quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quadros de uma greve geral


Como habitualmente, sentiram-se os efeitos da greve sobretudo nos transportes públicos e nos serviços da administração pública.


27 Jun, 2013, 13:38


27 Jun, 2013, 13:39


No sector privado a adesão foi reduzida. Em Viana do Castelo, parou a linha de montagem da fábrica de armas da belga Browning que emprega 400 trabalhadores. Mas nas quatro fábricas da multinacional alemã Enercon, que produz aerogeradores e torres eólicas, nenhum dos 1400 trabalhadores aderiu à greve.

27 Jun, 2013, 13:42


Em Lisboa, o metro esteve fechado e os comboios parados, mas 50% dos autocarros da Carris circularam pela cidade. Um automobilista que passava criticou o churrasco dos grevistas da Carris e estes correram atrás do carro para sová-lo.
Melhor correu a paralisação na Volkswagen Autoeuropa. A administração da empresa antecipou-se à greve e criou um dia de não produção.

27/06/2013 - 14:35


Quando um piquete de greve tentou impedir, cerca das 6h30, a saída dos autocarros da estação da Carris na Musgueira, o Corpo de Intervenção da PSP retirou-os a pulso da estrada. Elementos do grupo queixaram-se de violência.

27/06/2013 - 12:16

Impedir de trabalhar os motoristas da Carris que não quiseram aderir à greve, não é também violência? É, e uma forma bem mais dolorosa. Vive-se de dia, não deixa marcas visíveis, mas fica oculta no profundo da mente e revive-se, à noite, em pesadelos.

27.06.2013 13:43


As manifestações das centrais sindicais dividiram-se no Rossio: a da UGT seguiu para o Terreiro do Paço, a da CGTP prosseguiu até à Assembleia da República e daí um grupo de 200 anarquistas avançou pelas Amoreiras para ir bloquear a Ponte 25 de Abril. Como bloquear auto-estradas é crime, foram cercados pelo Corpo de Intervenção da PSP, identificados, viram as mochilas ser revistadas e receberam notificações para comparecerem em tribunal.




No entanto, a maior manifestação ocorreu nas praias da linha de Cascais:

27.06.2013 23:46


Os trabalhadores por conta própria foram trabalhar:

27.06.2013 14:01


terça-feira, 25 de junho de 2013

Entendimento entre sindicatos de professores e MEC põe fim à greve


25.06.2013 14:52


As negociações entre os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação e Ciência (MEC) terminaram sem acordo, mas com a assinatura de uma acta de entendimento da qual resultou o fim da greve dos docentes às avaliações.

Nuno Crato, ministro da Educação, explicou em conferência de imprensa que mantém-se o aumento do horário de trabalho para as 40 horas e a mobilidade especial:


No caso da mobilidade interna, confirmam-se as declarações de ontem do secretário de Estado da Administração Escolar João Casanova de Almeida, passando os professores a poder ser colocados em escolas até 60 quilómetros, contados a partir da escola actual, em vez dos 200 quilómetros propostos pelo MEC.

Para reduzir ao mínimo os horários sem turmas — os chamados horários “zero” que, por não terem turmas, colocavam os docentes em mobilidade especial —, o Governo propôs outras medidas:
  • Actividades que serviam para completar horários, como a coadjuvação ao 1º ciclo, apoios e substituições, passam a ser incluídas nos horários zero.
  • Estes docentes poderão desempenhar funções fora das escolas, por exemplo, 280 professores vão trabalhar em comissões de protecção de crianças e jovens do Ministério da Solidariedade.
  • Os 100 minutos da direcção de turma permanecem na componente lectiva.
  • Os 6000 professores que pediram reforma em 2012 não vão ter componente lectiva atribuída no próximo ano lectivo, mesmo que ainda não tenham recebido resposta da CGA.

Mantém-se também a proposta do MEC, anterior à greve de 17 de Março, de que a aplicação da mobilidade especial será adiada para Fevereiro de 2015.

Aqui fica a entrevista do ministro da Educação na Edição da Noite da SIC:


25.06.2013 22:56



quinta-feira, 20 de junho de 2013

Entrevista a Nuno Crato no programa "De Caras" da RTP



19 Jun 2013


Sobre o programa de Matemática do ensino básico:

"O novo programa de Matemática, no que respeita aos conteúdos, é muito semelhante ao anterior, eu diria 99% semelhante ao anterior. O que acontece é que o programa anterior não confiava nos professores e estava recheado de recomendações pedagógicas, em meu entender caducas: tudo deve ser ensinado em contexto, tudo deve ser feito a partir de problemas, tudo deve ser feito a partir de situações de aprendizagem, desprezava a abstracção, desprezava o ensino sistemático. Do aspecto dos conteúdos era aceitável mas tinha um conjunto de recomendações pedagógicas muito dirigistas sobre os professores e, em meu entender, da equipa que fez o novo programa, em desacordo com a investigação psico-pedagógica mais recente.
O novo programa dá uma grande liberdade aos professores. Tem praticamente os mesmos conteúdos mas liberta o professor de todas as recomendações pedagógicas sobre a maneira como deve ensinar. O programa foi reajustado em aspectos mínimos e libertado da canga pedagógica e ideológica que tinha.
"

Sobre o centralismo do Ministério da Educação:

"Tenho-me verdadeiramente esforçado para reduzir o centralismo e a dimensão do Ministério da Educação, mas há muito mais a fazer. Por exemplo, a duração de cada tempo lectivo estava fixada, démos liberdade às escolas para fixar essa duração."

"Os pais já têm liberdade para escolher a escola para os seus filhos. Mas se a escola já estiver cheia, há uma prioridade para os que aí residem ou trabalham."


terça-feira, 18 de junho de 2013

Não pagar as PPP!





O relatório da comissão de inquérito às parcerias público-privadas (PPP), entregue ontem no Parlamento, afirma que “a utilização massiva de PPP em Portugal como forma de financiamento do Estado desvirtuou o seu objectivo fundamental: reduzir custos para o Estado e melhor satisfazer as necessidades públicas”.

Diz o relatório que os estudos encomendados pelo Estado, para suportar a celebração destes contratos, basearam-se “em cenários inflacionados e pouco realistas” e “o recurso excessivo às PPP teve por base a necessidade de os agentes políticos realizarem obra sem formalmente se endividarem” porque este tipo de encargos não tinha impacto na dívida pública nessa época.

Os contratos mais prejudiciais foram feitos no sector rodoviário, sendo a Lusoponte “um dos piores exemplos de concessões com portagem real que acarretam encargos para o Estado”. Neste caso, os acordos de reequilíbrio financeiro desta concessão já custaram aos contribuintes portugueses quase 847 milhões de euros.

A antigas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT) renegociadas em 2010, durante o Governo de José Sócrates, também recebem fortes críticas: “A comissão considera inaceitável que o Governo à época tenha assumido e aceite crescimentos elevados de tráfego que não eram de todo previsíveis” e que, não se tendo concretizado, obrigaram à compensação financeira dos concessionários.
O relatório alude especificamente aos ex-secretários de Estado dos Transportes, Paulo Campos, e das Finanças, Carlos Costa Pina e “repudia politicamente” este último pela “desresponsabilização que evidenciou” na renegociação destas PPP.

A anterior gestão da Estradas de Portugal, liderada por Almerindo Marques, é acusada de conivência com a opção política de massificação das PPP. Por isso, os administradores devem também ser “chamados a assumir as responsabilidades”, especialmente no que toca à contratação de subconcessões rodoviárias, como a obra do Túnel do Marão, parada desde 2011, onde foram assumidos encargos que puseram em causa a sustentabilidade da EP, apesar dos alertas do Tribunal de Contas e da Inspecção-Geral de Finanças. O relatório refere uma “carta de conforto” enviada à empresa por Mário Lino e Teixeira dos Santos, dois ex-ministros de Sócrates, assegurando o cumprimento, por parte do Estado, dos compromissos financeiros.

Também o órgão que supervisiona o sector dos transportes é severamente criticado: o IMTT “acusou incapacidade em exercer na plenitude a sua função de regulador”, nomeadamente no que se refere às PPP do sector ferroviário.
Diz o relator que a PPP Poceirão/Caia “é um exemplo concreto de que o recurso às PPP serviu essencialmente como forma de financiamento do Estado para realizar obra e não para garantir os seus objectivos fundamentais: menos custos para o Estado e maior eficiência na necessidade pública”.

Mesmo com a última renegociação — feita pelo actual Governo com uma poupança de 300 milhões de euros ao longo da vida dos contratos —, as PPP vão sobrecarregar os contribuintes em mais de 12 mil milhões de euros, pelo que a comissão “entende, por força dos pedidos feitos por autoridades judiciais, enviar o relatório ao Ministério Público”.


18.06.2013 20:51


José Gomes Ferreira recorda que as PPP começam a ser pagas a partir de 2014 e vão ser um rombo financeiro. Terminando a legislatura em fins de 2013, é óbvio que Sócrates não acreditava na sua reeleição nessa data e tencionava deixar o ónus da dívida sobre o governo que lhe sucedesse.
"É lamentável que não haja um poder político com determinação para dizer assim: estes contratos têm de ser expropriados, passam para o Estado, inserem-se na dívida pública e não pagamos juros de contratos leoninos a ninguém mais".
Apoiamos!


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Conferência de imprensa do ministro da Educação Nuno Crato



17 Jun, 2013, 14:26


Os exames de Português do 12º ano e de Português Língua não Materna foram realizados por mais de 70% dos alunos inscritos, o que levou o ministro Nuno Crato a elogiar os professores pelo brio profissional demonstrado. A decisão de manter a data de exame foi tomada para responder às preocupações manifestadas pelos pais sobre uma recalendarização de vários exames.

Os alunos que esta segunda-feira não conseguiram realizar os exames nacionais por causa da greve dos professores, poderão fazê-lo no dia 2 de Julho pelas 9h30, já depois de terminados os restantes exames da primeira fase.

Nuno Crato afirmou que são preparados vários enunciados com equivalente grau de dificuldade e depois sorteados pelo que está assegurada a equidade entre as três provas do exame nacional de Português do 12º ano.

Sobre distúrbios ocorridos, como no caso da escola secundária Sá de Miranda, em Braga, onde estudantes que não realizaram a prova por falta de professores invadiram salas onde esta decorria, Nuno Crato esclareceu que “o júri nacional de exames está em cima de todas as potenciais ocorrências e acompanhou um ou dois casos pontuais que levantaram maior preocupação e o júri avaliará caso a caso aquilo que pode fazer, dando, como é evidente, uma possibilidade aos alunos se se verificar que é necessário”.


domingo, 16 de junho de 2013

Entrevista a Nuno Crato no Jornal da Noite da SIC




16.06.2013 21:04


Amanhã [segunda-feira] teremos exames. Os alunos devem apresentar-se a exame na altura própria, meia-hora antes da hora marcada, pelo menos. Os professores devem apresentar-se. A máquina de distribuição de exames está toda em marcha, vai haver exames. Mesmo os alunos que não tiveram ainda notas lançadas podem apresentar-se a exame condicionalmente e todo o regulamento de exames vai manter-se.
O direito à grave é um direito que nós, evidentemente, reconhecemos, nem vale a pena discutir esse assunto. Os professores têm direito a fazer greve. Dito isto, deve dizer-se também outra coisa: os professores que não querem aderir à greve também têm direito a não aderir à greve. E os professores que não querem fazer greve não devem ser sujeitos a pressão.


"Temos um calendário de exames que foi marcado há meses, não fomos nós que escolhemos esta data para haver uma greve."
O ministério tentou até ao fim [conseguir uma solução com os sindicatos]. Estivemos toda a sexta-feira mais uma vez reunidos mas que o melhor que conseguimos foi uma declaração dos sindicatos da UGT de que não gostariam que houvesse uma escalada de greves o que é, evidentemente, bom mas não chega. Os sindicatos não quiseram comprometer-se, [garantindo] que não fariam mais greves em todo o período de exames, que se prolonga até ao dia 18 de Julho.
"[O adiamento do exame para o dia 20] era uma solução extremamente difícil, já há outros exames marcados para esse dia.


sábado, 15 de junho de 2013

A greve dos docentes do ensino não superior III


Milhares de professores vindos de todo o país manifestaram-se em Lisboa contra a extensão do horário de trabalho das 35 para as 40 horas semanais e contra a mobilidade especial.
Depois de se concentrarem na Praça Marquês de Pombal, os manifestantes desfilaram na Avenida da Liberdade até à Praça dos Restauradores, onde os líderes das duas grandes federações sindicais de professores, a Fenprof liderada por Mário Nogueira e a FNE por Dias da Siva, discursaram.



15 Jun, 2013, 19:21


15 Jun, 2013, 20:44


15 Jun, 2013, 20:44


Observaram-se comportamentos excessivos e desfilaram cartazes com linguagem imprópria de ser usada por um professor. Devem os docentes demarcar-se deste tipo de situações se pretendem recuperar o prestígio que a classe detinha junto da opinião pública há algumas décadas. Eis um exemplo divulgado no PÚBLICO:



O professorado não se revê neste cartaz pesente na manifestação.


A greve dos docentes do ensino não superior II




PÚBLICO

O calendário de exames foi organizado de modo que os exames de Português e Matemática do 12º ano ocorressem em semanas diferentes. Portanto é impensável mudar o exame de Português, que vai ser feito em 17 de Junho por 75 000 alunos, para a semana seguinte. Além de que também vai decorrer nesse dia o exame de Latim do 11º ano.
Falam os sindicatos, o PCP e o BE, com Seguro discretamente em painel de fundo, em mudar o exame para quinta-feira dia 20 de Junho. Esquecem que nesse dia está marcado o exame de Filosofia do 11º ano, o que vai prejudicar, e gerar protestos, dos alunos que pretendem repetir este exame porque vão ser obrigados a fazer dois exames no mesmo dia.

O ministro Nuno Crato diz que adiar o exame seria abrir um grave precedente e não é retórica. No dia 27 de Junho há uma greve geral o que, na prática, significa uma greve da função pública e do sector empresarial do Estado, e os delegados sindicais já apelaram nas escolas para que os professores adiram a essa greve geral.
Como nesse dia se realizam os exames de Matemática do 2º ciclo, e também do 3º ciclo, essa greve iria afectar nada mais, nada menos, que cerca de 200 000 alunos. Mais dois exames que teriam de ser adiados, com a confusão a instalar-se nas escolas e alunos e pais a ficarem à beira de um ataque de nervos.


15.06.2013 13:29


O problema começou quando vários docentes do grupo de recrutamento de Educação Visual e Tecnológica ficaram com horários ‘zero’ no actual ano lectivo, ou seja, sem qualquer turma, arriscando-se a ir para a mobilidade especial.
Também há alguns professores de Educação Física ressabiados porque a disciplina deixou de contar para a média dos alunos que pretendem entrar no ensino superior, mas não querem seguir Educação Física.

Só um ingénuo é que não enxerga o dedo do partido comunista na marcação cirúrgica destas greves para provocar prejuízos irreparáveis a todos os alunos do 6º, 9º, 11º e 12º anos e acicatar os protestos dos pais contra o Governo.
Aproveitando o empobrecimento das famílias derivado das medidas de austeridade e o consequente descontentamento popular, pretende-se aumentar a instabilidade para agravar as taxas de juro dos empréstimos a que é preciso recorrer para financiar a despesa pública o que vai gerar mais austeridade e, num processo recorrente, criar o caos indispensável para provocar a demissão do Governo. Seguir-se-ia um governo socialista minoritário, obviamente de vida curta.
Quanto mais instabilidade, mais pobreza. Surgiriam convulsões sociais e, alcançada a situação de ingovernabilidade do País, a esquerda radical conquistaria pela luta aquilo que nunca conseguirá pelo voto: chegar ao poder.

Entretanto o Júri Nacional de Exames (JNE), um organismo dependente do Ministério da Educação e Ciência, enviou na passada quarta-feira uma mensagem escrita aos directores das escolas com a orientação de que deviam convocar para o serviço de vigilância aos exames da próxima segunda-feira 17 de Junho, todos os docentes de todos os níveis de ensino pertencentes aos respectivos agrupamentos.
Ordem que foi imediatamente cumprida pelos directores das escolas com a convocatória de todos os docentes para uma reunião que decorreu após 48 horas — o prazo mínimo estipulado no Código do Procedimento Administrativo —, portanto ontem à tarde, onde foram transmitidas as instruções a cumprir no serviço de exames que se inicia na segunda-feira, pelas 9:30, com a prova de Português do 12º ano.
Portanto, ao contrário do que se tem passado até agora em que um único professor em greve podia inviabilizar a reunião do Conselho de Turma de avaliação dos alunos, ou todos os professores se dispõem a fazer greve em 17 de Junho, com a consequente perda de um dia de salário, ou têm de cumprir o serviço de exames.

Os directores também receberam instruções para substituírem os docentes, tanto os elementos credenciados para receber os sacos dos enunciados das mãos da GNR ou PSP, como os elementos do secretariado de exames que recebem as provas e as distribuem pelas salas e no final as recebem e guardam em local seguro. “Em caso de necessidade” os directores podem ainda vigiar os exames.

O JNE esclareceu ainda que os exames poderão ser efectuados mesmo que não haja professores coadjuvantes na escola — um ou dois professores da disciplina em avaliação que estão isolados a resolver o exame e a detectar possíveis erros.

Nestas condições, é muito provável que, no dia 17 de Junho, quase todos os alunos possam fazer os exames de Português do 12º ano e de Latim do 11º ano.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

A greve dos docentes do ensino não superior I


Os professores do ensino básico e secundário estão em greve às avaliações e foi apresentado pelos sindicatos um pré-aviso de greve para a próxima segunda-feira. Em causa está o aumento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais e a aplicação do regime de requalificação profissional e da mobilidade geográfica aos docentes.

Analisemos a questão do horário de trabalho:

O Estatuto da Carreira Docente (ECD) fixa, no artigo 77º, a componente lectiva em 25 horas semanais, no caso do pessoal da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, ou 22 horas semanais (1100 minutos porque 1 hora = 50 minutos em sala de aula), no caso dos restantes ciclos e níveis de ensino.

A diferença para 35 horas constitui a componente não lectiva que, segundo o artigo 82º do ECD, abrange a realização de trabalho a nível individual e a prestação de trabalho a nível do estabelecimento de ensino.
O trabalho a nível individual pode compreender, para além da preparação das aulas e da avaliação do processo ensino-aprendizagem, a elaboração de estudos e trabalhos de investigação de natureza pedagógica ou científico-pedagógica.
Portanto a extensão do horário vai aumentar teoricamente esta componente não lectiva em mais 5 horas. E dizemos ‘teoricamente’ porque os docentes das disciplinas científico-humanísticas, pelo menos, são obrigados a dedicar mais tempo do que o previsto ao trabalho a nível individual, como o ministro Nuno Crato reconhece e tem declarado repetidamente.

Então qual é o pomo da discórdia?

No ano lectivo que agora finda, a disciplina de Educação Visual e Tecnológica (EVT), passou a ser leccionada de dois para um único docente. Tal medida reduziu a metade o número de turmas disponíveis e atirou inúmeros docentes de EVT para horários ‘zero’, ou seja, sem turmas atribuídas. Justamente a disciplina leccionada pelo grupo de recrutamento do líder da Fenprof, Mário Nogueira.

Esta situação, que está a criar angústia entre os docentes dos outros grupos de recrutamento que temem ficar na mesma situação, foi aproveitada pelos sindicatos para espalharem rumores de que aulas de apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem passariam para a componente não lectiva.

Durante o terceiro período deste ano lectivo, os delegados sindicais afixaram cartazes na porta de entrada das escolas onde se lembrava a cada docente que podia ser a última vez que entrava numa escola como professor.

Na quarta-feira 5 de Junho, os delegados sindicais reuniram com os professores nas escolas para organizarem a greve às reuniões de avaliação dos anos de exame, a decorrer entre 7 e 14 de Junho, de modo que a cada reunião só faltasse um docente, o que reduz drasticamente o custo financeiro da greve e motivou os docentes a aderirem à greve.

Para sossegar os docentes, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) apressou-se a divulgar o Despacho Normativo que vai regular a organização das actividades lectivas no ano lectivo 2012-2013.
Em vão. Criado um ambiente de grande tensão, os docentes nem repararam que apenas passa para a componente não lectiva as duas horas da direcção de turma:

Artigo 9.º
Componente não letiva

(...)
5. O director, atendendo às especificidades da turma, atribui o tempo necessário para o exercício das funções de direcção de turma nas horas da componente não lectiva de estabelecimento (...), ou nas horas de redução ao abrigo do artigo 79.º do ECD [concedidas aos docentes que atinjam 50 anos de idade e 15 anos de serviço docente].

O MEC confia que os 6000 pedidos de aposentação de professores em fila de espera vão compensar a diminuição do número de turmas e fazer desaparecer os 600 horários ‘zero’ do ano lectivo que agora finda.

No entanto, sejamos claros. Como a taxa de natalidade continua a diminuir, os alunos que entram no 1º ano não compensam os que terminam o 12º ano, diminuindo lentamente o número de alunos nas escolas. Com o decorrer dos anos, inevitavelmente, vai haver um decréscimo do número de turmas podendo eventualmente pôr em perigo o emprego de alguns docentes do quadro.

Arregimentados os docentes, a Fenprof, seguida pela FNE, apresentou um novo pré-aviso de greve, no dia 7, agora para as restantes reuniões que vão decorrer entre 17 e 21 de Junho.
E ontem, mais um pré-aviso de greve para as reuniões que forem adiadas e que venham a ser marcadas entre 24 e 28 de Junho.

Temos uma greve às pinguinhas.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Mãe de aluna agride professora na Escola Secundária Filipa de Vilhena


Uma professora da Escola Secundária Filipa de Vilhena, no Porto, foi agredida esta manhã pela mãe de uma aluna do 7º ano.

A adolescente está internada no hospital psiquiátrico Magalhães Lemos, depois de se ter tentado suicidar, e a mãe terá imputado à docente a responsabilidade pelos problemas psicológicos da filha.

A Directora da escola, Lurdes Ruivo, disse que “Tem sido uma odisseia muito grande, desde o início do ano lectivo”, recusando adiantar mais pormenores sobre o sucedido, porque “as autoridades estão a investigar o que se passou”.
No entanto, acrescentou esperar que “sejam tomadas as medidas necessárias para que, num sítio público como é uma escola, não voltem a ocorrer episódios deste tipo”.


Recordemos algumas regras básicas de organização de uma escola. Para além dos serviços administrativos, os encarregados de educação só podem falar com o Director de Turma (DT), no horário de atendimento constante do horário deste, e na sala de atendimento dos Directores de Turma para onde são conduzidos por um(a) assistente operacional. Se o DT estiver ausente, poderão ser recebidos pela Direcção da escola.

As agressões ocorreram dentro de uma sala de aula, pelo que ocorre-nos uma sequência de perguntas sobre a organização desta escola:

  • Como conseguiu a mãe da aluna passar pela portaria da escola sem indicar o objectivo da sua visita ao assistente operacional que aí presta serviço? Se havia uma odisseia, esse funcionário público devia ter directivas claras sobre o procedimento em casos problemáticos.
  • Como conseguiu a mãe da aluna passar pela recepção da escola sem indicar o objectivo da sua visita ao assistente operacional que aí presta serviço?
  • Como conseguiu a mãe da aluna saber onde estava localizada uma determinada sala de aula? Saber o número da sala não permite saber onde essa sala está localizada no edifício da escola.
  • Como conseguiu a mãe da aluna passar pela assistente operacional de apoio ao conjunto de salas de aula, numa das quais se encontrava a docente agredida, sem ser interpelada por essa funcionária pública?

Quando a função pública faz greve, os directores das escolas mandam encerrar imediatamente os estabelecimentos de ensino se não houver um número de assistentes suficientes para ocupar estes lugares. Ora a escola estava a funcionar, portanto temos de concluir que os funcionários se apresentaram ao serviço.

Os directores das escolas querem receber suplementos remuneratórios como gestores, estão sempre a reivindicar maior autonomia ao Ministério da Educação e Ciência, e depois não são capazes de aplicar as mais elementares regras de gestão?

Deram os directores das escolas instruções aos directores de turma para que fosse explicado aos alunos, e respectivos encarregados de educação, o Estatuto do Aluno e Ética Escolar que devolve a autoridade aos professores, dentro e fora da sala de aula, no exercício das suas funções?

Senhora Directora Lurdes Ruivo, são os docentes da Escola Secundária Filipa de Vilhena que esperam que senhora tome as medidas necessárias para que, num sítio público como é uma escola, não voltem a ocorrer episódios deste tipo.


Quanto ao comportamento da mãe da adolescente, este comentário à notícia diz tudo:

Anónimo 12/06/2013 18:08
Esta ideia jacobina iniciada há já alguns anos de permitir que os pais se intrometam no regular funcionamento das escolas dá nisto! Sempre fui contra, e cada vez sou mais, que os pais se achem no direito de se intrometer naquilo que não percebem, ou seja, na escola.
Desde quando é que um pai vai dizer ao médico que medicamentos ele deve receitar ao filho ou como deve ser realizada uma operação? Não vai porque, na maioria dos casos, não percebe nada do assunto... Então, por que se acham no direito de o fazer relativamente ao ensino quando, de igual forma, e na maioria dos casos, não percebem também nada?


Nota:

Neste blogue as caixas de comentários permanecem sempre abertas para dar a todos os elementos da comunidade o direito ao contraditório.


sábado, 1 de junho de 2013

Humor em Junho




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Na passada quinta-feira assinalou-se o dia do Corpo de Deus sem ser feriado em Portugal, o que se repetirá até 2017, pelo menos, passando a festa religiosa a ser celebrada no domingo seguinte, como já acontece em muitos países da Europa.

Mas a CGTP-IN decidiu assinalar este dia como um “Dia de Protesto e Luta” para demonstrar ao patronato e ao Governo que os trabalhadores “não desistem de lutar contra o roubo dos feriados”.