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terça-feira, 10 de julho de 2012

"Predadores e Professores"


"09 Julho 2012 | 23:30
Simon Johnson


Será que as grandes universidades da América ainda são as fiéis guardiãs do conhecimento, as forças que lideram o caminho para o progresso tecnológico e as entidades que abrem espaço para as oportunidades, tal como já foram um dia? Ou será que se tornaram, em parte, cúmplices sem escrúpulos das elites económicas cada vez mais gananciosas?

No final do documentário “Inside Job”, do vencedor do Óscar da Academia Charles Ferguson, são entrevistados diversos economistas de topo em relação ao seu papel enquanto elementos pagos de propaganda da política que incentiva o risco excessivo e práticas agressivas do sector financeiro que conduziram à crise de 2008. Alguns destes proeminentes académicos receberam somas significativas de dinheiro para promoverem os interesses de grandes bancos e de outras empresas do sector financeiro. Tal como Ferguson documenta no seu filme e no muito relevador livro “Predator Nation”, muitos desses pagamentos ainda não são conhecidos, mesmo nos dias de hoje.

A predação é um termo totalmente apropriado para estas actividades dos bancos. Como a sua falência iria traumatizar o resto da economia, recebem protecções únicas — por exemplo, linhas de crédito especiais vindas dos bancos centrais e estão também sob regulações mais brandas (medidas que têm sido antecipadas ou anunciadas nos últimos dias nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Suíça).

Como resultado disso, aqueles que estão à frente dos bancos são incentivados a assumirem investimentos arriscados, que incluem actividades parecem simples apostas. Os banqueiros aproveitam os momentos enquanto as coisas estão a correr bem, ao passo que os riscos que se verificam quando as coisas correm mal são já, em grande medida, problemas de outras pessoas. Este é um esquema de subsídios conduzido pelo governo, sem transparência e perigoso, em último caso envolvendo uma transferência muito considerável de fundos dos contribuintes para um pequeno conjunto de pessoas do topo no sector financeiro.

Para proteger a contínua existência do esquema, os megabancos globais contribuem com enormes quantidades de dinheiro dirigidas aos políticos. Por exemplo, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, testemunhou recentemente à comissão do Senado norte-americano com o tema da banca sobre a aparente falha na gestão de risco que causou uma perda estimada de 7 mil milhões de dólares à empresa. O openSecrets.com estima que o JPMorgan Chase, a maior “holding” bancária dos EUA, gastou cerca de 8 mil milhões de dólares em contribuições políticas em 2011 e estima ainda que Dimon e a empresa doaram dinheiro à maioria dos senadores daquela comissão. Sem surpresas, as perguntas dos senadores foram esmagadoramente brandas e a estratégia geral de pressão parece ter tido frutos; as “investigações” a uma má gestão que coloca o sistema em perigo deverão acabar sem resultados.

Para apoiar a sua estratégia política, os megabancos globais também executam uma operação de propaganda/desinformação altamente sofisticada, com o objectivo de criar, pelo menos, uma aparência de responsabilidade pelos subsídios que recebem. É aqui que entram as universidades.

Numa recente mesa redonda da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) [reguladora norte-americana], o representante do sector bancário que estava ao meu lado citou um estudo de um proeminente professor de Finanças da Universidade de Stanford para apoiar a sua posição contra uma regulação específica. O banqueiro esqueceu-se de mencionar que o professor tinha recebido 50 mil dólares pelo estudo por parte da Securities Industry and Financial Markets Association, SIFMA, um grupo de pressão. (O professor, Darrell Duffie, divulgou a dimensão do pagamento e doou-o à caridade).

Porque é que devemos levar este trabalho a sério — ou mais a sério do que outros trabalhos de consultoria pagos, por exemplo, por uma sociedade de advogados ou por qualquer outra entidade que trabalha para a indústria?

A resposta será, presumivelmente, a de que a Universidade de Stanford tem muito prestígio. Como instituição, fez grandes coisas. E o corpo docente é um dos melhores do mundo. Quando um professor escreve um estudo ao cuidado do grupo de uma indústria, essa indústria beneficia — e, de certa forma, faz um aluguer — do nome e da reputação da universidade. Naturalmente, o banqueiro presente na mesa redonda da CFTC sublinhou “Stanford” quando citou o estudo (Não estou a criticar esta universidade em particular; na realidade, outros professores de Stanford, incluindo Anat Admati, estão na liderança de quem tenta lutar por reformas sensatas).

Ferguson acredita que esta forma de “consultoria” académica está, de modo geral, fora de controlo. Eu concordo, mas controlá-la vai ser difícil enquanto as universidades e os bancos “grandes demais para falir” continuarem tão interconectados.

Neste contexto, fiquei desapontado, nos últimos tempos, quando li uma entrevista de Lee Bollinger, presidente da Universidade de Columbia, no “The Wall Street Journal”. Bollinger é um director “class C” da Reserva Federal de Nova Iorque — nomeado pelo conselho de governadores do Sistema Federal para representar o interesse público.

Naquela que parece ter sido a sua primeira entrevista, ou declaração pública, sobre as questões da reforma da banca (e até das Finanças), o principal ponto de Bollinger foi o de que Dimon deveria continuar no conselho da Fed de Nova Iorque. Bollinger usou surpreendentes palavras nada académicas — declarando que os “idiotas” que sugerem que Dimon deve demitir-se ou ser substituído têm um “falso entendimento” de como é que o sistema verdadeiramente funciona.

Lancei uma petição ao conselho de governadores para retirarem Dimon daquele cargo. Perto de 37 mil pessoas já assinaram a petição online na change.org e estou optimista perante a possibilidade de ter, em breve, um encontro com membros de nível superior do conselho, sedeado em Washington DC, para discutir o assunto.

A intervenção de Bollinger pode ser positiva para Dimon; no final de contas, a Universidade de Columbia é uma das mais bem vistas universidades do mundo. Por outro lado, a sua intervenção também poderá ser produtiva porque permite avançar para o debate público sobre como os banqueiros “grandes demais para falir” mantêm os subsídios implícitos que recebem.

Escrevi aqui uma detalhada resposta à posição de Bollinger. Espero que Bollinger, no espírito de diálogo aberto da academia, me responda em público — ou por escrito ou ao acordar discutir, pessoalmente, o tema comigo. Precisamos de conversações ao mais alto nível sobre como reformar as relações pouco saudáveis entre as universidades e as instituições financeiras globais subsidiadas, tais como o JPMorgan Chase.


Simon Johnson, que foi economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), é co-fundador de um blog de relevo na área da economia, http://BaselineScenario.com, é professor na MIT Sloan e membro do Peterson Institute for International Economics. É co-autor, com James Kwak, de White House Burning: The Founding Fathers, Our National Debt, and Why it Matters to You.


Copyright: Project Syndicate, 2012.
www.project-syndicate.org"


sábado, 5 de maio de 2012

"Banca de neve"


"Pedro Santos Guerreiro - psg@negocios.pt


Como convencer alguém a passar um cheque de 3,5 mil milhões ao BCP, BPI e Banif e não intervir em nada do que lá se passa? É quase impossível, não é? Pois é. Mas comece a pensar nisso: o cheque é seu.

A entrevista de hoje ao Negócios do novo presidente executivo do Banif abre as candidaturas: o banco agora gerido por Jorge Tomé e Luís Amado precisa de se capitalizar em 300 milhões de euros, dos quais 200 milhões deverão vir do Estado. Depois virá o BPI (que precisa de mais de mil milhões) e o BCP (perto de dois mil milhões). Já o BES concluiu o seu aumento de capital nos mercados: não precisou de dinheiro do Estado.

Tudo isto será público depois da aprovação da portaria que regulará o apoio financeiro do Estado, o que pode acontecer nos próximos dias. Depois, os bancos recorrerão à linha da "troika" específica para o efeito. A linha é da "troika" mas a dívida é pública. E dívida pública de hoje é impostos amanhã. Por isso a pergunta a fazer é: o que nos vão fazer ao dinheiro?

O dinheiro do Estado vai ser usado de duas formas, a maior parte através de "capital contingente" (cocos), a outra através de entrada directa do Estado no capital dos bancos. No primeiro caso é empréstimo, no segundo é acções. Os "cocos" terão uma elevada remuneração, de 8%, mais do dobro que o Estado paga à "troika" por esse capital. É, portanto, um bom negócio para o Estado... se ao fim de cinco anos houver capacidade de os bancos devolverem o dinheiro. Não é fácil, a não ser que os rácios de capital voltem a reduzir-se. Caso contrário, os "cocos" são convertidos em capital — e o Estado torna-se accionista.

Acontece que o Governo e o Banco de Portugal parecem não querer apenas "emprestar" através de "cocos". Querem entrar directamente no capital. Porque querem poder nos bancos. Coisa que os seus accionistas privados não querem. Vem aí a polémica.

Aceitemos que a polémica não é falsa, cada parte tem boas razões. A portaria dirá que o Estado apenas poderá condicionar o pagamento de dividendos e forçar o corte de 50% dos salários dos administradores. Na prática, o Estado quer mandar mais. Quer pelo menos controlar a estrutura accionista do banco. Sobretudo no caso do BCP. Por isso poderá tomar 20 a 25% do capital do banco. Para que não restem dúvidas de que também manda.

A questão é muito mais complicada do que parece. A nossa experiência recente de administradores bancários nomeados pelo Estado é aterradora. Nomeadamente na Caixa e no BCP. E de um poder político que ainda há dias quis nomear para o Tribunal Constitucional quem quis, teme-se o pior. Teme-se o crédito na mãos de servos políticos. É de arrepiar. A concessão de crédito, a renovação de crédito e sobretudo a renegociação de créditos problemáticos é hoje um poder total sobre a vida e a morte de muitas empresas.

Em Inglaterra, o Estado britânico confiou a gestão do gigantesco Lloyds a António Horta Osório, que há dois dias aqui dizia: "O Governo britânico tem apoiado 100% a estratégia que apresentámos para o Lloyds e a relação entre nós é excelente. E o governo respeita 100% a gestão, não se intrometendo nela". Está tudo dito.

Os políticos não resistirão ao poder, para o qual serão ainda por cima empurrados pela clamor público e político. O futuro accionista dos bancos é demasiado importante para o País para que não seja acautelado, como já aconteceu no BPI, que só pode ser transaccionado sem OPA com o apoio e mesmo as conivência das autoridades (Governo, Banco de Portugal e CMVM). Mesmo que esta operação seja o fim do BPI e o início de uma filial do La Caixa, com contrapartidas para Isabel dos Santos. Veremos o que acontece no BCP, que já tem em Nuno Amado o seu Horta Osório mas não tem ainda uma estrutura accionista clarificada.

O que tem de ser proibido é deixar que políticos mandem no crédito. Para lição, bastou-nos Armando Vara."


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tribunal decide que entrega de casa ao banco liquida empréstimo - II


O Tribunal de Portalegre decidiu, no passado mês de Janeiro, que a devolução do imóvel ao banco cobre a totalidade do empréstimo que foi contraído para a sua aquisição.

Apressou-se o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) a desvalorizar esta notícia num comentário publicado hoje no “research” diário enviado aos clientes, informando que em Espanha também dois tribunais, em Navarra e Cadiz, decidiram que a entrega da casa era suficiente para liquidar o empréstimo, mas em ambos os casos os bancos ganharam o recurso.

É verdade que, em Espanha, a polémica também começou com uma sentença inédita de um tribunal de Navarra.

Resumidamente, a história: Jose Antonio Gil, um empregado de limpeza espanhol de 47 anos, deixou de pagar o seu empréstimo ao ‪Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA)‬ e este banco procedeu à execução da hipoteca sobre o imóvel, avaliado inicialmente pelo banco em 78 mil euros. Devido à grave crise vivida no imobiliário espanhol, o imóvel foi arrematado em leilão por apenas 48 mil euros.
Exigindo o cumprimento da lei hipotecária, o BBVA activou a segunda fase da execução, reclamando ao cliente outros bens para pagar a dívida. Mas o juiz de primeira instância considerou que a responsabilidade pela perda de valor é da instituição bancária que fez a avaliação e deliberou que a devolução da propriedade ao banco era suficiente para cancelar a dívida.

Ora o Governo de Rajoy, reconhecendo a importância social do assunto, decidiu legislar sobre este tema admitindo a possibilidade da entrega do imóvel ao banco ser suficiente para saldar a dívida contraída com o crédito à habitação.
Pois aconteceu que, desde meados de Abril, quase todos os bancos espanhóis aderiram a um novo código de boas práticas baseado nesta legislação!


Tribunal decide que entrega de casa ao banco liquida empréstimo - I


O Tribunal de Portalegre decidiu, no passado mês de Janeiro, que a devolução do imóvel ao banco cobre a totalidade do empréstimo que foi contraído para a sua aquisição.

O processo diz respeito a um empréstimo contraído por um casal, em 2006, no valor de 117.500 euros. Quando não conseguiram pagá-lo, o banco adquiriu o imóvel, que tinha valor patrimonial igual ao valor do empréstimo, pelo mínimo estipulado por lei — 70% do empréstimo —, ou seja, 82.250 euros e exigiu que os clientes amortizassem a diferença.
Mas o tribunal alentejano considerou que existia "enriquecimento injustificado" nesta operação porque o empréstimo foi cedido com o objectivo único de financiar o imóvel, portanto a sua devolução extingue a dívida.
Segundo o Negócios, o juiz desembargador Rui Rangel defendeu que "a política da compra de casa, ao invés do arrendamento, tinha que ter consequências. Não faz sentido que o tribunal compre o imóvel abaixo do valor e exija o que sobra".

A dívida total dos dois clientes ascende a 129,5 mil euros devido a um segundo empréstimo contraído igualmente em 2006 e a prestações em atraso. A decisão do tribunal líquida a dívida relativa ao empréstimo de 117,5 mil euros. Os restantes 12 mil euros terão de ser pagos pelos clientes.

Desde o início deste ano foram devolvidas ao banco 25 casas por dia. Esta decisão aponta no mesmo sentido de uma proposta, apresentada em Março pelo Bloco de Esquerda, para que a entrega da casa ao banco salde a dívida. O Juiz justificou-a deste modo:
"O respeito e obediência à Lei e à Constituição hão-de sempre exigir do Juiz a consciência da actualidade dos novos desafios com que se defronta a realidade judicial, a consciência da mudança dos tempos e a consciência do papel garantístico da magistratura, como reduto intransponível."

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses divulgou esta sentença inédita que pode fazer jurisprudência:





sexta-feira, 13 de abril de 2012

João Cravinho na Sic


João Cravinho sobre o corte dos subsídios de férias e de Natal, as rendas excessivas na energia e nas PPP e o conflito de interesses criado pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos ser ao mesmo tempo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB):

"[As diversas declarações que têm sido feitas pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças] são um péssimo sinal para todos os portugueses, independentemente de sermos apoiantes, ou não, do governo. O sinal é mais grave até para aqueles que tinham alguma fé no governo e, nestas condições, são forçados a admitir que aquilo que hoje o governo diz, amanhã pode ser totalmente diferente e depois de amanhã ainda mais diferente. Portanto, quebrada a confiança, o problema é extremamente grave não há um segundo momento para refazer os cacos da confiança.
Em segundo lugar, isto é feito em condições tais que se põem gravíssimos problemas de justiça, de equidade e de respeito pelo princípio de igualdade que o próprio presidente sublinhou bem, antes de estar em curso o processo de promulgação.
Se bem percebo, o Tribunal Constitucional não admite o corte unilateral e arbitrário de salários da função pública e de pensões de reforma, exclusivamente, a título definitivo. Mas o que o Dr. Passos Coelho hoje nos diz é que não sabe, não se compromete, sabe lá quando, como, de que natureza. Qual é o limite que separa a doutrina do Tribunal Constitucional e este vaguear sucessivo do primeiro-ministro? Como o juízo é de conveniência política, e não tanto de direito, vamos ver o Tribunal Constitucional porventura ser solicitado a pronunciar-se e fazer o mesmo que o primeiro-ministro: vaguear."
(...)
"O que está completamente estabelecido, e tem sido registado pela troika nos seus exames, é que tudo o que são reformas profundas que afectam grandes interesses económicos e políticos estão em banho maria ou deslizando lentamente. O governo não vai cumprindo, é pouco ambicioso. Foi demitido um secretário de Estado pela EDP [Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia], é preciso dizer com toda a clareza.
O primeiro-ministro, o ministro das Finanças vão empurrando com a barriga essas reformas que o próprio governo considera absolutamente decisivas para repor o País no bom caminho."
(...)
"Para isso é que se vai fazer a famosa auditoria [da Ernst & Young às Parcerias Público-Privadas]. Como é evidente, tudo, tudo, tudo deve ser apurado com o maior rigor e frontalidade possível. E onde houver abuso deve ser denunciado e cortado.
Em relação às PPP tem passado a noção de que tudo foi feito pelos outros, pelo governo de José Sócrates, pelo governo de António Guterres, por mim, aqui estão oferecidos às feras os responsáveis. Mas, na realidade, em matéria de decisões desse tipo de finanças públicas não há ninguém que eu conheça que se possa considerar virgem, porque todos os partidos, PS, PSD, CDS, a seu tempo e a seu modo, subscreveram PPP que hoje os partidos do Governo combatem como se nada tivessem a ver com o assunto.
Dou-lhe dois exemplos concretos: a Scut do Grande Porto foi assinada pelo governo de Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite, Valente de Oliveira quando poderiam muito bem ter deixado de assinar se tivessem então a doutrina de hoje, sem qualquer prejuízo para o Estado, mas quiseram assinar. A Scut da Costa de Prata teve um agravamento de centenas de milhões de euros porque um senhor candidato a deputado do PSD, alta figura, resolveu prometer, para ganhar alguns votos em Estarreja, uma alteração que onerou a SCUT. O caso é Marques Mendes.
Então as virgens onde é que estão? Não se pode ter um período de grande vida airada, andando por aqui e ali em libertinagem e, passado algum tempo, esquecendo tudo isso, vem-se para o campo público reclamar que se é virgem. Ninguém consegue voltar a ser virgem.
Vamos apurar a responsabilidade de todos, vamos aprender lições importantes e corrigir o que for preciso. Da minha parte estou disponível para esse debate."
(...)
"Não tenho nada a objectar que Faria de Oliveira seja porta-voz da APB. O presidente da CGD é que não pode".
"Temos um presidente da Caixa cujo salário é pago pelo lobby da banca privada?"


Pois, pois, mas há quem não se deixa enganar:

Anonimo 13 Abril 2012 - 23:44
É verdade!
Ninguém é virgem, mas que alguns têm km e km lá, isso também é inegável.

Anonimo 14 Abril 2012 - 11:02
Santa paciência...
Ó Cravinho, a verdade é apenas uma, deixe-se de tretas, de umas 100 PPP's, cerca de 40 foram feitas pelo Guterres (muitas por si) e 50 pelo Sócrates, este último, impressiona pela quantidade e pela rapidez. Ah, e era você que dizia que as SCUT's se pagavam a si próprias.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Estado financia OPA's


O Grupo José de Mello e o fundo de investimento Arcus lançaram uma OPA sobre a Brisa.
A José de Mello tem 30,48% do capital da empresa e a Arcus 19,09%. Ao fazerem uma aliança, os dois grupos passaram a controlar 49,57% do capital da empresa (e 53,79% dos direitos de voto). Como foi ultrapassado o limite legal de um terço de capital, é necessário o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).
Até aqui tudo bem.

A OPA sobre a Brisa exige, porém, 700 milhões de euros de investimento à José de Mello e à Arcus, se todos os accionistas da concessionária aceitarem vender na operação.
Não há problema, os três maiores bancos portugueses vão disponibilizar 590 milhões de euros: a Caixa Geral de Depósitos aceitou financiar 88 milhões, o Banco Espírito Santo 99 milhões e o BCP 401 milhões.

Bem, há um pequeno problema. O FMI sublinha, no relatório sobre a terceira avaliação do programa de apoio financeiro a Portugal, que “as estimativas actuais mostram que os sete maiores bancos privados vão precisar de 4 mil milhões de euros para atingir as metas de capital” a que estão obrigados e que são um core tier one de 9% até ao final de Junho. E adivinhe o leitor quem vai dar o apoio financeiro: o Estado.
Vai dar à banca privada e à pública: o Governo já reservou, no Orçamento Rectificativo apresentado na semana passada, mil milhões de euros para recapitalizar a CGD.

E o crédito às PME's, esqueceram-se delas?


sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Foi fácil, barato e deu milhões. E agora, quem paga?"


"Os portugueses andaram a viver acima das suas capacidades — já se repetiu até à exaustão. Para isso, precisaram de crédito. Crédito fácil, barato e que deu milhões a quem o deu. Pode, por isso, dizer-se que os bancos andaram a emprestar acima das suas capacidades. Os portugueses estão a pagar por isso. E os bancos, estarão?

À primeira vista, olhando para os resultados financeiros, parece que sim. Três dos quatro maiores bancos privados portugueses tiveram prejuízos de 1.100 milhões de euros em 2011. Porém, este enorme prejuízo deveu-se sobretudo a três factores extraordinários que dificilmente se repetirão: perdas motivadas pela exposição à dívida pública grega; imparidades para crédito reclamadas pela troika; e prejuízos provocados pela transferência dos fundos de pensões para a Segurança Social.

Todos estes prejuízos podem ser vistos como um investimento em resultados futuros. Com a Grécia, há uma antecipação das futuras perdas motivadas por um perdão "voluntário" dos credores; a transferência dos fundos retira um pesado fardo das costas dos bancos; e as imparidades tornam mais transparente e "verdadeiro" o balanço das instituições.

Assim, embora a margem de actividade dos bancos seja estreita (devido à restrição na concessão de crédito e à pressão do crédito malparado), é de esperar que os prejuízos não se repitam este ano.

Será que o mesmo se pode dizer para o conjunto de cidadãos que pediram dinheiro emprestado aos bancos? Não. Todas as previsões mostram que o desemprego continuará a subir e o rendimento disponível a diminuir nos próximos anos.

Por outro lado, os prejuízos da banca em 2011 não nos devem fazer esquecer os lucros que as mesmas instituições obtiveram ao longo de anos. Por exemplo, entre 2006 e 2010, os mesmos três bancos (BCP, BES e BPI) tiveram lucros de 5,7 mil milhões de euros — cinco vezes mais do que os prejuízos registados em 2011. Assim, se o prejuízo, como tudo indica, não se repetir este ano, o negócio do crédito arriscado e irresponsável mais do que compensou.

Se há algo que choca na abordagem do poder político a esta crise é a forma como trata bancos, por um lado, e Estados, por outro. Para que os Estados grego, irlandês e português recebessem os primeiros empréstimos da Zona Euro, tiveram de suar as estopinhas, com resultados muito duvidosos. Já a banca teve a vida muito mais facilitada, com a possibilidade de se financiar quase a preço zero junto do BCE, continuando a beneficiar de importantes linhas de crédito, fundamentais para se manter a pulsação do sistema financeiro.

Mas não é só nos apoios. É também na atribuição de responsabilidades. O discurso dominante responsabiliza os Estados e respectivos governos pela situação dos países, mas pouco se critica a forma gananciosa como foram geridos os bancos.

É evidente que nesta crise a banca tem de ser tratada com todo o cuidado, até porque é nos bancos que estão as poupanças e ordenados dos cidadãos. Não há economia sem banca saudável. Mas também não se pode confundir sistema bancário com accionistas dos bancos.

A Europa tem de se preocupar mais com os Estados e tratá-los sem preconceitos ideológicos. Essa é a única forma de garantir que, no final, alguém se preocupará com os cidadãos.


Manuel Esteves* — mesteves@negocios.pt"

* Editor de Economia
"Visto por dentro" é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CGD apresenta prejuízos de 488 milhões de euros


A CGD apresentou um resultado líquido negativo de 488,4 milhões de euros.

"Os Resultados do Grupo Caixa Geral de Depósitos em 2011 foram fortemente penalizados pela difícil envolvente económica e financeira, que conduziu ao registo, como custo do exercício, de provisões e imparidades no montante global de 1 674,6 milhões de euros. Assim, as imparidades relativas a títulos totalizaram 613,1 milhões, destinando‐se este último montante a fazer face sobretudo à desvalorização verificada nas participações detidas pela CGD na PT, BCP, Brisa e ZON, no montante de 349 milhões de euros, e à exposição à dívida grega (133 milhões), na sua maior parte detida pelas seguradoras do Grupo. Por seu turno, o montante de imparidade do crédito ascendeu a 827,4 milhões de euros."

Em 31 de Dezembro de 2011, o rácio de transformação medido pela razão entre o crédito líquido e os depósitos de clientes foi 122,2%, situando‐se já próximo dos valores fixados para 2014 no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira (120%), e o rácio de capital core tier 1 ascendia a 9,4%.

O financiamento da CGD junto do BCE cifrou‐se em 9 mil milhões no final de Dezembro de 2011.


****
*

Portanto, em 2011, os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram prejuízos superiores a 1,5 mil milhões de euros, assim distribuídos:


____________________________

____________________________
imparidades
das quais
——para crédito
——para títulos
———dos quais
————dívida grega
————dívida portuguesa
————PT, BCP, Brisa e ZON

transferência fundo pensões

resultado líquido
rácio core tier 1
rácio créditos/depósitos
financiamento junto do BCE
____________________________
* líquido de impostos


_________
BCP
_________


270,5*


345,7*
90,9*


117,0*

-786,2
9,4%
145%
12,7 mil
_________



_________
CGD
_________
1 674,6

827,4
613,1

133,0

349,0



-488,4
9,4%
122,2%
9,0 mil
_________



_________
BPI
_________





338,9*



70,9*

-203,9
9,5%
109%
1,8 mil
_________



_________
BES
_________
848,3

600,6
73,3





76*

-108,8
9,2%
141%
8,7 mil
_________


milhões €
__________
Sant. Totta
__________











64,1
11,7%
139,5%
3,75 mil
__________




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Banca portuguesa apresenta prejuízos




1. O BCP registou um resultado líquido negativo de 786,2 milhões de euros em 2011, o prejuízo mais elevado na banca portuguesa.

"O resultado líquido de 2011 inclui o impacto do reforço de dotações para imparidade do crédito na sequência do Programa Especial de Inspecções, realizado no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira estabelecido com as autoridades portuguesas e efectuado aos maiores grupos bancários portugueses, no montante de 270,5 milhões de euros líquido de impostos, o reconhecimento de imparidade relativa ao restante goodwill do Millennium bank na Grécia, de 147,1 milhões de euros (valor igual ao montante reconhecido em 2010), o reconhecimento contabilístico de perdas por imparidade de títulos da dívida pública grega, no valor de 345,7 milhões de euros líquido de impostos, e a contabilização em custos com o pessoal dos encargos associados à transferência parcial das responsabilidades com pensões relativas a reformados e pensionistas para a Segurança Social, de 117,0 milhões de euros líquido de impostos.
Adicionalmente, o resultado líquido de 2011 reflecte o registo de perdas associadas a títulos da dívida pública portuguesa, de 90,9 milhões de euros líquido de impostos (13,2 milhões de euros líquido de impostos em 2010)."

O rácio de transformação de depósitos em crédito caiu de 164%, em 2010, para 145% a 31 de Dezembro de 2011. Recorde-se que o memorando de entendimento da troika exige que, no final de 2014, este rácio seja igual ou inferior a 120%.
O banco fechou com um rácio core tier one de 9,4%, acima do valor
9% exigido pelo Banco de Portugal e pela troika para 2011.

A exposição do banco ao BCE reduziu para 12,7 mil milhões de euros em 31 de dezembro de 2011.


2. O BPI apresentou um resultado líquido negativo de 203,9 milhões de euros.

"O resultado de 2011 foi penalizado por factores não recorrentes que geraram um impacto global negativo de 427 M.€ antes de impostos, a que correspondem 320 M.€ após impostos.
Os principais impactos extraordinários negativos (líquidos de impostos) resultaram da transferência parcial das responsabilidades e activos do fundo pensões para a Segurança Social nos termos do acordo estabelecido com o Estado no final de Dezembro (-71 M.€); do reconhecimento de imparidades na conta de resultados correspondentes a menos valias latentes na exposição à dívida soberana grega (-339 M.€) e de dotações para reformas antecipadas (-28 M.€)."

Em 31 de Dezembro de 2011, o rácio de transformação de depósitos em crédito do BPI é de 109%, pelo que o Banco cumpre já o rácio máximo de 120% exigível em 2014, e tinha o rácio de capital core tier 1 de 9,5%.

O recurso líquido ao BCE ascendia a 1,8 mil milhões, valor inferior ao limite máximo exigível aos bancos portugueses no final de 2014 ("10x as reservas mínimas de caixa").


3. O BES obteve um resultado líquido negativo de 108,8 milhões de euros.

Este resultado foi "determinado pelos seguintes factores principais:
  • o desenvolvimento do processo de desalavancagem financeira, baseado na intensificação da captação de depósitos e na redução da carteira de crédito, teve reflexos ao nível do resultado financeiro que registou um crescimento de apenas 1,5%;
  • o reforço das imparidades, necessário face ao agravamento da conjuntura económica, situou-se em 848,3M€ montante que representa um aumento de 314,7M€ (+59%) em relação ao exercício de 2010; as dotações para crédito, no montante de 600,6M€, registaram um acréscimo de 248,8M€ (+70,7%);
  • a contabilização de encargos de natureza extraordinária no total de 378,3M€ (líquido de impostos: 275,4M€): transferência para a Segurança Social das responsabilidades com pensões, que levou ao apuramento de um prejuízo de 107M€ (76M€ líquido de imposto); perdas na participação na BES Vida de 193,3M€ (líquido de impostos: 144M€); e prejuízos na venda de créditos internacionais que originou uma perda de 78M€ (líquido de impostos: 55,4M€);"

Houve uma melhoria expressiva do rácio Crédito/Depósitos que passou de 165% (Dez,2010) para 141%, mas além dos 120% exigíveis em 2014. O rácio Core Tier I passou para 9,2% (Dez,2010: 7,9%).

O Grupo BES tinha, em 31/12/11, uma posição líquida devedora junto do BCE de cerca de 8,7 mil milhões de euros.


4. Ao contrário dos restantes grandes bancos portugueses, o Santander Totta conseguiu registar um lucro de 64,1 milhões de euros.

Foi registada uma menos valia na venda de activos de 80,8 milhões de euros que António Vieira Monteiro, actual presidente executivo do banco, explicou ficar a dever-se, em grande parte, à venda de dívida pública portuguesa.

Grande parte da desalavancagem foi feita em 2011. O rácio de transformação de crédito sobre depósitos, que era de 184,7%, em 2010, caiu para 139,5%, no final de 2011.
Apresentou um core tier one de 11,7%, superando largamente as exigências do Banco de Portugal para o final deste ano.

Em relação ao financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE), este situou-se em 3,75 mil milhões de euros, no final de 2011, o que compara com os 47,5 mil milhões de euros do sector bancário.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os gestores recebem remunerações excessivas - II


António Horta Osório, presidente executivo do Lloyds Banking Group, informou o Conselho de Administração do Grupo que não deseja receber um bónus anual relativo a 2011.

Eis o que disse António Horta Osório, CEO do Grupo: "Entrei no Lloyds Banking Group para reconstruir o orgulho no banco. Como grupo, temos um impacto significativo em mais de 30 milhões de empresas e famílias e, portanto, acredito que podemos dar uma contribuição positiva para o desenvolvimento económico e bem-estar social do Reino Unido.

O meu objectivo continua a ser restaurar a rendibilidade do banco, levando-nos a apoiar a recuperação económica do país, de forma sustentável, e dando aos contribuintes a oportunidade de reaver o seu dinheiro.

Como director, considero que o meu direito ao bónus deveria reflectir a evolução do banco mas também as dificuldades financeiras que muita gente está a atravessar. Reconheço também que a minha ausência teve um impacto dentro e fora do banco, incluindo os accionistas. Por isso, decidi pedir ao conselho de administração que não me entregue o bónus pelo trabalho de 2011.
"




Este gráfico mostra o declínio das acções do Lloyds que precedeu a doença do gestor em Novembro.



Na edição electrónica, o britânico Daily Mail, estima que Horta Osório poderia aspirar a um prémio máximo de 225% do seu salário anual, ou seja, 2,4 milhões de libras (2,9 milhões de euros).
Ao declarar que o prémio de gestão não deve reflectir apenas o desempenho da empresa — o critério convencional na City — mas também o contexto económico do País, o gestor português denota consciência e sentido de responsabilidade social.

Em geral, os gestores dissertam sobre a complexidade das medidas que levaram à criação dos lucros que permitem esses prémios de gestão, menosprezando o impacto negativo que essas medidas tiveram sobre os funcionários, os clientes e os contribuintes.
Eric Daniels, o anterior presidente executivo do Lloyds, foi responsável por uma má venda de seguros a muitos clientes, obrigando a eliminar 3,2 mil milhões nas contas. Naturalmente o banco accionou um processo judicial para reaver parte dos 1,45 milhões de bónus de 2010 concedidos a Daniels, mas o ex-CEO poderia resolver rapidamente o diferendo, poupando ao contribuinte uma fortuna em taxas de justiça e honorários de advogados, se restituísse espontaneamente uma parte dos prémios de gestão.
John Hourican, chefe da divisão de investimento do Royal Bank of Scotland (RBS), também suportado por apoios do Estado, viu o valor do seu prémio em acções subir quase 0,25 milhões de libras graças ao anúncio do despedimento de 4500 funcionários do banco, que fez subir, na quinta-feira, o valor das acções.

Sendo extraordinariamente difícil impor limites legais aos bónus, só um completo ingénuo pode acreditar, como David Cameron, que os accionistas poderão fazê-lo. Muitos são investidores de curta duração, ou estrangeiros, que pouco se importam com os salários dos gestores e ainda menos com os efeitos da gestão na vida dos empregados bancários, dos clientes ou na economia do País.
Mesmo as antigas instituições do Reino Unido não estão interessadas em lutar e a UKFI, que tem a missão de vigiar as participações dos contribuintes no Lloyds e no RBS, acobardou-se.
Pouco mais resta aos governos que aumentar a taxa de imposto sobre os rendimentos elevados dos gestores.
O que faz falta é uma mudança de mentalidade na sala de reuniões dos conselhos de administração. O gesto de António Horta Osório é um bom começo.


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Recolhemos alguns comentários elucidativos:


Anónimo, Snakepit. 13.01.2012 13:31
Ah, 'tá' bem
"Acho que o meu bónus deve reflectir o desempenho do grupo, mas também a difícil situação financeira que muitas pessoas enfrentam."
Ah, ah, ah! Então se é assim, porque é que não recebeu o prémio e, por exemplo, o doou imediata e integralmente a instituições de apoio social do seu país, que estão a fechar um pouco por todo o lado por falta de meios? Mas depois do que estes tipos nos andaram a fazer nas últimas décadas ainda querem que a gente acredite em contos de fadas? O que ele quer fazer com esta jogada sei eu bem!

Anónimo, Lisboa. 13.01.2012
RE: Ah, 'tá' bem
LOL o homem faz mal, 'tá' mal, o homem faz bem, 'tá' mal. Que inveja impressionante! Cure-se. Este senhor chegou aonde nunca ninguém tinha chegado, pare de dizer mal e tente ser como ele.


Rui Bento 13.01.2012 13:44 Via Facebook
A renúncia do bónus
Um gesto raro, nobre e denotando consciência social e lealdade aos accionistas. Dirão os invejosos do costume, "com os milhões que ele já ganhou, não foi grande gesto de abnegação".
Foi. Primou pelo exemplo. É isso que se espera de um líder.


SERRANO 13 Janeiro 2012 - 12:15
Pois é...
... afinal há portugueses honestos, mas... estes não ficam cá. É pena!


JDMT2010 13 Janeiro 2012 - 12:22
Liberdade e decência
Isto só faz uma pessoa que é livre. Isto só faz uma pessoa que é decente.
Aprendam Portugueses, não interessa o que a gente faz, o lugar que ocupa, ou quanto ganhamos, interessa sim a atitude de cada um de nós perante a vida.


Dias Silva 14 Janeiro 2012 - 02:03
Saber estar na Vida
Isto é o que se chama "Saber estar na vida''. Este Senhor, se recebesse este dinheiro, ninguém daria por nada, mas tomou a atitude que qualquer funcionário deve tomar, quando não corresponde ao que é espectável. Deu um sinal e é de sinais destes que as empresas, organizações e Estados necessitam. É de facto um Líder. Esta sua atitude terá um retorno muito superior a 2 milhões de euros. Viver não custa, o que custa é saber viver.


Anonimo 14 Janeiro 2012 - 10:05
Humanidade
Como sempre se soube, existe a categoria e a honra e existe o pintelho, aqueles que até a reformazinha, de 9000 e tal, não deixam de sugar.
Sim, porque o pintelho ainda tem uma vida inteira pela frente, como se nota pela sua idade, e a vida 'tá' difícil.


sábado, 30 de outubro de 2010

Portugal de joelhos perante o BCE




"Se o problema das finanças públicas é muito grave, na verdade não é senão a ponta do icebergue. (...) De facto, o problema fundamental de Portugal é que está totalmente cortado o financiamento externo.
Falamos muito dos mercados, de acatar aquilo que os mercados nos dizem, é tudo uma ficção, porque estamos fora do mercado, não temos acesso ao mercado. O único acesso que temos ao financiamento é ao Banco Central Europeu (BCE) que (...) vai financiando a economia portuguesa através da banca.
(...)
E porquê? Porque nos endividámos a um ponto gigantesco, estamos totalmente dependentes de financiamento externo, temos uma dívida externa brutal a pagar a curtíssimo prazo (...) estamos de joelhos diante do BCE esperando que eles não alterem a sua política de ir mantendo a situação e nos ir permitindo viver.
A questão principal que se deve pôr é: como se chegou a esta situação? Desde há muitos anos que estamos com uma taxa de produtividade do investimento cada vez mais baixa. E o sistema financeiro português falhou por completo porque foi colaborante nesta tendência para um ritmo de investimento alto, em projectos cada vez menos produtivos, em geral, com grande desrespeito pelos interesses dos investidores
".

António Borges, presidente do European Corporate Governance Institute e director do departamento europeu do FMI, na conferência "Reformar o Sistema Financeiro".



surpreso 29 Outubro 2010
Tudo mentira!
Como António Borges assumiu o BCE empresta dinheiro barato aos bancos que o emprestam a alto juro a Portugal. "Os mercados" é um cartel de bancos portugueses, e outros, que nos exploram.


pjota 29 Outubro 2010
Na coluna das últimas notícias
[ironic mode on] Contudo, pode ler-se "Lucros do BES podem atingir 389 milhões de euros". O dinheiro dos nossos impostos sempre serviu para alguma coisa. Ainda bem. [Ironic mode off]


torga 24 Novembro 2010 - 14:32
Dinheiro pornográfico
Um banco pede emprestado ao BCE 500 milhões de euros. O BCE empresta o dinheiro e o banco paga 5 milhões (1%) para levar o dinheiro. Uns minutos mais tarde o banco vai ter com um país europeu e empresta-lhe os mesmos 500 milhões de euros, que foi buscar ao BCE. Contudo desta vez pede ao país 35 milhões (7%) em troca do empréstimo.
Este deve ser o transporte mais lucrativo do mundo. Em pouco tempo o banco ganhou 30 milhões de euros do nada. Este banco teve um lucro de 600%.
Esta é a verdadeira razão porque os juros da dívida soberana de qualquer estado fraco sobem e não vão parar porque os bancos sabem que esses estados sempre pagaram e nunca entraram em incumprimento. Se a Alemanha ou a França estivessem com as "calças na mão" alguém tem dúvidas que iam ao BCE buscar o dinheiro directamente a 1%, tal como assobiaram para o lado quando ultrapassaram os 3% de défice?