiro dos contribuintes.
Todos os gestores públicos têm de ter consciência da urgência da situação. Devem conter custos e eliminar todos os gastos não justificáveis.
Enquanto cidadãos, temos de perceber, de uma vez por todas, que ao alimentarmos a economia paralela estamos a diminiuir os nossos próprios salários ou a aumentar os impostos futuros.
E a classe política deve ser responsabilizada. Os políticos devem ter qualidade e ser melhor que a média dos cidadãos.

surpreso 25 Janeiro 2011 - 11:45
Este é o incontornável caminho da falência.


"O chinês que há em nós (ou ir para fora cá dentro)"


Obrigatório ler:

"O chinês que há em nós (ou ir para fora cá dentro)"

25 Janeiro 2011, 11:33 por Rui Alpalhão

"A República Portuguesa entrou na Novo Ano com as Finanças em mau estado.

A aprovação do Orçamento para 2011 (o 37º deficitário consecutivo, uma série que só empalidece perto da das vitórias do Futebol Clube do Porto de Villas-Boas) foi difícil e pareceu comprometida até perto da hora da votação. Na passagem do ano, a Dívida Pública representava mais de 90% do PIB, qualquer coisa na casa dos 150 mil milhões de euros. Sem grande surpresa, os potenciais tomadores da dívida portuguesa foram manifestando vontade continuada de se manterem tomadores — a boa notícia — mas desde que dotados de uma recompensa acrescida para a possibilidade de incumprimento — a má notícia. Ao contrário do que muitos parecem pensar, os "mercados" não conspiram contra Portugal, até porque boa parte dos que neles dão ordens não sabem sequer onde fica. Sabem os números: o "stock" de dívida, o PIB, a trajectória orçamental, e decidem em conformidade. Há, nos "mercados", outras oportunidades melhores; países com orçamentos mais equilibrados, dívidas públicas menores relativamente aos respectivos produtos. Os "mercados" emprestam mais barato a estes. Tal e qual como outros "mercados" oferecem mais pelo Cristiano Ronaldo do que pelo Franck Ribery (aqui a "conspiração" é a nosso favor). O CR7 marca mais golos, faz mais assistências, vale mais. A dívida portuguesa, por razões análogas, vale menos.

A perda de valor da dívida portuguesa é um problema sério. Com orçamentos deficitários como os nossos, a dívida continuará a subir a menos que a República tome a decisão de vender activos. Como as últimas emissões nacionais de dívida pública consolidada — isto é, que nunca é amortizada — foram feitas durante a Segunda Guerra, em 2011 a República terá de ir aos "mercados" levantar dinheiro para reembolsar emissões que atingem a maturidade com emissões novas. Pode ser que o consiga, mas a um preço bem superior ao que pagou pelas emissões que reembolsará.

Pode, também, acontecer que os "mercados" pura e simplesmente não tomem dívida portuguesa a nenhum preço razoável. Retomando a analogia com o mercado de futebolistas, este seria o momento do fim da carreira do craque, chegado a um ponto em que nenhum clube "razoável" lhe propõe contrato. Segue-se uma carreira de treinador, dirigente, comentador ou algo mais imaginativo. A República, no entanto, não pode pendurar as botas: tem de continuar a jogar para pagar as contas. Ciente disso, o Governo tem reivindicado perseverança e mostrado aversão séria a financiamentos fora dos "mercados", junto de mecanismos internacionais que Portugal integra, aos quais já recorreu no passado e cuja razão de ser é precisamente proporcionar alternativas aos emitentes soberanos que os "mercados" rejeitam. Pelo contrário, tem mostrado grande apetência pela busca de mercados alternativos, e mais remotos: China, Brasil, Líbia, até mesmo o pequeno Timor Leste. Algo como o craque da bola que, não conseguindo já um contrato na Europa, segue para o Médio Oriente para fazer uma ou duas bem remuneradas épocas. Porém, não há bela sem senão: o craque em decadência terá de se confrontar, jogo após jogo, com o seu passado, e a comparação será penosa. Por isso, muitos campeões poupam-se a estes dourados exílios. Também para a República a colocação da nossa dívida em "mercados" exóticos não será isenta de escolhos, pois no Oriente os almoços também não são grátis.

A alternativa que resta é um pouco mais de imaginação. O tomador mais natural da dívida pública portuguesa no seu estado actual não é o "mercado", que tem muitas alternativas melhores, nem os exóticos "mercados" alternativos que tão afanosamente temos visitado, mas o nativo deste jardim à beira-mar plantado. O nativo já provou no passado que toma dívida pública consolidada, e que recebe subsídios de Natal em certificados de aforro não imediatamente mobilizáveis. Fá-lo com a suavidade de quem não reage a Planos de Estabilidade e Crescimento à pedrada, como em algumas tragédias gregas.

Uma alternativa que o nativo ainda não provou e que, salvo melhor opinião, valeria a pena considerar, é a tomada de obrigações indexadas ao crescimento do seu jardim, o que os "mercados" - e o Fundo Monetário Internacional - designam GIB (o acrónimo inglês de "growth-indexed bonds"). Esta dívida pública distingue-se da tradicional por ser indexada ao crescimento do seu emitente. Sem prejuízo de sofisticações, o seu cupão é variável, com uma base fixa não muito alta à qual é acrescido, em cada ano, um "spread" dado pela diferença entre a taxa de crescimento do PIB desse ano e a média, digamos, das taxas de crescimento dos últimos vinte anos. Assim, se o PIB cresce mais, os tomadores recebem mais, se cresce menos, ou decresce, recebem menos. Convém definir uma remuneração mínima de zero, não vá o ano correr mal. Quer-me parecer que há por aí gente para tomar títulos destes sem ficar com os olhos em bico.

Professor Auxiliar, IBS"


*


O papão dos "mercados" explicado às crianças e contado ao povo
Aqui está um texto para trabalhar nas melhores turmas B3 durante as aulas de Cidadania e Empregabilidade do Curso Novas Oportunidades. Com rigor científico e adequação pedagógica, mais estimulante que certas idiotices sugeridas pelos "pedagogos" do ministério da Educação.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A pedincha continua...



... e as mentiras também. O país caiu nas mãos de um mentiroso compulsivo:


16 Jan


O primeiro-ministro José Sócrates garante que a possibilidade de venda da dívida portuguesa ao Qatar, que tem um dos maiores fundos soberanos do mundo, não foi discutida:
"Não discutimos [a dívida], discutimos as oportunidades de investimento do Qatar em Portugal e a presença das empresas portuguesas [neste país]."


Carlos Morais. 16.01.2011 12:49 Via Facebook
O costume
Na linha tradicional do contrário do que afirma, no embuste e mentira que são uma característica da sua personalidade, eu não acredito. Por isso, para mim, Sócrates falou (pediu) mesmo no Qatar para a compra da dívida portuguesa. E assim vai continuar.
Não tem este governo uma linha definidora para resolver os problemas nem para lutar no sentido de sair da crise aguda em que nos encontramos. Agora a política, em termos actuantes, é pedir, pedir dinheiro em todo o lado. Ainda resta a Sócrates uma pequena chance: o prestígio que o nosso país possui, por esse mundo fora, mercê do seu passado e da sua história. Já não é como antes, mas ainda somos prestigiados e reconhecidos. Não graças a Sócrates, nem aos políticos de agora e de passado recente.
Sobre o artigo, para mim é o contrário do que ele afirma. É o seu género. É o costume!


18 Jan


O primeiro-ministro José Sócrates confirmou que Teixeira dos Santos teve hoje de manhã reuniões com os responsáveis do principal fundo soberano do Abu Dhabi.


Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011 15:10
Comprar dívida!
Mário Soares andava pelo estrangeiro de mão estendida na procura de financiadores. Agora o discurso é dizer-se que a China, Timor, Angola, etc. compram dívida portuguesa. Quantos portugueses compreendem esta linguagem?
O Estrangeiro interessa-se por Portugal por isso compra. Eles compram mas Portugal, vendedor, é nessa condição quem paga. O estrangeiro subscreve obrigações do tesouro que têm um vencimento e nessa data o tesouro português reembolsa, devolve os fundos e paga os juros a taxas na ordem dos 7%.
Por que não se promove o ajuste da taxa de juro dos Certificados de Aforro para valor apelativo para os aforradores portugueses? Estes compram e os juros ficam nas mãos de portugueses. Evita-se a saída de capitais.
Os bancos, há pois é! Transferência de poupanças da banca para o Tesouro Português. Lá vinha a falta de liquidez e crise na banca. Gerir o dinheiro e os interesses à sua volta não é coisa fácil. Boa tarde.
  • Observador, ao largo da RATARIA. 18.01.2011
    RE: Comprar dívida!
    Essa é fácil, eu respondo-te: não sobem os juros dos Certificados porque os sucateiros dos bancos faliam logo a seguir.
    De facto é triste que se ande a vender o País quando, por exemplo, em Itália (com grande dívida, mas "em casa") a maior parte da dívida contraída é dívida doméstica, que fica no próprio país; o mesmo no Japão, etc.
    Por cá os vigaristas do partido sucateiro preferem, quais traidores de Argel, pagar 7% aos estrangeiros do que 1% aos portugueses! É o espelho do que trafulhas conseguem fazer.
    • Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011
      RE: RE: Comprar dívida!
      Faz a mesma leitura por outras palavras.
      Aos compradores estrangeiros dá um jeitão a crise portuguesa a 7%. Onde encontram melhor remuneração para suas economias? Portanto os portugueses que se cuidem porque amigos assim são amigos da onça — Sócrates e Teixeira dos Santos não sabem! Ainda se os fundos fossem para aplicar em meios de produção/investimento.
      O barco está à deriva.
      Empréstimos novos para pagar empréstimos a vencer/resgatar. Não valorizar as taxas dos C.A. é não querer fazer concorrência à banca. Não tem mal, quando for preciso fazem-se mais uns cortes, por exemplo nos abonos de família, as crianças inocentes nem dão por isso.
      Cavaco andou 5 (cinco) anos a poupar energias e a acumular experiência e conhecimento. Quando, e se, for reeleito, vai finalmente tomar conta dos desígnios deste tão mal tratado povo. Alguém acredita? Más recordações desde os tempos da sua governação absoluta. Nunca mais.
      Posso estar enganado. Alguém diga de sua justiça. Boa tarde.

Anónimo, Maia, Portugal. 18.01.2011 15:34
Abu Dhabi
Espero que o "vendedor" e a cambada tenham vendido algo... Pois uma noite no Emirates Palace Hotel custa entre 700 e 10.000 Euros.

Ilmério António, Aveiro. 18.01.2011 16:51
Chega!
Não é bota-abaixismo. É realismo: este homem não pode continuar a vender Portugal a retalho e não dar cavaco (salvo seja) ao Povo. Exijamos responsabilidades e tomada de posição à Oposição e ao PR!


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"This little piggy went to the market"


"Temos mesmo de passar por isto?"

14 Janeiro 2011, 11:00 por Camilo Lourenço

"Na quarta-feira, depois do leilão de Obrigações Tesouro, procurei saber o que a Imprensa internacional pensava da operação.

A menos que não fosse para perceber se o pessimismo com que interpretei o leilão, não era mau feitio... (obrigado Paul Krugman!). Ao "folhear" a prestigiadíssima "The Economist", dei com o título "This little piggy went to the market". A brincadeira pretendeu associar Portugal a "porquinho", usando o título de uma canção para crianças e o acrónimo "PIGS", encontrado pelos anglo-saxões para qualificar os países afectados pela crise de dívida soberana: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain).

Vale a pena ligarmos ao insulto (é de insulto que se trata)? Não. Venha ele de onde vier. Porque, como nos ensinam em miúdos, o insulto só desqualifica o autor.
Mas vale a pena perguntar se não podemos fazer nada para evitar aparecer, ciclicamente, nas bocas do mundo… pelas piores razões. Um antigo colega de faculdade, jornalista do "The Wall Street Journal", dizia-me há semanas que nunca pensou ouvir falar tanto de Portugal... pelas más razões. Uma alusão à performance do País nos primeiros dez anos pós-integração europeia, que levava a pensar que embalaríamos para uma segunda década de prosperidade (1995-2010).

É nisto que devemos meditar. Não há em Portugal talentos que ajudem a traçar um rumo que poupe o País às humilhações das últimas décadas? Há. As empresas de sucesso que temos confirmam-no. O problema é que há uma divergência galopante entre a qualidade da gestão empresarial e... a gestão política. Time for a generation change?"


*




Para os políticos, primeiro a carreira, depois o país

O título é insultuoso mas o conteúdo da notícia publicada no The Economist é, infelizmente, verdadeiro e o gráfico anexado mostra a colagem das taxas de juro das obrigações do tesouro a 10 anos às taxas da Irlanda, entre Abril e Outubro de 2010.

Grudado ao cargo de primeiro-ministro, José Sócrates deixou a execução orçamental derrapar em 2009 e mentiu sobre o valor do défice orçamental — 5,9% quando, na verdade, atingia 9,4% do PIB.
No início de 2010 absteve-se de tomar as medidas que se impunham, deixando arrastar a situação até ao último trimestre de 2010. E o presidente da República alinhou.

Nos próximos anos os portugueses vão pagar as altas taxas de juro a que estamos a financiar a dívida pública, as quais, aliadas ao desinvestimento na economia, vão mergulhar o país numa recessão. Além de passarmos pela vergonha de ver os nossos governantes a mendigar que nos comprem dívida:



Bill Gross:
We do not blame Prime Minister Socrates for touting his market. That’s the name of the game in these days, not just in Portugal, but in other countries. They’re not like Greece, in other words. And yes, I guess we can give it to him in terms of 80% foreign participation and yes, we can give it to him in terms of a well-bid auction, but basically these auctions are prearranged sales. They are not really auctions.
They are bought by domestic banks within euro land and then they’re rediscounted to the central bank. So it is internal buying. There are claims of Japan and China and so on, but they’re really looking for the private institutions like PIMCO and other insurance companies to buy, and we just have not done that yet.



A opinião dos outros:

xibantinha 14 Janeiro 2011
Necessitamos dos Ronaldos todos
Completamente de acordo, chamar para a política os bons técnicos, e pagar-lhes devidamente, fica sempre mais barato do que pagar pouco a maus técnicos, evidentemente. Com as devidas diferenças, perguntem a Florentino Perez se Ronaldo não acaba, apesar de caro, por ficar barato. Pois é!

femur 14 Janeiro 2011
Nós por cá ...
... para pagar a dívida ao juro leiloado precisávamos de crescer 5% por ano. Para o ano vamos ter recessão, vamos lá a ver como estes políticos se safam. Isto é, não se safam. Mobilizar o país em torno do FMI é má política porque nós é que precisamos, não eles. E esperem pelas contas das PPP daqui a dois anos e depois é que elas mordem. Nós é que nos colocámos a jeito. Estes criminosos vão safar-se como sempre e até irão para lugares de destaque. A culpa é da democracia à portuguesa.

bcarlos 14 Janeiro 2011 - 14:32
Caro Camilo, ouviu o que Bill Gross disse sobre o leilão de dívida?
Como sabe, Bill Gross da Pimco é o gestor de uma dos maiores e melhores fundos de obrigações do mundo. Esta semana, após o leilão, ele disse: foi tudo combinado para ser um êxito. Os bancos europeus compraram as obrigações e em seguida entregaram-nas como colateral no BCE para obtenção de financiamento.

jalminha 14 Janeiro 2011 - 14:45
Estou pasmado...
Caro Sr. Xibantinha,
Vou recordar-lhe a frase que citou: "Completamente de acordo, chamar para a política os bons técnicos e pagar-lhes devidamente, fica sempre mais barato do que pagar pouco a maus técnicos, evidentemente".
Deve com certeza pertencer à classe dos gestores públicos que já são pagos a peso de ouro e ainda querem mais! Só assim entendo esta sua afirmação. Pagar mais aos gestores públicos? Mais reformas cumulativas desses energúmenos? Mais ajudas de custos para os city boys?
Mais despesa pública concentrada em três dúzias de imbecis? Tenha bom senso e vá ao âmago da questão sem tapar o sol com peneiras.

CarlosCostaTeixeira 14 Janeiro 2011 - 14:55
Guerra é guerra
Lamento que os respeitáveis economistas deste burgo ainda não tenham percebido o que se passa. É um facto que Portugal está endividado até à medula, mas faço uma pergunta: estão os USA melhor? Não, mas têm uma vantagem, podem pôr as rotativas a trabalhar na impressão de dólares.
O problema é que com o Euro este modelo, tão usado no passado, já não resulta e então pode-se pressionar os Países mais fracos da zona Euro para dar cabo desta moeda. Ou têm dúvida que depois de Portugal se seguirão a Espanha, Bélgica e Itália?
O que lhes doeu desta vez foi o acordo com os chineses que são os principais competidores para a liderança económica mundial num futuro próximo. E eu estou-me nas tintas para quem me compra dívida e me dê trabalho, sejam chineses ou dinamarqueses.

abc1945 14 Janeiro 2011 - 15:23
Gestores/Patrões
O problema se calhar não está nos gestores mas está, de certeza absoluta, num número muito elevado de patrões que se habituaram a não pagar as suas contribuições ao Estado. Se todos os anos se tem conseguido recuperar milhões e milhões atrasados, é porque não tinha sido pago na altura devida.
Gostava que o Sr., como jornalista, fizesse um trabalho sobre este assunto, porque provavelmente chegaria à conclusão de que estamos na situação em que estamos por causa destas dívidas vergonhosas. Num país civilizado os patrões com dívidas são olhados de lado, cá são vistos como chicos-espertos e invejados pela imensa maioria de analfabetos ou semi-analfabetos.

xibantinha 14 Janeiro 2011 - 16:20
Caro Sr. Jalminha,
Sem querer desiludi-lo, devo dizer-lhe que não pertenço à turma do Rui P.S, olhe mas nem por sombras.
Dito isto, vou-lhe lembrar respeitosamente, claro, o seguinte: Havia um director-geral dos Impostos que ganhava 23.000€ por prestar os seus préstimos ao País. Caiu o Carmo e a Trindade que não podia ganhar mais que o primeiro-ministro, não sei quê, não sei que mais... Dizem também que saiu do BCP onde ganhava isso.
Não tenha dúvidas, meu caro, quem é o bom técnico que quer andar de cavalo para burro? Ninguém. E mais, sem ter a exposição mediática que se tem na política, ou seja, sem ter que responder a jornalistas e dar satisfações frequentemente na Assembleia. É evidente que, se quer chamar para a causa pública bons técnicos, tem que se lhes pagar devidamente, pelo menos, ao nível do que se ganha nas empresas honestas, doutra forma estamos condenados a levar com o refugo.
Cumprimentos