Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Costa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Costa. Mostrar todas as mensagens

sábado, 13 de setembro de 2014

Linha da Frente da RTP1 - "Ricardo Salgado: O Ex-Dono Disto Tudo"


O programa Linha da Frente passou neste sábado uma reportagem do jornalista Jorge Almeida sobre o percurso profissional de Ricardo Espírito Santo Salgado e a falência do BES.
Intitulada "Ricardo Salgado: O Ex-Dono Disto Tudo", é obrigatório vê-la:

13 Set 2014
Episódio 9
de 38 Duração: 30 min

A reportagem intercala uma sucessão de testemunhos de políticos, banqueiros e trabalhadores do BES com fotografias e vídeos de Ricardo Salgado e dos que contribuíram para o desenlace: o parceiro de negócios Pedro Queiroz Pereira que foi entregar um dossier com dados comprometedores ao Banco de Portugal, o primo José Maria Ricciardi que tentou arrebatar a liderança e o governador do Banco de Portugal Carlos Costa que dividiu o BES, acusando a anterior administração de desenvolver um esquema de financiamento fraudulento entre empresas do Grupo Espírito Santo nos últimos dias em que esteve em funções.

O ex-presidente da República Mário Soares começa por declarar sobre uma fotografia icónica de Ricardo Salgado e uma banda sonora de filme de suspense: “Muitas pessoas em Portugal já perceberam que foi uma grande asneira ter arranjado este sarilho todo”.
Logo de seguida Miguel Veiga, antigo administrador da Tranquilidade, classifica a acusação de ilegalidades de Carlos Costa como “uma afirmação tendenciosa, prematura e injustificada”.
E o banqueiro espanhol Jaime Carvalhal completa o trio, falando em "tragédia para a família, para os accionistas e para Portugal" e revela-se preocupado com o futuro da economia portuguesa.

Dado o mote, seguem-se outros testemunhos que oscilam da incredulidade à surpresa, da preocupação ao mais requintado elogio ao personagem principal.

Carlos Silva, trabalhador do BES e secretário-geral da UGT, confidencia que “as pessoas ficaram com um género de orfandade”.
Miguel Veiga reaparece para definir Salgado como “um homem com mão de ferro em luva de veludo”.
Murteira Nabo diz que poucas decisões importantes do País ligadas ao financiamento não passavam pelo BES.
O primo Michael de Mello fala de um José Maria Ricciardi “muito impulsivo” que retirou o tema da sucessão do conselho superior do grupo, fórum onde devia ter sido discutido, e levou-o para o exterior.

No meio deste coro de encómios, apenas destoam as jornalistas Maria João Babo e Maria João Gago do Jornal de Negócios que têm dúvidas de que Ricardo Salgado desconhecesse as irregularidades que estavam a ocorrer no BES Angola. A segunda recorda que na primeira quinzena de Julho as perdas do BES aumentaram 1500 milhões de euros e questiona se o banqueiro tinha consciência de que o banco estava descontrolado.

Eduardo Catroga considera “exagerada a imputação de responsabilidades a nível de grupo apenas ao doutor Ricardo Salgado”.
Mais à frente, regressa o amigo Soares para prever o futuro: “Eu estou convencido que ele não disse ainda a última palavra. E quando o disser, as coisas vão ficar de outra maneira”. E para que não restem dúvidas sobre quem ele quer que sejam os maus da fita, no fim esclarece: “Não se podia pôr um banco daqueles na situação em que estava. Fizeram-no por incompetência. O actual governo quis atirar tudo ao charco, mas depois arrependeu-se”.
Outro banqueiro espanhol Emilio Ybarra confessa surpresa e declara que via o BES e a filial de Espanha como bancos que funcionavam correctamente.

No final, ouve-se a voz off dizer: “Ricardo Salgado tem pela frente a maior batalha da sua vida: limpar o nome da sua família e provar, no banco dos réus, a sua inocência”.


****
*


As técnicas de lavagem ao cérebro desenvolvidas e aplicadas com êxito pelos regimes comunistas começaram a ser usadas pela defesa de Ricardo Salgado. Daqui a uns meses vamos vestir t-shirts com os olhos lupinos de Ricardo Salgado — o Che que se cuide —, repudiar a "intrometida" supervisão do Banco de Portugal e defender um Regresso ao Passado.

É verdade que o primo José Maria Ricciardi, que tentou arrebatar a liderança do BES a Ricardo Salgado, agiu por ambição pessoal, mas foram as informações que trouxe para o exterior, bem como o dossier com dados comprometedores entregue por Pedro Queiroz Pereira ao Banco de Portugal, que alertaram o governador Carlos Costa para o esquema de financiamento fraudulento entre o BES e as empresas do Grupo Espírito Santo.

Será que o juiz Carlos Alexandre se impressiona? Não, porque sabe que mais de metade dos 16 milhões de acções do BES nunca poderia ser 40% do lote de acções posto à venda. Só os ignorantes se deixam manipular.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Novo Banco recebe 4,9 mil milhões de euros do Fundo de Resolução


O Banco Espírito Santo vai ser dividido em dois. A parte boa, que se chamará Novo Banco, ficará com todos os depósitos e com os bons créditos do antigo BES. A parte má vai ficar com os activos de empresas em dificuldades, como sejam as dívidas do Grupo Espírito Santo ou do Banco Espírito Santo Angola.

O banco mau vai fechar. O banco bom vai continuar as operações e receber uma injecção de capital de 4900 milhões de euros, revelou o Banco de Portugal (BdP) em comunicado neste domingo. Eis um excerto da comunicação do seu governador Carlos Costa:


04 Ago, 2014, 00:24


Todo esse dinheiro será pago pelo Fundo de Resolução, um fundo criado em 2012 pela Portaria 420/2012 para que a banca pudesse suportar qualquer ajuda à banca:

O capital social do Novo Banco, no montante de 4900 milhões de euros, é totalmente detido pelo Fundo de Resolução.

Quero aqui realçar que os recursos financeiros do Fundo de Resolução não incluem fundos públicos. Resultam sim das contribuições iniciais e periódicas das instituições financeiras e das receitas provenientes da contribuição que incide sobre o setor bancário. O Fundo de Resolução constitui uma peça integrante do modelo de estabilidade financeira europeu.

Como o Fundo de Resolução foi criado apenas em 2012, não está ainda dotado de recursos financeiros em montante suficiente para financiar a medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo. Por essa razão, o Fundo teve de contrair um empréstimo temporário junto do Estado Português. O empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução será temporário, remunerado e substituível por empréstimos de instituições de crédito.

Isto significa que a medida de resolução agora decidida pelo Banco de Portugal, e em contraste com outras soluções que foram adotadas no passado, não terá qualquer custo para o erário público, nem para os contribuintes.

Esse fundo resulta das contribuições das instituições financeiras e da contribuição especial imposta ao sector bancário e, no final de 2013, tinha pouco dinheiro. Agora os bancos a operar em Portugal — nomeadamente a CGD, BCP, BPI, Santander, Montepio Geral, Banif, Crédito Agrícola — terão de reforçar as contribuições para poderem emprestar 500 milhões de euros ao Novo Banco.

Os restantes 4400 milhões de euros virão, também, do Fundo de Resolução, mas serão oriundos da linha de capitalização da banca, disponibilizada em 2011 pela troika quando Portugal recebeu assistência financeira externa.
Inicialmente, essa linha tinha 12 mil milhões de euros. Foram gastos 5,6 mil milhões com as ajudas ao BCP, BPI e Banif. Do dinheiro restante, agora vão ser usados 4,4 mil milhões com o Novo Banco¹.

O Novo Banco manterá Vítor Bento como CEO, Moreira Rato como CFO e ainda José Honório, agora com a chancela do BdP e não dos privados. O único accionista será o Fundo de Resolução bancária, que é gerido também pelo BdP, e fundeado nos bancos com actividade em Portugal.
Os trabalhadores e as agências do antigo BES passam para a esfera do Novo Banco, assim como os depositantes e os credores sem dívida subordinada. Dotado de 4,9 mil milhões de euros de capital, vai funcionar com um rácio de capital de 8,5%, acima dos 7% exigidos pelas regras europeias.

O futuro

Não se sabe quanto tempo vai durar o empréstimo do Estado, nem qual a taxa de juro que será cobrada. Mas esse dinheiro terá de ser devolvido, o que acontecerá quando o Novo Banco for vendido, possivelmente numa oferta pública de venda.

Aí podem ocorrer vários cenários. Se houver investidores interessados em adquirir o Novo Banco e dispostos a pagar 4,9 mil milhões de euros, a linha da troika será ressarcida e os bancos também.
Se os investidores interessados em comprar acções do Novo Banco só estiverem dispostos a disponibilizar menos do que 4,9 mil milhões, então os bancos terão de entrar com o diferencial.
Se o dinheiro arrecadado junto de investidores interessados no Novo Banco for superior a esse valor, o remanescente irá para o "bad bank", ou seja, para os antigos accionistas e para quem detém dívida subordinada (não preferencial) do "bad bank" que assim não perderiam tudo. Este banco será gerido por um administrador de falências.

*

Há três semanas Passos Coelho tinha avisado que os contribuintes não podem suportar erros dos bancos:
"Cada vez mais os bancos olham ao mérito dos projectos, e aqueles que não olham pagam um preço por isso. As empresas que olham mais aos amigos do que à competência, pagam um preço por isso. Mas esse preço não pode ser imposto à sociedade como um todo e muito menos aos contribuintes."



Referências
  1. Ainda ficam reservados 2 mil milhões para acorrer a algum problema que surja na banca no futuro.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Banco Espírito Santo esclarece exposição ao Grupo Espírito Santo


A Espírito Santo Financial Group (ESFG), a maior accionista do Banco Espírito Santo, solicitou ontem a suspensão da cotação na bolsa de Lisboa.
Face à queda das bolsas europeias e à subida dos juros dos títulos da dívida pública de Portugal, consideradas como uma consequência do desconhecimento da solidez financeira do Banco Espírito Santo (BES), a CMVM decidiu suspender a negociação das suas acções pelas 12:32 de ontem e exigiu um esclarecimento ao banco sobre a sua exposição ao Grupo Espírito Santo (GES).

O comunicado do banco surgiu pouco antes da meia-noite e começa logo por esclarecer que tem uma almofada de capital de 2100 milhões de euros:

O Banco Espírito Santo detinha em 31 de Março de 2014, em base consolidada e considerando o montante do aumento de capital realizado em Junho, um buffer de capital de 2.1 mil milhões de euros acima do rácio mínimo regulamentar Common Equity Tier I (8%).

Depois dos membros da família Espírito Santo — Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo e José Maria Ricciardi — e do representante do Crédit Agricole (Stanislas Ribes), se declararem impedidos de tomar decisões sobre a ESFG e o GES,
Os membros que renunciaram às funções de Administradores do BES, mas que ainda não tenham sido substituídos, declaram-se impedidos de participar na discussão e/ou deliberações de questões relativas ao Grupo ESFG e ao Grupo Espírito Santo. Mais se informa que tais membros serão substituídos após a assinatura das contas de 30 de junho, o que se prevê ocorrer até 28 do corrente mês de julho.

O Banco Espírito Santo compromete-se a não aumentar a exposição total ao Grupo Espírito Santo.
surge a informação exigida pela CMVM:


Exposição directa do BES ao Grupo Espírito Santo



Portanto o banco apresentava em 30 de Junho uma exposição directa de 1183 milhões de euros às empresas do GES.
O comunicado faz questão de sublinhar que, neste total, está uma exposição de 858,1 milhões de euros à ESFGholding da área financeira do GES — e bancos subsidiários e 224,3 milhões de euros à Rioforte — holding da área não financeira do GES — e suas subsidiárias.

Adicionalmente, e não referida no quadro anterior, existe uma exposição de 297 milhões de euros à ESCOM que, segundo informação do GES, terá sido vendida embora o processo ainda não esteja concluído.

O banco detalha também a exposição que os seus clientes de retalho têm ao GES, que totaliza 853 milhões de euros:
O montante de títulos de dívida emitidos por entidades do Grupo Espírito Santo e detidos diretamente pelos clientes de retalho do Grupo BES, à data de 30 de junho, era o seguinte:
- Papel comercial emitido pela Espírito Santo International: 255 milhões de euros;
- Papel comercial emitido pela Rioforte: 342 milhões de euros;
- Papel comercial emitido por subsidiárias da Rioforte (ES Saúde e ES Property): 44 milhões de euros;
- Papel comercial e obrigações emitidas pela ESFG e suas subsidiárias: 212 milhões de euros.
Recorda ainda que a ESFG emitiu uma garantia incondicional e irrevogável no montante de 700 milhões de euros para que a Espírito Santo International possa cumprir os compromissos relativos à dívida emitida e colocada através do Grupo BES junto dos seus clientes de retalho. Esta garantia abrange actualmente instrumentos de dívida emitidos por outras entidades do Grupo Espirito Santo, nomeadamente a Rioforte.

Mas o BES não tem responsabilidade pelos títulos de dívida emitidos por empresas do GES e detidos directamente por clientes institucionais, que ascendem a 2011 milhões de euros:
O montante de títulos de dívida emitidos por empresas do Grupo Espírito Santo detido diretamente por clientes institucionais e em custódia no Grupo BES, a 30 de junho de 2014 era como segue:
- Emitidos pela Espírito Santo International: 511 milhões de euros
- Emitidos pela Rioforte e subsidiárias: 1.5 mil milhões de euros.
Estes investidores são considerados investidores qualificados de acordo com os critérios legais aplicáveis, e portanto com maior capacidade de avaliação de risco.

A estrutura accionista do BES é actualmente a seguinte:


Notas: Participação da BlackRock anunciada em 8 de Julho de 2014, participação da Baupost anunciada em 10 de Julho de 2014, restantes participações qualificadas à data de 17 de Junho de 2014.


*


Nada é dito neste comunicado sobre os quase 900 milhões de euros que, em Abril, a Portugal Telecom (PT) aplicou em papel comercial da Rioforte — dívida que vence nos próximos dias 15 e 17 de Julho e está a atirar a cotação da PT para mínimos históricos — mas devem estar englobados nos 1,5 mil milhões detidos pelos clientes institucionais.

Como a almofada de capital do BES — 2100 milhões de euros — é superior à soma da exposição directa (1183 milhões de euros) com a exposição dos clientes de retalho (853 milhões de euros) ao Grupo Espírito Santo, certamente as acções do banco vão voltar hoje a ser negociadas em bolsa.

O Banco de Portugal já tinha reiterado esta quinta-feira: "A situação de solvabilidade do BES é sólida, tendo sido significativamente reforçada com o recente aumento de capital".

Sobre a garantia de 700 milhões de euros emitida pela ESFG para proteger os pequenos clientes do BES, temos de dar os parabéns ao governador do Banco de Portugal Carlos Costa. O seu a seu dono.
E, pelos vistos, a situação financeira do BES é sólida por obra de um aumento de capital providencial. Folgam os bolsos dos portugueses.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Inspecções aos grandes clientes da banca impuseram mais mil milhões de imparidades





O Banco de Portugal divulgou hoje um comunicado com os resultados da análise dos planos de negócio de 12 clientes relevantes do sistema bancário, no âmbito do segundo exercício transversal de revisão das imparidades das carteiras de crédito (ETRICC 2). O crédito global analisado ascendeu a 8,4 mil milhões de euros. Não foi analisado o crédito concedido a entidades do sector público.

Foi estimada a necessidade de reforço de imparidade e de provisões num valor global de mil milhões de euros, com referência a 30 de Setembro de 2013. Este valor, já reflectido nas contas das instituições bancárias, destina-se a assegurar uma adequada cobertura de riscos relativamente aos 12 grupos económicos abrangidos.

Os trabalhos do ETRICC 2 foram realizados por um auditor independente, de acordo com orientações definidas pelo Banco de Portugal (BdP), e envolveram 55 recursos humanos, dos quais 18 colaboradores do BdP, tendo decorrido entre Outubro de 2013 e Fevereiro de 2014.

ESFG e BES foram responsáveis por quase três quartos das necessidades de provisionamento detectadas pelo ETRICC 2.
O ESFG — holding que controla o BES — foi obrigado pelo Banco de Portugal a registar uma provisão de 700 milhões de euros, após queixas de Pedro Queiroz Pereira, de clientes e de outras instituições financeiras de que estava a colocar dívida de sociedades não financeiras do Grupo Espírito Santo, com riscos desconhecidos, através do BES. Ou seja, estava a usar os clientes do banco para financiar as empresas não financeiras agregadas na Rioforte — holding da área não financeira — que não está cotada.
Por outro lado, o BES já tinha registado imparidades de 28 milhões de euros.

O ETTRIC 2 conclui um ciclo de inspecções transversais desenvolvidas pelo Banco de Portugal desde 2011 para tornar o sistema bancário português mais resiliente. No total, estas avaliações obrigaram os oito maiores bancos nacionais — CGD, ESFG/BES, BCP, Banco BPI, Santander Totta, Banif, Montepio Geral, Crédito Agrícola —, que representam 80% do sistema bancário nacional, a um reforço das imparidades e das provisões de 3,8 mil milhões de euros.

O Governador do Banco de Portugal, desde Junho de 2010, é Carlos Costa.



Exercícios transversais de inspecção



Exercícios transversais de inspecção




domingo, 4 de dezembro de 2011

A lição do Governador do BdP


João Galamba, deputado do PS desde 27 de Setembro de 2009, foi consultor externo da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados (UMCCI), entre 2008 e a data das eleições legislativas, tendo recebido mais de 34 mil euros em dois contratos com o Estado, por ajuste directo.

Um dos contratos, no valor de 13.876 euros, sem data de celebração do contrato, foi publicado em 13 de Março de 2009 e adjudicado a João Galamba pela UMCCI. O objecto do contrato é a aquisição de serviços especializados para um grupo de trabalho da UMCCI. Não especifica o tipo de serviços e o prazo de execução foi 120 dias.
Há também um segundo contrato, no valor de 20.814 euros, celebrado em 15 de Junho de 2009 e publicado em 8 de Setembro desse ano, que foi adjudicado a Galamba pela Administração Central do Sistema de Saúde, I.P. O objecto do contrato refere 'Serviços para a área financeira para a UMCCI', que não especifica, e tem fixado um prazo de execução de 180 dias.

Não se conhece os resultados destes serviços. O que se sabe é que, durante o Verão, o então consultor financeiro da UMCCI esteve muito ocupado com a produção de conteúdos para o Simplex e outros blogues de apoio a Sócrates, ainda fez campanha eleitoral, teve direito a mais de duas semanas de licença de casamento e gozou férias.
Quando questionado sobre o conteúdo destes serviços, limitou-se a proclamar: "O resultado desse trabalho, que muito me honra, foi vertido para um relatório enviado para o Ministério das Finanças e integra o Orçamento do Estado de 2010".
Com colaborações de boys no orçamento, não surpreende que o País tivesse de pedir assistência financeira em Abril deste ano.

Apesar de ter sido eleito deputado, pela primeira vez, nas legislativas de 2009, João Galamba, que se intitula economista e estudioso de filosofia política, tem integrado várias comissões parlamentares.
Anteontem, na audição ao governador do Banco de Portugal na comissão de Finanças, resolveu evidenciar-se interrompendo o governador, enquanto este explicava que aumentar a exposição da banca à dívida soberana portuguesa ia retirar financiamento à restante economia, com dois sonoros "Isso é uma inverdade!".
Mas o governador não se atemorizou com a malcriadez do boy socialista e deu-lhe uma lição:



"Desculpe, deixe-me acabar porque isso é uma ignorância total. Quando o senhor tem um montante total de crédito, este distribui-se por três sectores, público, privado/empresarial e o sector das famílias. Se o senhor tira de um lado, necessariamente o outro sofre. A isto chama-se 'crowding out' em teoria. Se não sabe o que é o 'crowding out', vá aprender!
Peço desculpa, isto ultrapassa os limites do bom senso. Esta é a realidade a que chegámos em Abril
[data em que Sócrates pediu a intervenção externa]. Se não quiserem reconhecer a realidade, não a reconheçam, batam com a cabeça na parede, porque a realidade é sempre mais resistente que a cabeça. Normalmente não sou de perder a serenidade, excepto com a má-fé intelectual.

É notório o contraste entre a expressão facial de Galamba e a do deputado socialista Basílio Horta, sentado ao seu lado, que demonstra concordância com a explicação de Carlos Costa.

Mesmo assim, na intervenção seguinte do seu partido, Galamba interveio, não para pedir desculpa pela sua falta de educação, mas para… se manifestar ofendido e desafiar Carlos Costa a um pedido de desculpas: "Penso que foi deselegante, desnecessariamente, gostava que me pedisse um pedido de desculpas".

É óbvio que o governador do Banco de Portugal não fez a vontade ao gaiato.




Opiniões recolhidas no Negócios e no Público:


JCSC1942 02 Dezembro 2011
Deputados
Um grupo de inúteis, funcionários partidários sem qualidade nem classe, salvo algumas raras e honrosas excepções.

x_kiter 02 Dezembro 2011
Ignorância Xuxa
Obviamente que se os xuxas soubessem o que era o crowding out, não nos teriam levado à bancarrota como fizeram. Obviamente que se soubessem alguma coisa de economia, teriam aceite que a política económica dirigisse as restantes políticas, em vez de colocarem um suposto “Eng” a dirigir tais políticas.
E os pategos dos votantes aceitaram colocar um fala barato a dirigir o País. Aqui está o resultado.

PR1967 02 Dezembro 2011
A ignorância dos boys
Este acontecimento, cuja notícia relata apenas metade (antes da resposta do Governador do BdP o Sr. João Galamba havia interrompido o governador afirmando ser mentira o que este estava a mencionar), é revelador do nível técnico e intelectual que possue grande parte dos boys deste país.
É óbvio que o bloguer João Galamba só é deputado por obra e graça de José Sócrates e, como muitos dos políticos deste país, não tem categoria, competência ou experiência para desempenhar as funções que desempenha.
Além disso o "garoto" é mal educado, como revelam as suas intervenções em blogues políticos.
E ainda há quem se admire com o estado a que o país chegou!

Heliommm 02 Dezembro 2011
Deu-se mal
O Dr. Carlos Costa meteu esse menino no lugar dele. É que já não há pachorra. Não bastam todas estas comissões, como ainda põem estes inúteis a fazer perder o tempo de quem quer trabalhar.

Joaomotta 02 Dezembro 2011
Haja Deus!
Espero que este episódio abra os olhos aos directores de informação da SIC que não podem colocar a comentar qualquer "economista" seja ele da área do PS, do PSD, do CDS ou do PCP.
É tempo de rejeitar toda a mediocridade e sobretudo os supostos especialistas que praticam a má fé intelectual. Quando gente desta entra em minha casa, mudo automaticamente de canal... para não estoirar a televisão.

Mudar 03 Dezembro 2011 - 11:55
Com licença, Sr. Governador
Claro que os socialistas palacianos têm muito por onde levar... Mas o Sr. governador descarrilou! Não foi apenas deselegante. Descontrolou-se, perdeu a cabeça, demonstrou uma irritação própria de alguma senilidade. Onde estava o Sr. governador quando esta crise estava a galgar terreno? Onde estava o Sr. quando era um autêntico fartar vilanagem nos negócios da banca? Certamente que estava com a boca trancada numa boa teta... tal como agora.
"Crowding out", "core tier", "downgrading", e outras partes gagas são de facto conceitos "difíceis" que só "inteligentes e competentes" como o Sr. governador percebem! Começo a desconfiar que este governador também faz parte da escola do Vítor Constâncio. A escola de incompetentes de vida fácil.

PR1967 03 Dezembro 2011 - 12:46
A defesa do absurdo
Caro(a) Mudar,
O que o Governador do Banco de Portugal fez é exactamente aquilo que deve ser feito, colocar a nu a ignorância e a má educação reinante na nossa classe política.
Goste-se, ou não, há terminologia técnica em economia/finanças e a discussão era precisamente numa comissão que pressuponha que tivesse na sua constituição elementos com conhecimentos técnicos. Não era uma entrevista para TV.
Agora que o Banco de Portugal, enquanto regulador/supervisor, deveria já ter identificado as fraudes do BPN, disso ninguém duvida. Porém, deve dizer-se em abono da verdade que o governador à época era Vítor Constâncio.
P.S.: João Galamba é o paradigma de boy que, por escrever meia dúzia de frases vazias de conteúdo em blogs em defesa dos políticos do poder, é premiado com o cargo de deputado e mais umas alcavalas para se "governar".

JoaoAlberto 03 Dezembro 2011 - 22:35
Caramba, Galamba
Com a tua mania de querer sobressair, para garantires o teu tachito de boy, estás a chatear o mais velho Carlos Costa, que tem mais que fazer do que estar a aturar-te. Na maior parte das vezes, perdes óptimas oportunidades de ficares calado.
Na AR, como os deputados do PSD e CDS são jovens, ainda vão tendo alguma paciência para ouvir as tuas bacoradas mas, por favor, não chateies com as tuas parvoíces quem tem competência e falta de paciência para aturar putos incompetentes armados em espertos.

João Menéres, Porto. 02.12.2011 23:15
Economia
O Dr. Galamba, por certo ilustre economista e não menor deputado, podia ter economizado ao dizer que "gostava que me pedisse um pedido de desculpas”.
E ainda falam da ignorância cultural de alguns estudantes...

Indignado, País sem acentos. 03.12.2011 03:20
Atenção, que a memória não é curta
Não sou filiado, nem sequer simpatizante de nenhum partido político, mas chega de fantochadas porque nós não andamos a dormir! Em 2009, o agora deputado João Galamba, na altura candidato a deputado pelo PS, escreveu no blog SIMplex "O João Gonçalves é um filho da puta" quando se referia a um adversário do PSD.
Estes meninos que andaram a abanar bandeiras em comícios e nunca souberam o que custa trabalhar, deviam de facto ir aprender: aprender a ser educados, aprender a saber estar na política, aprender a saber do que falam, aprender a trabalhar e aprender a não se fazer de vítima de quem se sentiu muito ofendido com o que ouviu. Não brinquem connosco, que pagamos os nossos impostos e trabalhamos para que, de facto, Portugal vá para a frente. Deixe-se de demagogias, Senhor Deputado.

Anónimo, aveiro. 03.12.2011 04:20
Concordo com o Governador
O que se passa é que os deputados se habituaram a enxovalhar quem vai lá, em boa fé, expor o seu conhecimento. O que o deputado disse e não podia dizer foi "Não é verdade". Ora se é, então é grave.
Os deputados confundem política com paleio e isso tem que acabar. Se não, tanto se pode dizer uma coisa como outra, só para criar demagogia... Foi muito bem feito o que o governador disse, pois mostrou que o deputado está impreparado para o cargo, pelo menos no que diz respeito à seriedade na argumentação.

Anónimo, Lisboa. 03.12.2011 07:41
Uma lição ao deputado
Foi uma lição ao deputado, que os deputados são eleitos, na maior parte das vezes, sem olhar à sua competência, só porque estão no partido ou fizeram um frete a alguém, ou são amigos de alguém, alguns passam uma legislatura sem uma única fala. É o país que temos em que alguns continuam a defender o Sócrates, depois do que o dito fez a Portugal. Parabéns Carlos Costa.

Jorge Ribeiro, Coimbra. 03.12.2011 16:10
A arrogância
O Dr. Carlos Costa pode até ser um economista emérito. Não tem é o direito de se comportar deste modo. João Galamba é do mesmo modo um economista muito conceituado e, se não está de acordo com Carlos Costa, como deputado numa comissão à qual Carlos Costa foi chamado, tem todo o direito (e o dever) de o confrontar com as opções tomadas pelo Banco de Portugal. A "gaffe" de Carlos Costa não é bem um lapso: é intolerância e falta de educação. No mínimo, Carlos Costa devia demitir-se. O Banco de Portugal não está acima da Assembleia da República e ele demonstrou não ter capacidade para viver em democracia. Não faltam reputados economistas para o seu lugar.
  • João, Londres. 04.12.2011
    RE: A arrogância
    João Galamba um economista reputado? Essa tem piada. O homem foi enxotado da London School of Economics por não valer nada. Tendo em conta o seu historial, não admira que não saiba o que é o crowding-out.
    Ele que vá lá fazer o doutoramentozeco em filosofia de não sei quê. Pode ser que disso perceba. De economia é que me parece difícil.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Temos que rever o modelo de comando da função pública"





"Temos que conseguir que a nossa administração pública seja muito mais eficiente.
Mas maior eficiência significa melhor organização, melhor afectação dos recursos quer humanos, quer financeiros, quer físicos. Isso significa uma coisa que os dirigentes empresariais sabem, significa uma combinação entre ‘empowerment’ e responsabilização. Significa que as organizações e os agentes têm que ser eles próprios os produtores do ganho de eficiência que se pretende.

Quem comande uma ‘holding’ sabe que não é possível a partir da ‘holding’ gerir um processo de transformação. O processo tem de ser assumido, tem de ter o ‘ownership’ daqueles que são os agentes do próprio processo.
Temos de encontrar modelos que reproduzam, ao nível de cada serviço, uma lógica de renovação, de ganhos de eficiência, partindo do princípio que os primeiros a saber onde estão as ineficiências, onde estão os ganhos de organização onde estão as melhorias do produto são aqueles que no dia a dia o produzem.

Temos, portanto, que rever o nosso modelo de comando da função pública que não pode ser o modelo ‘taylorista’ do séc. XIX porque nem todos os funcionários públicos apertam parafusos.
Temos de ter um modelo em que eles sejam responsabilizados, em termos de um sistema de incentivos correcto, para contribuir para uma administração pública mais produtiva, mais eficiente, produzindo um produto que, pelo facto de ser produzido de forma mais eficiente, se revela mais barato.

Sei que para a administração pública é difícil de falar em termos de produto, mas a linguagem das empresas não está tão longe da função pública quanto se pensa.
Se quisermos olhar para um serviço, para uma escola: a escola tem um produto pelo qual se responsabiliza, os professores sabem perfeitamente o que têm de fazer, temos de encontrar mecanismos para que eles, tal como numa pequena/média empresa, sejam capazes de definir o seu objectivo e ter as suas próprias métricas de sucesso."

Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal



ABata 22 Novembro 2011 - 21:44
Muito bem, muito bem...
A isso chama-se gestão participada. Toda a força de trabalho contribui para uma melhor gestão do conjunto.
O problema, meu caro, é que isso envolve mudança de mentalidades das chefias e directores de serviço, porque estes são demasiado arrogantes, estão constantemente a meter o bedelho no serviço dos outros de modo a justificar o vencimento e muitas vezes contribuem de forma negativa com o "quero, posso e mando", mesmo sem saber.
Em alternativa poder-se-á eliminar muitas das chefias intermédias, às vezes sobrepostas, e mudar completamente as direcções/administrações por outras com novos conceitos de gestão e, sobretudo, dotadas de qualidades sociais e humanas.
Talvez o resultado final fosse surpreendente.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Temos um Governador no Banco de Portugal


Carlos Costa, governador do Banco de Portugal





Na intervenção que ontem fez no Tribunal Constitucional, Carlos Costa definiu os três princípios fundamentais — estabilidade, responsabilização e transparência — que garantiram, noutros países, uma consolidação orçamental duradoura, os quais "têm vindo a ser explicitamente consagrados em várias ordem jurídicas (…) no caso português, foram consagrados na revisão da Lei de Enquadramento Orçamental recentemente aprovada pela Assembleia da República e a aguardar promulgação".

E o regulador do sistema bancário nacional acrescenta: "Para quem eventualmente perfilhe alternativas que se afastem de estratégias de consolidação orçamental imediata [lembro] que Portugal violou reiteradamente as normas orçamentais da União Europeia desde a adesão ao Euro: em 12 anos de participação na área do Euro o défice orçamental foi, em média, 4,5% do PIB."

*

É confortante ler os comentários de apoio no Negócios, a mostrarem que as pessoas não estão anestesiadas, o que permite acreditar que o País tem futuro. Por exemplo:

teixo 28 Abril 2011 - 21:06
Responsabilização dos actos político-administrativos é vital para a Democracia
Obviamente, o Governador do BP não se referiu às decisões que implicaram aumento de encargos com apoios sociais a situações de emergência, mas a decisões em matéria de PPP, por exemplo, que consubstanciam verdadeiros actos de gestão danosa.
Personagens como Paulo Campos, secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, que actuou como um verdadeiro inimputável! O Governador do BP tem toda a razão, todos os actos praticados por este sujeito no âmbito do MOPTC deverão ser auditados e investigados pela IGF e PGR, pelas inúmeras suspeitas de corrupção e gestão danosa de dinheiros públicos, desde o modelo ruinoso da cascata de concessões e subconcessões rodoviárias, com a inversão do paradigma do risco das próprias PPP, ao negócio "magalhães", na fundação das Comunicações, entre outros, e em consequência deve ser acusado, julgado e responsabilizado, civil, financeira e criminalmente pelos danos que perpetrou ao erário público. Era a estes casos que o Governador do BP se referia...

jdiogenes 28 Abril 2011
Do lote que apresenta, falta!
Sim, falta o governador do BdP, à época, que tem nome e agora está, como prémio pela sua incompetência e não só, especialmente o não só, no BCE. É bom não esquecer que grande parte da nossa dívida está na banca, embora seja justo diferenciar a falida, BPP, BNP, da semi-falida, a restante. Sr. Costa, ter-lhe-ia ficado bem começar pela sua casa.
Estamos de acordo que deveriam sentar-se, todos, no mocho e aí ser decidido para que Aljube iria esta gentinha que vive às custas de quem trabalha com o apoio dos partidos, todos os que tem assento na AR, mas devemos destacar PS, PSD, CDS e o PCP pelo assalto que têm feito no poder autárquico, que também se tornou especialista em criar empresas municipais, pese embora que se tenha limitado a imitar as más práticas.

Rucky 28 Abril 2011
Carlos Costa: Políticos e gestores públicos são os culpados pela crise
Considero um acto de patriotismo, até de herói.
Desde que entrou para o BP, não tem tido papas na língua e não o vejo a "ajoelhar".
Tenho a certeza que a maior parte dos portugueses honestos e conscientes, já há muito têm na sua mente o que Carlos Costa agora disse.
Só tenho pena que ninguém leve por diante a criminalização dos responsáveis, incluindo o antecessor. Onde está o Ministério Público, que não está em gestão?
Espero que Carlos Costa não seja demitido ou enviado para Bruxelas. Portugal precisa dele e no BP ainda há quem se aproveite.
Parabéns pela sua coragem e patriotismo, pois bem se podia calar e gerir o seu silêncio.

tysan_14 28 Abril 2011
Finalmente!
É preciso e é urgente que a gentalha que tem decidido as políticas públicas pague a asneirada que trouxe o País até aqui. Agora quer que os portugueses paguem a incompetência, a falta de formação e de conhecimentos e também a corrupção e a fraude?
O País é o resultado de pôr um carroceiro a conduzir um Ferrari — é um desastre.
Mas a maior falta de vergonha é agora querer-se combater a corrupção que tem sido alimentada.
A pequenez desta gentalha é espelhada pela forma inconveniente e mal educada como se referem aos outros e até pela forma "estercada" como justificam as suas atitudes agressivas, sem respeito pelos símbolos do País e da Nação. São os políticos dos "Blackberry's", que não os tinham se não fossem os portugueses a suportar os custos de todas essas mordomias para gentalha arruaceira sem nível.

espaco1999 28 Abril 2011
A conversa da responsabilidade política é muito limitativa, é necessário ir mais além
A forma como Portugal tem sido conduzido é criminosa. Muitos vinham a alertar, há muito tempo, para o caminho que se estava a traçar e foram pura e simplesmente ignorados.
Governantes que duplicam a dívida pública em 6 anos elevando-a aos níveis que hoje conhecemos, apenas para servir clientelas e para iludir o povo com obras vistosas e sumptuárias, mas sem nenhum efeito real no desenvolvimento do país, são criminosos. Aqui englobo também autarcas de vários quadrantes políticos e Vítor Constâncio. Todos deviam ser julgados.

Joao Altamira 28 Abril 2011
Finalmente
Finalmente aparece alguém neste País que chama "os bois pelo nome". Toda esta cambada de políticos e gestores não podem passar imunes a esta bancarrota. Terão que ser julgados publicamente, responsabilizados e, para além de indemnizarem o Estado, deverão ser proibidos de exercerem no futuro quaisquer cargos públicos, sendo despedidos com justa causa e sem direito a qualquer indemnização.
Se isto acontece nas empresas privadas por quê não deverá acontecer nos cargos públicos? Deveria ser esta a primeira recomendação do FMI.
Se estes gestores públicos incompetentes tivessem vergonha, deveriam sair do País. Aconselho-os a irem vender banha da cobra para as Arábias.

abotelhos 29 Abril 2011 - 02:59
Recomeço a ter esperança
Será com Concidadãos desta grandeza, coragem e sensatez que vamos conseguir mudar e recuperar, não com os artistas mentirosos e criminosos no activo. O contraste, pela positiva, com o anterior e emigrado governador do BP que, como sabemos, era vesgo, surdo e mudo, é notório. Somemos ao actual Governador do BP, o trabalho exemplar do Presidente do Tribunal de Contas, do Concidadão que, cedido pela banca, passou pelas Contribuições e Impostos, deixando bom trabalho feito e exemplo a continuar e outros mais de igual craveira moral, profissional e patriótica, e vamos lá! Basta pensar um pouco mais, querer mudar e mudar mesmo, sem medos, sem poeira nos olhos e dizendo aos que nos tem enganado e roubado impunemente (por enquanto): Basta, desapareçam!
É notório o crescendo de indignação pelo mal que nos fizeram e o desejo de responsabilização e julgamento (Vide leis aplicáveis a circular) dos políticos e gestores públicos eleitos e empossados que mal se comportaram.

(actualizado)


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BdP: medidas não parecem ser suficientes


No Boletim Económico de Outono do BdP pode ler-se na pág. 56:
"A 29 de Setembro, o Governo aprovou um conjunto de medidas adicionais a incluir na proposta de Orçamento para 2011. No entanto, as medidas de carácter permanente desde já bem especificadas não parecem ser suficientes para garantir a prossecução do objectivo assumido para 2011."

Fonte do BdP reiterou ao JN que a posição oficial do BdP foi esclarecida por Carlos Costa a 4 de Outubro, no XX Encontro de Bancos Centrais dos Países Lusófonos:
"O conjunto extenso de medidas orçamentais na semana passada constitui um passo importante no sentido de credibilizar a estratégia de consolidação orçamental anunciada em Maio deste ano. Mas não basta. Torna-se absolutamente crucial encontrar um consenso político credível para o Orçamento de 2011. Sendo a consolidação das finanças públicas um imperativo incontornável, importa ter presente que os custos que vai implicar irão depender do momento e da credibilidade da sua implementação. Quanto mais cedo for feito e mais credível for o esforço de consolidação, menor será o impacto da crise soberana no sector bancário e, através deste, no financiamento da actividade produtiva."

Recordamos que o executivo de José Sócrates prometeu reduzir o défice orçamental de 9,3% em 2009 para 7,3% em 2010, 4,6% em 2011 e 3% em 2012.
No entanto, não vai ser fácil porque abundam situações como a relatada no seguinte comentário:


m130779 07 Outubro 2010
Inutilidade Pública
Mais uma golpada — Vasconcelos despediu-se da ERSE
É uma golpada com muita classe e os golpeados somos nós....
Era uma vez um senhor Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.

Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.
Porém com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês — ou seja, 2.400 contos — durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.

Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».
E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».
E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400 contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, de acordo com artigo 28/4 dos Estatutos da ERSE , "Os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar dos presentes Estatutos, e a sua remuneração será estabelecida por despacho conjunto dos Ministros das Finanças, da Economia e da Reforma do Estado e da Administração Pública."
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE forem mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes. Na verdade, o artigo 29/6 consagra que: "(...) a ERSE continuará a abonar aos ex-membros do conselho de administração em dois terços da remuneração correspondente ao cargo, cessando esse abono a partir do momento em que estes sejam contratados ou nomeados para o desempenho, remunerado, de qualquer função ou serviço público ou privado."

Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.

Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público.

Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é — e para que serve — a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético. E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não.
A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?
Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Políticas à parte estou em crer que perante esta, e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.