quinta-feira, 28 de março de 2013

As mentiras de José Sócrates



27 Março 2013


Leva este senhor 45 minutos (metade do tempo da entrevista) a falar do PEC 4 que foi aprovado na cimeira europeia de 11 de Março de 2011 — antes de ser apresentado ao Presidente da República e ao Parlamento o que, obviamente, é uma falta de lealdade institucional —, e esquece-se de dizer que tudo isso se passou três meses depois de andar a discutir o PEC 3, ou seja, o orçamento de Estado 2011.

E o que sucedeu a esse brilhante PEC 3? Fracassou. O governo estava a executar o orçamento escondendo despesas debaixo do tapete e os mercados fecharam-se e obrigaram-no a pedir um empréstimo à China com uma taxa de juro colossal de 6,7%!

Se pensa que já esquecemos, está muito enganado: a história dos PEC’s ficou registada aqui.

Quanto ao discurso da tomada de posse do segundo mandato como presidente da República — 9 de Março de 2011 —, concordamos que foi um acto de hipocrisia de Cavaco Silva.


A seguir, diz José Sócrates:

"No memorando inicial não estava nem o corte no 13º mês, nem o corte do subsídio de férias."

O texto inicial do memorando da troika não explicitava o corte salarial que foi aplicado aos funcionários públicos em 2012. O documento de 17 de Maio de 2011 previa o "congelamento de salários, em termos nominais, em 2012 e 2013".
Mas fixava metas orçamentais até 2015 que só podiam ser atingidas com forte redução da despesa pública, ou nos salários dos funcionários públicos, ou nas pensões.

O anterior Governo previa um corte nas pensões acima de 1500 euros, a partir de Janeiro de 2012, análogo à primeira redução salarial da função pública no ano anterior. Hoje, é óbvio que seria insuficiente para reduzir o défice.


"Foi em 2012 que a dívida pública mais subiu. Entre 2008 e 2010, subiu 20 pontos. Entre 2010 e 2012, subiu quase 30 pontos."

Responde Helena Garrido, subdirectora do Negócios: "A afirmação é falsa nos números e esconde que foram assumidas responsabilidades do passado assim como o facto de terem sido integradas na dívida responsabilidades de empresas."

E demonstra: "Os números: Entre 2008 e 2010 a dívida pública em percentagem do PIB aumentou 21,7 pontos percentuais e entre 2010 e 2012 subiu 27,2 pontos percentuais.

Poderíamos dizer que José Sócrates arredondou os valores. Mas tendo o ex-primeiro-ministro usado a diferença entre um rácio, o período que lhe pertence (2008 a 2010) sai beneficiado, uma vez que o PIB caiu menos nessa altura do que entre 2010 e 2012.

Devemos então olhar para os valores absolutos. Entre 2008 e 2010 a dívida pública aumentou 38 mil milhões de euros e de 2010 a 2012 subiu 38,2 mil milhões de euros. Ou seja, não há uma vantagem clara da sua era governativa.

Mais importante ainda é o facto de José Sócrates ter ignorado que foram assumidas dívidas do passado nos períodos mais recentes e alteradas as regras contabilísticas.
Em 2012, por exemplo, as autoridades obrigaram a alterações na contabilização de suprimentos feitos pela Parpública num dos veículos constituídos para o BPN, no valor de 750 milhões de euros, de acordo com o que foi anunciado pelo secretário de Estado do Orçamento. Os valores vão ser conhecidos esta quinta-feira com o Procedimento dos Défices Excessivos (PDE).
Em 2011, houve alterações contabilísticas que aumentaram a dívida pública, designadamente as associadas às ex-Scut’s e ao reforço de capital do BPN."


"Em 2009, vínhamos de três anos em que não aumentávamos os funcionários públicos."

Um relatório do Gabinete de Estratégia e Planeamento da Segurança Social mostra que houve aumentos nominais nos salários da função pública de 1,5% (em 2006), 1,5% (em 2007), e 2,1% (em 2008). Em 2009, ano de eleições, os aumentos foram de 2,9%, o valor mais alto desde 2001.
O mesmo relatório revela, porém, que esses aumentos nominais foram sempre inferiores à inflação, logo a função pública perdeu poder de compra.


"Os custos com PPP que deixei são inferiores àqueles que recebi (...) Os encargos futuros com PPP a partir de 2012 são menores

Os encargos futuros com as PPP rodoviárias — que em 2005 eram de 10 mil milhões de euros, em 2012 —, tendo em conta a renegociação para a introdução de portagens nas Scut, passaram para 4 mil milhões de euros.
O antigo primeiro-ministro não referiu, contudo, que em 2014 o Estado começará a pagar pela disponibilidade das sete novas concessões lançadas pelo seu Governo.
A Ernst & Young, no estudo de 36 contratos que realizou para o Executivo, como estava previsto no memorando assinado com a troika, aponta que as estradas representam encargos líquidos futuros da ordem dos 8,7 mil milhões de euros, portanto 74% dos 11,8 mil milhões que custará a totalidade dos contratos.


"Passei seis anos a apostar nas energias renováveis para resolver o défice energético."

A aposta nas renováveis foi uma estratégia dos anos de Governo de José Sócrates, que permitiu reduzir a taxa de dependência energética do exterior que, em 2005, era de 89%, para 76,7%, em 2010, segundo dados da Direcção-Geral da Energia.
Portanto foi possível diminuir as importações de carvão e gás natural na produção de electricidade.

Em contrapartida criou um défice tarifário da electricidade, em parte relacionada com o sobrecusto das energias renováveis face aos preços do mercado, que está quase nos 4 mil milhões de euros.
Como muito bem assinala um dos comentadores do Negócios, as últimas semanas comprovam o absurdo energético criado em Portugal:
"Devido à muita chuva, temos actualmente uma produção hídrica brutal com várias barragens a despejar água para nada. Onde é que está o problema? O problema é que, apesar do excesso hídrico, o sistema é obrigado a consumir eólicas e outra produção em regime especial (PRE), a um custo enorme. Neste mês houve imensos dias em que o custo da energia durante a madrugada era transaccionada a 0€/MWh no mercado ibérico devido a este excesso, no entanto temos que consumir obrigatoriamente toda a produção eólica suportando o sistema tarifário o custo regulamentado (e caro)."

Veja-se a quantidade de energia que Portugal cedeu quase a preço 0€ ao longo do corrente mês de Março:



Clicar na imagem, ou ver aqui depois de passar para o âmbito mensal.


Solução para o país preconizada por Sócrates:

"O país tem urgente necessidade de parar com a austeridade (...) fazer investimento económico."

É justamente o que a população anseia. Só esqueceu dizer onde ia buscar o financiamento, como é apanágio de um demagogo.



A análise de José Gomes Ferreira


segunda-feira, 25 de março de 2013

Um paraíso fiscal em apuros


A Rússia manifestou consternação pelo modo como a Zona Euro estava a gerir a crise da dívida em Chipre, mas resistiu aos pedidos do presidente cipriota Nicos Anastasiades que solicitava uma prorrogação do empréstimo russo de 2011, no valor de 2,5 mil milhões, e uma redução da taxa de juro de 4,5% para 2,5%.
Moscovo queixava-se da discriminação de empresas que dependem de Chipre como centro offshore, mas não aceitou envolver-se num compromisso financeiro e estratégico que poderia criar atrito com a Europa.
Na semana passada, a Rússia também recusou uma oferta cipriota de participações nos bancos e nas reservas offshore de gás natural em troca de um novo financiamento de 6 mil milhões de euros, o que para a Reuters é um sinal de que Moscovo está relutante em se estender geopolítica e financeiramente.
O resgate europeu de 10 mil milhões de euros, acordado entre o Chipre e a troika, que mereceu a aprovação do Eurogrupo esta madrugada, satisfez Moscovo.

O acordo prevê o fecho do segundo maior banco do país, o Laiki Bank, com os activos recuperáveis e os depósitos garantidos — na UE os depósitos até 100.000 euros estão garantidos — a serem incorporados no Bank of Cyprus, o maior de Chipre. Os depósitos superiores a 100.000 euros, os accionistas e os detentores de dívida dos dois bancos vão contribuir para a recapitalização do Bank of Cyprus, pela aplicação de uma taxa até 40% que vai gerar 7 mil milhões de euros.
Segundo Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças da Holanda, que preside actualmente ao Eurogrupo, a contribuição do Laiki representará 4,2 mil milhões de euros no total de 7 mil milhões.

No entanto, o primeiro-ministro Dmitry Medvedev criticou este acordo porque vai infligir pesadas perdas aos depósitos superiores a 100.000 euros nos dois principais bancos cipriotas. "Continua o roubo do que já tinha sido roubado", terá afirmado Medvedev numa reunião do governo.
Na verdade, acredita-se que pertence a russos a maior parte dos 19 mil milhões de euros em offshore e vindos de fora da UE, nos bancos cipriotas, pela última contagem do Banco Central Europeu, em Janeiro. Dos 38 mil milhões de euros em depósitos na banca cipriota, 13 mil milhões vieram de fora da UE.
Após a reunião com o primeiro-ministro Medvedev, o vice-primeiro-ministro Igor Shuvalov disse que as perdas para os investidores russos em Chipre ainda não eram claras mas a sucursal cipriota do VTB, o banco comercial russo, não seria afectada pelas medidas do governo cipriota. "O que está a acontecer é um bom sinal para aqueles que pretendem mover o seu capital para... os bancos russos", disse Shuvalov. "Nós temos bancos muito estáveis."

Depois de estarem sob fortes críticas, na semana passada, pela aprovação de um acordo que teria atingido os pequenos aforradores numa ilha mediterrânea que tinha um sistema bancário sobredimensionado, a Alemanha e os seus aliados mudaram de direcção e forçaram Anastasiades a aceitar enormes perdas para os grandes depositantes.

Segundo fontes de Bruxelas, Merkel deu instruções muito claras de que teria de ser obtido um acordo com a troika antes dos 17 ministros das Finanças do Eurogrupo serem convocados.
Para tal, um pequeno grupo liderado pelo presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e formado pelo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pela directora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, negociou com Anastasiades e o ministro das Finanças cipriota, Michael Sarris, durante o domingo.
Enquanto Pierre Moscovici, ministro das Finanças francês, declarava "Para todos aqueles que dizem que estamos a estrangular todo um povo ... Chipre é uma economia de casino que estava à beira da falência", Wolfgang Schäuble e os outros ministros das Finanças da Zona Euro aguardavam.
Com Merkel e o presidente francês François Hollande à espera, prontos para serem consultados a qualquer momento.

O Laiki e o Banco de Chipre não receberão nenhuma ajuda dos 10 mil milhões de euros que serão emprestados pela Zona Euro e pelo FMI.
"Sempre dissemos que não queríamos contribuintes a salvar bancos, mas antes bancos a salvar-se a si próprios. Será esse o caso em Chipre", congratulou-se a chanceler Merkel. "Este resultado é o correcto: põe o essencial da responsabilidade sobre os que causaram estes desenvolvimentos errados. É assim que deve ser."

Este acordo termina o status da ilha de Chipre como um centro financeiro offshore para russos e britânicos ricos, que era o desejo da Alemanha desde o início, e deixou a oposição alemã de centro-esquerda sem argumentos.
Além disso, reforça a imagem de Merkel como um negociador duro que só expõe os contribuintes alemães a resgates da Zona Euro em troca de compromissos de reforma.



Christine Lagarde e Jeroen Dijsselbloem no final das negociações.
Imagem: AFP

No entanto, este acordo tem riscos significativos. Depois de uma semana em que os bancos cipriotas estiveram fechados, o país enfrenta um ajustamento substancial na sua economia — o PIB deverá encolher cerca de 10% — e há o risco de fuga de capitais que pode fazer fracassar a recapitalização dos bancos.
Os dois bancos no centro da crise — o Laiki e o Banco de Chipre — têm sucursais em Londres, que permaneceram abertas durante toda a semana e não colocaram limites aos levantamentos. O Banco de Chipre detém 80% do russo Banco Uniastrum que também não colocou nenhuma restrição aos saques na Rússia.
Enquanto a população cipriota fazia fila nas caixas automáticas para retirar diariamente 1000, depois 260 e nos últimos dias apenas 120 euros, outros depositantes usaram uma série de técnicas para retirar dinheiro. Desde fundos concedidos às empresas para evitarem incumprimento em negócios, até transferências para o comércio de produtos humanitários, medicamentos e combustível para a aviação, houve de tudo.
"Estou confiante de que o programa irá funcionar, mas vamos ser honestos. Neste momento, não podemos dizer exactamente qual o impacto", afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. "Vai depender do nível de implementação e no compromisso de Chipre."


*


Irá o governo de Anastasiades implementar um programa que não queria?

A imagem de Merkel que, nas últimas semanas, aparecia em uniforme nazi nos cartazes das manifestações em Nicósia, vai sofrer danos fora da Alemanha e haverá um aprofundamento da divisão entre o Norte da Europa e o Sul.
Algo que faz lembrar a guerra civil nos Estados Unidos, em meados do séc. XIX, quando os Estados agrícolas do Sul saíram da União para não aceitarem a abolição da escravatura imposta pelo Norte industrial, porque a perda da mão-de-obra escrava ia prejudicar gravemente a sua economia.

Recordemos que há outros paraísos fiscais: o Luxemburgo (na Zona Euro), as Ilhas Cayman, Ilhas do Canal e Gibraltar (no Reino Unido, logo na UE), Andorra, Suíça, Liechtenstein, ... Muitos, se não a maioria deles, também têm um rácio Depósitos bancários/PIB muito alto.
E se o Reino Unido estará sempre fora da Zona Euro, já o Luxemburgo está no seu coração mas, claro, longe da falência.


sábado, 23 de março de 2013

O diabo veste Armani


O Negócios é um jornal posicionado na área socialista que procura dar uma informação económica e financeira isenta. Tem produzido infografias sobre vários temas — Eleições, Anatomia do apoio financeiro a Portugal, Sobrecustos da política energética, Poder de compra nos municípios, ... — muitas das quais republicámos, com a devida vénia, neste blogue. Também muitos artigos do seu director, subdirectora, jornalistas e articulistas foram aqui reproduzidos.

Mas “A paixão de Sócrates” não é um artigo isento. É um panegírico ao indivíduo que deu despachos prejudiciais a zonas ambientais protegidas — caso Freeport —, nomeou gestores para empresas públicas que alinharam em negociatas ruinosas — processo Face Oculta —, despejou computadores sobre a sociedade portuguesa muitos dos quais foram parar à prateleira, outros ao caixote do lixo, atirou para as escolas quadros interactivos que são usados como ecrãs de projecção, assaltou um banco, o BCP, colocando-o nas mãos de correligionários, que agora teve de ser capitalizado com dinheiro do empréstimo concedido pela troika e nacionalizou outro, o BPN, um pequeno banco falido com imparidades de 600 milhões, em 2008, que acabou por custar 3000 milhões aos contribuintes em 2011.
É um louvor a quem assinou os contratos com os produtores de energia que vão tornar dolorosa a factura da EDP nos próximos anos, fez as Parcerias Público-Privadas cujas rendas vão pesar, a partir deste ano de 2013, nos parcos orçamentos familiares, contraiu empréstimos com taxas de juro de 6,7% num País sem crescimento económico, duplicou a dívida pública em seis anos e que desviou, através da mãe e de um tio materno, centenas de milhões de euros para offshores à custa dos quais leva uma vida de luxo em Paris há quase dois anos.

Só o acordo de cavalheiros que existe entre PS e PSD e impede de prender ministros, secretários de Estado ou líderes parlamentares desses partidos que cometerem crimes, como Isaltino de Morais, Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Armando Vara, José Sócrates, ... , pode permitir que este último, o primeiro-ministro que mais mentiu e endividou este país, se encontre em liberdade.

Passos Coelho também mentiu sobre os cortes salariais para chegar ao poder? Claro que mentiu! Sem mentir ninguém ganha eleições num País analfabeto funcional, com 300 mil diplomados nas “Novas Oportunidades” e com licenciaturas compradas em universidades privadas.
Alguém acredita que o líder do PS que for a eleições em 2015 — seja Seguro, António Costa ou outro — vai ganhar eleições sem mentir?
A questão é a responsabilidade de Sócrates no endividamento com altas taxas de juro e na assinatura de contratos ruinosos para o Estado.

Um populista que tem seguidores apesar de ter arrastado o País para uma situação de bancarrota, é um colosso na opinião do director do Negócios. Confrontemos datas:

"Fundada em 1995, a Cofina é uma das principais empresas de media portuguesas.
Actualmente a empresa detém um portfolio de 5 jornais e 9 revistas em Portugal, sendo caracterizada pelo crescimento sustentado da rentabilidade, quer por via orgânica, quer através de aquisições.
"

Guterres chegou ao poder em 1995 e, com um pequeno interregno, os socialistas mantiveram-se no poder durante 12 anos. E Sócrates favoreceu a comunicação social pois, sendo um indivíduo com uma reduzida preparação económico-financeira, só podia ganhar eleições graças à propaganda dos media.
Compreendemos a gratidão de um novo grupo da comunicação social que nasceu e cresceu à sombra do socialismo. Mesmo assim, este artigo é indesculpável e desacredita o Negócios.

Hitler teve o povo do seu lado e deixou a Alemanha em ruínas. Mas os alemães aprenderam a lição.
Mussolini criou um sonho que entusiasmou os italianos e deixou a Itália na miséria. O resultado das recentes eleições que deram o segundo lugar a um depravado Berlusconi, que criou um império da televisão explorando a ignorância e a amoralidade de uma população a quem vendeu programas de baixo nível cultural, evidencia que os italianos não aprenderam a lição.
Serão os portugueses como os italianos ou como os alemães? Mais de 200 reacções ao artigo são uma resposta inequívoca. Registamos algumas:


Trazanda
22 Março 2013
A usar paquistaneses para compor cenários, Luíses para lhe ajeitarem o cabelo, cenários de fundo pagos a peso de ouro e por aí fora, é natural que tivesse ficado como colosso! Esse colosso estamos todos nós a pagar com língua de palmo!

VLAD TEPES
22 Março 2013
Colosso? Já andas a beijar o ku à criatura para te encaixarem num pseudo governo súcia? Sócrates esteve metido em tudo o que foi trafulhice: Freeport, Face Oculta, PPP, ... Deixou o país falido, sem futuro e com uma dívida mastodôntica. Tem mais de 200 milhões em contas offshore.

Colosso e carismático?
22 Março 2013
Caro Pedro, você chama ao Pinócrates colosso e carismático, como se este regresso tivesse sido por sua iniciativa e mérito.
É difícil acreditar que você, uma pessoa tão bem informada, muito melhor do que qualquer dos leitores do Negócios, não esteja a ver mais este expediente baixo do inefável Relvas. Será que é tão difícil “ver” que o Relvas, na sua sagacidade pulha, que lhe é tão peculiar, mais não procurou do que instrumentalizar o ódio — não é exagerada a palavra — e o ressentimento que o ex-PM desperta na maioria dos Portugueses para imaginar uma estratégica mudança de alvo dos fortes ataques de que o Governo estava a ser o destinatário, para o novo alvo, o Pinócrates?
Poder-se-á perguntar se o ex-PM ganhará alguma coisa com esse sacrifício. Ganha, porque irá tentar, uma vez mais, enganar os Portugueses com as suas patranhas — não todos, acrescente-se — e branquear a sua imagem. Eu disse que irá tentar. Não disse que irá conseguir, porque este povo, apesar de ter sido metaforizado por Rafael Bordalo Pinheiro, entre outras gravuras soberbas, num burro com albarda, suportando em cima de si todos a choldra de parasitas do país, desde o rei a fidalgos falidos e por um clero tresandando a estearina, apesar disso, parece estar a passar, actualmente, por uma fase de abertura das suas mentes e mais liberto do temor e hipocrisia católicos. Nestes termos, não se antevê que o descanso para o escroque do Pinócrates seja muito.

Se as lideranças políticas fossem fortes
22 Março 2013
Na mentalidade fascista de alguns Portugueses nenhum líder político é forte para ser líder!
Líder de quê? Da escumalha partidária que saqueia Portugal? Fortes ou fracos os bandidos incompetentes lá ganharam os congressos do partido, com ou sem maioria lá ganharam as eleições, e com ou sem intenção lá conseguiram enterrar Portugal neste pântano Europeu. Portugal não precisa de líderes (como dizia o Vasco ... chapéus há muitos, seu palerma), Portugal precisa de bons estrategas, que consigam planear a economia Portuguesa a longo prazo.
Long-term economy planning, sim, o antigo regime fazia isso:
  • reduzir a dívida externa
  • diminuir as importações produzindo em Portugal
  • modernizar os transportes em Portugal (estradas, metro, ponte sobre o Tejo)
  • reduzir o analfabetismo (eu estudei em uma escola primária construída no tempo do Salazar)
  • produção de energia eléctrica construindo muitas barragens
  • instalar gás canalizado na grande Lisboa
  • construir centrais nucleares (reactor de Sacavém foi o primeiro passo)
  • criar escolas e universidades para ensinar electrónica (Universidade de Aveiro, Escolas Industriais Fonseca Benevides e Machado de Castro) para cativar investimento estrangeiro nessa área (Seagate, Texas Instruments, Timex, Standard Eléctrica, Philips, Grundig, etc.)
  • a expansão do porto de Leixões
  • construção do complexo de Sines
  • fábricas de armamento e manutenção de aeronaves (Braço de prata, OGMA).
Pedro, não sabe o bom que é ser velhote, ter visto um Portugal pujante e dinâmico, com uma população com confiança no futuro, ver famílias com 5, 10, 20 filhos e nenhum passava fome (mas eram pobres porque não tinham smart phones), filhos que faziam a quarta classe ou o nono ano em liceus e iam trabalhar, com muitos jovens a trabalhar e estudar de noite em escolas técnicas, e muitos que não gostavam, ou não podiam estudar, e emigravam para França, EUA, Alemanha e passados dois ou três anos vinham cheios de dinheiro para construir bonitas vivendas na sua terra natal e traziam moeda forte para melhorar a economia de Portugal. A maioria desses emigrantes recebe reformas do estrangeiro e continua a injectar divisas nas economia de Portugal.
Agora Portugal está moribundo e não tem qualquer interesse estratégico para investir, porque depois do 25 de Abril de 74, a escumalha política do PS, PSD e CDS-PP começou a destruir as tradições que tínhamos e Portugal perdeu o rumo. Acabaram com o benchmarking das Universidades quando deixaram criar demasiadas universidades privadas. O sector privado e o Estado abandonaram a ciência e a tecnologia e a juventude fugiu de cursos científicos tirados na Academia militar, na Universidade de Coimbra, na Universidade Técnica de Lisboa e na Universidade do Porto para estudar em áreas de parasitagem social — direito, economia, relações internacionais, ...
Na minha juventude quando decidi ir para a universidade, as médias para entrar nas públicas eram: Medicina perto de 20 valores, engenharias acima dos 14, letras 11, e economia 10! Nos anos 90 (no tempo do Cavaco) as médias para entrar em economia dispararam para perto dos 20 porque Portugal deixou de produzir e poupar, para gastar e endividar-se, e eram necessários muitos economistas para gerirem a nossa terceira bancarrota.
Sim, foram precisos muitos economistas para gerir as dezenas de bancos privados que se criaram, mas foi triste ver esses bancos a falir, e os contribuintes terem que os salvar. Foi triste ver a Fabrica Braço de Prata ser encerrada para construir a Expo98 (e ver a austríaca Glock a tornar-se a empresa líder mundial no fabrico de armas ligeiras), foi triste ver as OGMA a morrer (e ver a brasileira Embraer tornar-se em líder mundial em aeronáutica), foi triste ver a CASAL falir porque tinha motociclos muito melhores que a Piaggio (e ver agora a Piaggio produzir as famosas Aprilia), foi triste ver os maiores e melhores estaleiros navais da Europa — Lisnave e Setenave — desaparecerem (e ver a Noruega a florescer nessa área e tornar-se líder mundial em plataformas para extracção de petróleo).
Coisas que gostei de ver depois do 25 de Abril: gostei de ver o projecto da barragem do Alqueva ser implementado, de Portugal ter construído ETAR’s e aterros sanitários, gostei de ver Portugal como grande produtor de energia eléctrica verde (no oceano, geotérmica, barragens, eólicas, etc), gostei de ver o FCP a ganhar fama mundial como o Benfica o fez nos anos 60, gostei de ver empresas de I&D criadas por spin-offs das universidades públicas (software, micro-electrónica, comunicações ópticas, etc.).
Sim, o Sócrates endividou muito Portugal, mas ao menos tinha menos desemprego, e também nos deixou infra-estruturas úteis. Na minha opinião, de todos os primeiros ministros que governaram Portugal depois do 25 de Abril, o Sócrates foi o melhor. Não pensem que sou xuxa! Eu faço parte do 40% do eleitorado (abstenção) que não gosta das soluções PS/PSD/PP, emigrei para Inglaterra e nunca beneficiei de qualquer benesse do PS ou PSD. Gostem ou não, esta é a minha opinião. Agora que vivo e trabalho neste bonito, mas muito chuvoso país, gosto de comparar o pessoal que aqui vive (um povo que nunca teve ditadores) com os Portugueses, para melhor compreender por que Portugal tem imensos problemas. Vejo agora que os Portugueses gostam de soluções fáceis e que os bodes expiatórios funcionam na perfeição para se limparem de todas as culpas.
Bodes expiatórios? Sim, no meu último emprego em Portugal vi isso: tínhamos as vendas a cair e o patrão mudou de chefes no departamento comercial tentando culpabilizar os seus subordinados. Mas as vendas continuaram a cair e ele teve que despedir metade dos seus empregados e eu emigrei antes disso. A culpa não é toda do governo anterior, lembrem-se que o Sócrates não foi o responsável pela falência da Islândia, da Irlanda, da Grécia, do Chipre. Lembrem-se que os EUA, Andorra, Inglaterra têm dívidas gigantes e que os chineses andam a comprar ouro feitos malucos! Este capitalismo anda muito doente, a globalização é um desafio único na nossa história e dizer que o Sócrates é o nosso Hitler é enterrar a cabeça na areia. O Sócrates era um apaixonado por Portugal e teve um percurso muito parecido com o Hitler, que fez muitas coisas boas mas governou muito mal!

Tozé
22 Março 2013
Um colosso de 200 mil milhões de dívida e um carisma criado por pseudo jornalistas e afins...

Anónimo
22 Março 2013
Continua a glorificação do bandido. Como é possível a comunicação social continuar a preparar o terreno para o regresso do criminoso ao lugar do crime? Ao longo de 6 anos tiveram, como nunca, n oportunidades para jornalismo de investigação a sério, tantas foram as trafulhices e patifarias. O que se viu? Nem uma.
Enquanto lhe quiserem dar palco, o homem aproveita, mas o povo não é parvo nem esquecido. Pior que a comunicação social, só a justiça que branqueou todas as piratarias.
Deviam era remetê-lo ao esquecimento. E não venham com a questão do pluralismo de opiniões. Em termos públicos, tem de haver um mínimo de padrões morais para as pessoas emitirem opinião. Porque não abrir o palco a pedófilos, barões da droga, chefes de gangs ou genocidas? É como o comentário do Sr. David Dinis a dizer que o Sócrates é o político mais completo que conheceu — viu poucos grandes políticos como Churchill, Adenauer, De Gaulle. Só se for o mais completo em corrupção, aldrabice, irrealismo e irresponsabilidade, virtudes próprias dessa classe (nem todos).

Manuel Pinto
22 Março 2013
Podemos chamar-lhe tudo, até paixão, porém a governação destes últimos 40 anos de "gloriosos democratas" atirou um país que vivia de cabeça levantada, para um pântano, de onde não sabemos sair. O último líder, que nos empurrou mais para o fundo, está a chegar para, com a protecção de um canal público de televisão e a coberto da tal pluralidade, dar-nos lições de como se governa, mesmo não conseguindo passar a imagem de sabedor e sério. O país EM ESTADO crítico, insiste na PALHAÇADA. Tem à frente do canal público de televisão um director de programas que só pode ser uma anedota. Os seus superiores são farinha do mesmo saco.

Anónimo
22 Março 2013
Não sei se lhe chamaria colosso, mas certamente é um fenómeno a estudar. A petição on-line para evitar que vá para a RTP conseguiu a proeza de gerar 100.000 assinaturas em cerca de 24 horas. Parece-me algo inédito em Portugal. Isso não é notícia?

Anónimo
22 Março 2013
Um colosso também para o JdN que recebia publicidade desproporcionada de certos grupos a troco de "boa imprensa" ao governo. Estes grupos por sua vez acertavam as contas entre amigos nas PPP´s. País de retardados. Vão passar fome.

Cidadão independente
22 Março 2013
Gente sem carácter. Gente sem um pingo de vergonha. Gente oportunista. Foi isto que nos legou a nossa querida democracia. Falência financeira e económica e falência de valores, foi a que o país chegou. Os mais fracos à mercê dos poderosos. Os novos homens fortes da TV paga por nós, não têm mais imaginação do que recrutar um homem que é um dos principais coveiros do país?

Os Portugueses clamam por Justiça
22 Março 2013
A toada geral dos comentários aqui deixados é de repulsa, indignação e nojo pela vinda deste escroque corrupto. Porém, não se fala, não se reivindica, como devíamos, até porque a opinião pública tem um peso que não é possível descartar, não se exige da parte da Procuradoria-Geral da República (que para isso é paga pelos contribuintes) que cite este canalha a tribunal para responder por todos os seus crimes — e são vários e de grande monta —, a fim de que seja punido e — NÃO ESQUECENDO — que seja obrigado a devolver tudo o que roubou (diz-se que só em paraísos fiscais tem 200 milhões de euros), assim como os prejuízos colossais que provocou no erário público (o dinheiro dos contribuintes) com as negociatas sórdidas, nomeadamente as Parcerias Público-Privadas, em que o Estado (o nosso bolso) foi sempre prejudicado e as grandes construtoras foram as beneficiadas, designadamente a Mota Engil gerida pelo seu comparsa de partido, Jorge Coelho.
A Procuradoria-geral da República não pode eximir-se a cumprir a sua missão de punir os grandes crimes de colarinho branco em que este senhor José Sócrates foi personagem habitual. A par da agilização de outros processos já constituídos em que este cavalheiro é igualmente das principais personagens, como seja o Processo Freeport e o Face Oculta.

Anónimo
22 Março 2013
Como já algumas pessoas referiram, Sócrates nunca iria para comentador na RTP sem a autorização ou concordância do governo.
E o que vai fazer em 25 minutos? Seguramente não se vai defender, nem se justificar, vai fazer comentário político, numa altura em que o governo já sabe que não vai durar muito.
E o que vai dizer? Vai falar da Europa, da falta de rumo da Europa, blá, blá, blá. Não ataca o governo (porque apanhava de volta), não vai falar do passado (porque seria criticado todos as semanas) e abafa o líder Seguro mostrando um discurso mais forte e incisivo.
Objectivo disto tudo? Tentar desestabilizar a liderança de Seguro (depois da tentativa falhada com António Costa), para criar condições que outro líder apareça no PS, dentro da linha dos interesses onde está o governo e uma parte do PS, tudo a bem das corporações que realmente governam o país. Seguro é um não alinhado e não interessa que chegue ao governo (e não estou a dizer que Seguro é bom líder porque não é).

Barrosão
22 Março 2013
Não é ele que é um colosso, são os Portugueses que ainda não são, na sua maioria, Cidadãos de corpo inteiro, nem esta democracia uma Democracia de Cidadãos. Caso contrário o senhor estaria a responder num qualquer tribunal ou teria vergonha na cara.

Juros
22 Março 2013
Enquanto o colosso esbanjou dinheiro pelo país, ninguém se queixou, todos meteram ao bolso o máximo que conseguiram. Agora estamos a pagar e com juros!

apgfsilva
22 Março 2013
Ou o homem é um colosso ou o povo é uma mer...da. Chifres mansos! Só alguém que sabe que a manada não é de gado bravio é que pode ter estes laivos de inconsciência e achar normal! Senhor jornalista, desculpe mas não sabia que ‘carismático’ era sinónimo de ‘aldrabão’.

Anónimo
22 Março 2013
O CRIMINOSO VOLTA SEMPRE AO LUGAR DO CRIME.

Carlos1908
22 Março 2013
Náuseas Portuguesas
Isto faz-me lembrar (para além da náusea inevitável) aquela máxima do mercado de capitais segundo a qual é muito mais fácil investir num dado título do que, posteriormente, vendê-lo. E isto quer o negócio se tenha revelado proveitoso ou, pelo contrário, ruinoso. Se proveitoso, o investidor apaixona-se pelo título e pelo conforto que ele lhe deu; se ruinoso, o investidor recusa-se a aceitar a realidade e insiste no erro até ser tarde de mais.
Mas vem isto a propósito do Sócrates: ora os portugueses investiram nesse perigoso ignorante (perigoso, porque inteligente) e respectiva comandita — que em 6 anos nos desbaratou dezenas de milhar de milhões — essencialmente por três ordens de razões:
  • estupidez, ignorância ou dogmatismo;
  • protecção dos seus mesquinhos interesses de capelinha;
  • pura e simples fuga à realidade, com o correspondente adiamento do inevitável e doloroso choque com a mesma.
As razões do investimento popular no camarada Sócrates são hoje ainda mais prementes: o que o povo quer, tal como o investidor falido e em desespero, é uma solução milagrosa que só vendedores de banha-da-cobra, como Passos ou Sócrates, poderão ilusoriamente criar.
Parece-me por demais evidente que os poderes instalados em Portugal se preparam sofregamente para insistir nos mesmíssimos erros: veja-se a solução milagrosa do novo terminal de contentores de Lisboa. É de bradar aos céus a insistência doentia nos mesmos esquemas de obras públicas primárias que, procurando soluções e impactos a curto prazo, nos atiram inexoravelmente para as profundezas do abismo de dívida, da baixa organização e produtividade, do empobrecimento material e, por fim, da mais completa miséria moral.
Os portugueses são, hoje, investidores políticos falidos e desesperados que continuam a recusar assumir os seus erros. Não admira, portanto, que acolham de braços abertos os seus algozes.
Há, no entanto, um pequeno pormenor que complica tudo: acabou-se o dinheiro dos outros, o facilitismo do empréstimo e a ilusão da dívida.

Gil M.
22 Março 2013
Sou um defensor acérrimo destas entrevistas. Finalmente, vamos ter explicações cabais de como se pagaram as luvas no Freeport, em que offshore estão os quase 400 milhões de euros dos seus familiares, assim como a sua proveniência, e como é que no seu certificado universitário aparece um número de telefone começado em "22" vários anos antes de haver esse indicativo.

Manuel Lopes
22 Março 2013
Pois é, um colosso com pés de barro. Costuma dizer-se que entre cegos quem tem um olho é rei. Bastaria que, em Belém, em S. Bento e pelo país fora, todos tivessem também pelo menos um olho! Bastaria, para que nunca vingassem entre nós pessoas cheias de nada, vazios por dentro como esse tal Sócrates que, impunemente, arrastou o País para a situação em que se encontra.

COCAS
22 Março 2013
Qualquer País, precisa (sempre) de POLÍTICOS e não de politiqueiros. Sócrates é um desses POLÍTICOS que aparece (infelizmente) de muitos, em muitos anos. Se dúvidas houvesse, bastou poucos meses para vermos com quem estávamos metidos em termos políticos, financeiros e morais.
Os homens medem-se pelas suas acções diárias, pela coragem em enfrentar os problemas e sobretudo pelo discernimento com que resolvem os problemas, que se lhe vão deparando. Sócrates tem essa virtude. Comete erros? Claro que os comete! A maneira como os resolve é que o distingue desta gentalha que se apoderou do poder cobardemente. Poder-se-á perguntar para quê? A resposta é dada diariamente pelos descalabros em que meteram o País e os portugueses.

O que nos distingue dos irracionais é a inteligência
22 Março 2013
Caro COCAS, abre os olhos e acorda, amigo. Lamentavelmente, tu és um daqueles que personificam e foram o modelo em que se inspirou o portentoso Rafael Bordalo Pinheiro para a genial “charge” em que ele desenha, numa gravura, o Zé Povinho com uma albarda sobre as costas, simulando um burro, e suportando todo o bando, toda a corja de oportunistas corruptos, desde o próprio rei, passando pelos parasitas fidalgos falidos, cheios de dívidas, que não abdicam da sua prosápia vazia, acabando no clero católico "perfumado" a estearina e a hipocrisia, assim como no corpo de juízes igualmente corrupto e venal.
Acorda, amigo! Estás enganado, quanto a este escroque que se chama Pinócrates, que mais não passa de um arrivista demagogo, desonesto, que lesou o erário público, pelo que todos estamos a pagar, sendo que certamente também estás. Um Pinócrates que terá de responder em tribunal e ser condenado criminalmente, além de ter de devolver ao Estado (aos contribuintes) tudo quanto roubou e proporcionou roubar, designadamente nas sórdidas negociatas das Parcerias Público-Privadas — se é que neste país existe, de facto, Procuradoria-geral da República (mantida pelos contribuintes, não se esqueça). ACORDA, AMIGO!

PM
22 Março 2013
Chamemos as coisas pelos nomes: temos falta de grandes Estadistas, alguém com coragem, descomprometido, capaz de olhar para um futuro distante e não apenas para as próximas eleições, capaz de fazer o que tem que ser feito, com consciência, sem estar preso a favores políticos. Se esse Estadista não aparece (e não deverá ser um ditador), estaremos condenados a uma longa escuridão.
Precisamos de um destino para seguir, precisamos de justiça e bom senso. Precisamos de uma cura de desintoxicação de bancos, de PPPs, de aproveitamentos políticos, de erros contínuos. Precisamos de parar e ouvir a nossa consciência individual e colectiva, caso contrário vamos parar mesmo, mas na bancarrota.

Nuno Pequito
22 Março 2013
Paixões à parte, quer Sócrates esclarecer como é que conseguiu subir a dívida pública de 62% para 108% do PIB, entre 2005 e 2011, e arruinar as finanças do País?
Teve muitas oportunidades de explicar enquanto esteve em Paris. Sócrates é um dos CAMPEÕES mundiais da dívida e da ruína das finanças públicas. Não podemos ser carrinhos a pilhas que só sabem andar às voltas e chocar contra duas paredes, a do PS e a do PSD, com a muleta CDS a ajudar. Foi o PS que deixou o País na bancarrota financeira e abriu caminho para este governo que nos leva à bancarrota económica.
Chega de maçons, chega de Sócrates, chega de asneiras. A única coisa de que temos medo é que o Povo Português, que traçou caminhos novos, que deu novos mundos ao mundo durante toda a sua vida, agora que efectivamente precisa de o fazer esteja tão estupidificado e mole que não saiba fazê-lo, que não saiba criar alternativas ao PS, PSD, CDS, PCP e BE.
Se Sócrates quiser ainda explicar alguma coisa, compre tempo de antena numa das empresas privadas de televisão, não estamos para pagar esta porcaria com o nosso dinheiro. Isto não passa de parte de um plano da ala socrática do PS para vir novamente à tona.

Anónimo
22 Março 2013
Eu propunha que a primeira entrevista ao colosso Sócrates fosse conduzida por político com responsabilidades na televisão pública, não tão colossal como aquele, mas igualmente de elevado nível intelectual: o estimável académico Miguel Relvas.

Miguel Ribeiro e Silva
23 Março 2013 02:04
Muito bem observado, muito bem escrito. No momento em que o País precisava absolutamente de encontrar alguma consensualidade para evitar o abismo, o regresso de Sócrates à ribalta é uma tragédia. É o último prego no caixão.

Anónimo
23 Março 2013 10:52
Portugal é um país de eleitores desmiolados, olham para os líderes partidários e para os partidos como olham para os clubes de futebol, com a mesma paixão, o que lhes interessa é que o seu partido ganhe eleições e haja uns empregos, não lhes interessa se tem gente competente e honesta para gerir os destinos do país e o bem estar dos cidadãos.
O editorialista também acha que o homem que mais contribuiu para a bancarrota de Portugal, é o máximo como político. Na maior parte dos países, Sócrates certamente teria de justificar num tribunal o esbanjamento e delapidação dos nossos impostos presentes e futuros, mas nós não estamos na Islândia e é pena.

Anónimo
23 Março 2013 11:28
Discordo totalmente com esta opinião! O homem é de facto muito carismático, sem dúvida! Mas líder, não!
Líder é ter a capacidade, não de ser consensual, mas de unir e não dividir. É primar pelo exemplo e não ser o exemplo de um falhanço completo. É ser capaz de mobilizar em torno de um objectivo comum e não ser o expoente máximo do caminho que não se quer seguir. De facto Sócrates desperta ódios e paixões, não como um líder mas como um chefe, alguém que está no topo de uma hierarquia.
Sócrates só tem espaço porque, de facto, há falta de liderança na oposição. Mas o problema é que o ódio a Sócrates é maior que a adoração. E neste momento Sócrates representa o passado, o falhanço de um regime, de políticas erradas, de despesismo e demagogia. Saiba o poder vigente aproveitar isso e Sócrates cairá do alto da sua arrogância às mãos do povo!

Victor Duarte
23 Março 2013 11:49
Este "menino" Pedro Santos Guerreiro é o retrato e (mau) exemplo vivo da comunicação social em Portugal. O "menino" preocupa-se, e muito, com tudo o que envolve NÚMEROS (dinheiro, audiências e shows). Do resto, que é o mais importante, as PESSOAS, nada!
Aqui vai um poema dedicado a este "menino" e a outros tais como ele:

Ligo a rádio, a televisão, leio os jornais
e todos os dias, me aparecem os tais...
Eles são comentadores ou jornalistas, redactores, analistas
e economistas bem-falantes, educados e garbosos
só falam de números e mais números
são homens e mulheres muito talentosos.
Mas essa habilidade não nos acrescenta um vintém,
deviam-na usar para ajudar alguém.
Falam, debatem e discutem as previsões
apresentando números de milhares de milhões.
O IMI, o IRS e o IRC são estudados e debatidos,
usam termos e palavras para ficarmos desentendidos.
Argumentam como vai ficar a inflação,
questionam se vai, ou não, haver contracção,
refutam que se deva fazer renegociação.
Os credores riem... Mas o POVO NÃO!
Estou cansado da lengalenga,
não quero saber se estas coisas são más ou boas.
Faço apenas uma pergunta: E as PESSOAS? E as PESSOAS?

Anónimo
23 Março 2013 11:50
Foi Sócrates que abriu a porta à troika, logo colocou o país nas mãos de estrangeiros, por motivo de, no seu próprio reinado, na altura com a cumplicidade da maioria de esquerda na AR, a dívida portuguesa ter duplicado.
Como poderá Sócrates explicar o dinheiro que enterrou no BPN, por exemplo? O contribuinte não pagava, lembram-se? O Problema da UE são as dívidas soberanas, é o que vai ficar para a história. O desemprego é a consequência. Quem entender que a causa do problema é a dívida, não o desemprego, não acreditará em Sócrates. Mais fácil distribuir do que cortar.
Ora em tempos de vacas magras, sem margem para estoirar a "massa", aparecerem os políticos tipo "pai natal", dá para desconfiar! Vem aí melhores dias, a prova são os mercados, com os juros da dívida soberana em tendência de baixa, no fundo, são os mercados a anteciparem melhores dias. Sócrates e a máquina PS não entrariam num barco a afundar-se, por tradição fogem como Guterres e o próprio Sócrates indo para Paris... Vêm aí melhores dias, aposto!

Anónimo
23 Março 2013 12:18
Sócrates foi igualzinho a Soares, tiveram tudo para ser brilhantes mas não quiseram. São carismáticos, trouxeram novas formas ao seu tempo de fazer política dizendo às pessoas, não o que eles pensam, mas o que elas querem ouvir, usando as alianças a seu prazer e abusando das mentiras para ganhar votos, o problema do dois foi o mesmo: a meio esqueceram-se de governar o país! Por isso vai acontecer com Sócrates o que aconteceu com Soares, de derrota em derrota até ao descrédito total! O que a vaidade trás, a vaidade leva!

Anónimo
23 Março 2013 19:13
Com muita dose de imaginação até poderei estar de acordo. Sem isso não consigo vislumbrar no engenheiro Sócrates nada do que é referido. Devo ter andado muito distraído estes anos todos.
Num pormenor estou de acordo, este mito Sócrates só existe porque há falta de pessoas de referência na política portuguesa, caso contrário este senhor já estaria no anonimato há muito tempo. Mesmo assim só com a ajuda dos boys do jornalismo é que poderá fazer cócegas a alguém.
De uma vez por todas, se os portugueses querem fazer alguma coisa do país, têm que acabar com os chico-espertos que andam por aí à solta, tanto na política como no jornalismo, o resto irá a reboque. Estou farto de ouvir os fazedores de ideias baratas. Todos são muito inteligentes quando não estão no poleiro, vão para lá ficam bloqueados e é ver quem faz mais asneiras. Triste de um país que só de sentir o respirar do engenheiro(?) já estremece.

Manel
23 Março 2013
Pessoalmente, nada tenho contra Sócrates. Como Alexandre Soares dos Santos disse, é muito inteligente, é convincente na forma como contacta, é mentiroso, é desonesto e é, acrescento eu, um político na má acepção da palavra.
Este texto poderia ser escrito por toda a gente, mas nunca por um economista, director de um jornal económico. Podia aparecer na Caras, no Expresso, na Visão, no Crime, mas neste jornal dá uma péssima imagem do rigor de um director. Tenho a certeza que o director do Economist nunca escreveria o que o director deste jornal escreveu sobre um homem que mentiu e afundou descaradamente o país. O futuro mostrará quem tem razão, Seguro à parte.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Político não é profissão



Depois da decisão judicial ontem conhecida que impede Fernando Seara de se candidatar à câmara de Lisboa — uma vitória de um movimento cívico —, soube-se hoje que os impostos dos contribuintes estão a ser indevidamente usados para pagar despesas partidárias.

A Câmara de Gaia pagou os dois pareceres jurídicos que agora o PSD está a utilizar para defender as candidaturas dos autarcas que já fizeram três mandatos.

Contrapõe a autarquia liderada por Luís Filipe Menezes que a decisão foi aprovada pelos vereadores de todos os partidos, a saber, PS, PSD e CDS.
E que o parecer também se pronunciava contra a agregação de freguesias, agregação essa que os autarcas de todos os partidos políticos dizem ser prejudicial às populações, mas que sabemos ser uma refinada mentira, é para criarem lugares para os correligionários incompetentes e calaceiros que os empresários do sector privado recusam empregar.

Parece que o parecer do advogado João Pacheco de Amorim da sociedade de advogados AMORIM PEREIRA, NUNO OLIVEIRA E ASSOCIADOS custou 15 mil euros aos cofres da autarquia.
Não conseguimos confirmar este valor porque na base dos contratos públicos figuram dois contratos de Prestação de Serviços de Consultadoria Júridica dessa entidade adjudicatária, começando o primeiro contrato em 01-02-2012, sendo anual e no valor de 36.264 euros, e com o segundo a começar em 01-01-2013 — não devia ser um mês depois? —, por dez meses e no valor de 30.220 euros.



É prejudicial para o País que haja pessoas a desempenhar cargos políticos sem terem trabalhado uma década, pelo menos, na profissão para a qual devem ter efectuado estudos de nível superior.

Além disso, após 12 anos no desempenho de funções de presidente de câmara municipal, qualquer pessoa já esgotou a sua criatividade e perdeu a perspectiva dos problemas que tinha como munícipe. É tempo dos eleitores exigirem — aqui o verbo exigir faz todo o sentido — que seja cumprido o princípio constitucional da rotatividade e que qualquer autarca, com 12 anos no desempenho de funções de presidente de câmara municipal, largue o cargo político e regresse à sua profissão.

Mal anda Passos Coelho em proteger os ‘profissionais’ da política. Mal andam todos os partidos políticos portugueses em proteger os autarcas 'profissionais'.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Trabalhadores do Estado ganham mais que os privados


O Governo encomendou um estudo sobre as remunerações dos trabalhadores portugueses a uma consultora, a MERCER, e chegou à conclusão que, para algumas profissões — operáros e gestores de topo —, os salários na função pública são inferiores aos do sector privado.
Mas noutras são mais bem pagos — caso dos enfermeiros e, sobretudo, dos professores que, no ensino não superior, recebem mais 595 euros e, no ensino superior, mais 725 euros, em média. O caso extremo são os técnicos de informática que ganham mais 157% no sector público que no privado.



No entanto, é sabido que a qualidade do ensino nas universidades públicas é incomparavelmente superior ao das privadas, com excepção da Universidade Católica.
Também no ensino básico e secundário, e exceptuando os colégios privados de renome, os docentes que vão leccionar para o ensino privado são aqueles cuja graduação profissional não lhes permitiu ser colocados nas escolas públicas.

Não pode, nem vai o Ministério da Educação e Ciência ignorar estes factos.
Aliás, o Governo já anunciou que o programa de rescisões voluntárias vai abranger assistentes operacionais e técnicos, a quem será dada uma indemnização entre 1 salário e 1,5 salário por cada ano de trabalho. São cerca de 213 mil trabalhadores, justamente os que ganham menos relativamente ao sector privado, mas pertencem aos quadros menos qualificados da Função Pública.

Mesmo assim são más notícias para os professores.
Até porque, no próximo ano lectivo, os professores que ficarem sem componente lectiva vão ser enviados para a mobilidade especial, ou seja, ao fim de dois meses passam a receber 50% do salário. O alargamento geográfico dos Quadros de Zona Pedagógica (QZP) ao passarem de 23 para 7 se, por um lado, permitirá reduzir os horários zero, por outro lado poderá obrigar os docentes do quadro ao afastamento da sua residência.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Esperança - I


Miguel Santos acaba de receber a quinta medalha de ouro consecutiva nas XXXIª Olimpíadas Portuguesas de Matemática, um êxito nunca antes alcançado.
Este aluno de 18 anos foi galardoado com uma medalha de ouro nas duas últimas edições das Olimpíadas Internacionais de Matemática (2011 e 2012).

Ouçamo-lo, e aos outros medalhados na final das olimpíadas que reuniu alguns dos melhores alunos de Matemática do País, porque estes, sim, merecem tempo de antena:



Estes alunos estudam, sobretudo, em escolas públicas situadas no Norte e Centro e em vilas e pequenas cidades.
Em Lisboa e Porto predomina a origem em colégio privado.

sábado, 16 de março de 2013

A Europa perde única fábrica de máquinas multibanco


A japonesa Talaris tenciona fechar até Junho a fábrica de Torres Vedras, única na Europa a produzir máquinas multibanco (ATM).

Adquirida em 2012 pela multinacional japonesa Glory, teve em 2011 um volume de negócios de 26 milhões de euros e resultados líquidos de 429 mil euros (1,4 milhões de euros em 2010).
Dos 834 ATM fabricados, 700 foram exportados. Recentemente ganhou o concurso para assegurar o serviço de manutenção para a Caixa Geral de Depósitos durante três a cinco anos.

A empresa, que tem 200 trabalhadores espalhados pelo país — a maioria a fazer manutenção dos ATM —, pretende encerrar as instalações em Sintra e transferir para a fábrica de Torres Vedras a logística e a manutenção.
Nesta reestruturação tenciona encerrar a linha de produção que emprega 20 trabalhadores, e transferi-la para a China onde a mão-de-obra é mais barata, e passar o departamento de recursos humanos e o departamento financeiro para Espanha. O resultado, em termos de emprego, é um despedimento colectivo de 37 trabalhadores.

A Talaris alega que dentro de alguns anos a crise vai ter reflexos na produção de máquinas multibanco para o mercado nacional. Contrapõe o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) que "a empresa está a usar a facilidade que existe em Portugal para fazer despedimentos colectivos para se deslocalizar".

*

A questão é que o partido comunista que governa a China paga, em 2013, o salário mínimo de 180 euros em Shenzhen (noutros municípios ou províncias o salário mínimo ainda é mais baixo) para atrair investimentos estrangeiros e, obviamente, está a ser bem sucedido.
Se em Portugal se dificultar o despedimento colectivo, as empresas vão para a falência e saem igualmente de cá. Além de que o País não consegue captar investimento estrangeiro desde finais dos anos 90, com a consequente ausência de crescimento económico há uma década.

Pode concluir-se que o futuro dos trabalhadores portugueses vai ser auferir os salários de miséria dos chineses? Nas linhas de montagem de produtos, vai ser.
Mas se a geração que actualmente frequenta a escola trabalhar afincadamente e terminar a escolaridade obrigatória muito, mas mesmo muito mais qualificada que a geração dos seus pais, estes jovens podem tornar-se técnicos especializados, ou até projectistas, e aspirar a salários mais elevados.

Quem projecta produtos tecnologicamente avançados no mundo?
Nos Estados Unidos, e na indústria da informação, a Apple, a Hewlett-Packard, a Intel, a Microsoft, a Cisco, a Xerox, a Boston Dynamics, a aeroespacial Boeing, a produtora de maquinaria Caterpillar, na indústria automóvel, a General Motors e a Ford. O Canadá desenvolveu tecnologias extractivas e agora vem explorar concessões mineiras portuguesas.
Na Europa, temos a Finlândia com a Nokia, a Dinamarca com a Vestas — durante o governo Sócrates fomos o maior comprador das suas turbinas eólicas que vamos ter de pagar por meio de rendas elevadas aos produtores de energia eléctrica —, temos a França com as construtoras de automóveis, Renault, e de aviões, Airbus. Temos na Alemanha, e na indústria automóvel, a Volkswagen, a BMW, a Daimler, a Audi, na indústria eléctrica, a Siemens, a Bosch, a Miele, a gigante farmacêutica Bayer. No norte de Itália, a Fiat.
Na Ásia, o Japão com a indústria automóvel — Toyota, Nissan, Mitsubishi, Honda —, da informação — Fujitsu, Sony, Toshiba, Casio —, da fotografia e imagem — Canon, Nikon —. E a pequena Coreia do Sul, do tamanho de Portugal, tem um gigante na indústria automóvel, a Hyundai, e outro gigante na informação, a Samsung, que se bate no campo da inovação com a americana Apple.

Os portugueses especializaram-se em usar os produtos de alta tecnologia projectados nestes países e produzidos pelos trabalhadores chineses.

Acordar de um sonho é sempre doloroso. Mas se não quisermos continuar a empobrecer, é preciso acordar depressa e dar passos de gigante.


sexta-feira, 15 de março de 2013

Falemos de robots


No dia em que milhares de alunos do 12º ano partem para as estâncias turísticas espanholas — numa demonstração trivial de que as respectivas famílias aguentam mais austeridade —, onde se vão preparar para os exames de Junho próximo com uma semana de noitadas bem regadas a álcool e outras drogas nas discotecas, procuremos sublimar esta atitude irracional falando de robots.

*

Os investigadores do AIST (Institute of Advanced Industrial Science and Technology) projectaram e construíram um andróide feminino, o HRP-4C, em colaboração com a Kawada Industries e a Kokoro Co. O robot japonês usa um modelo de controle de pêndulo invertido para manter o equilíbrio.
Na segunda parte do vídeo de uma experiência, realizada em Julho de 2010, podemos ver o HRP-4C de perfil e observar como consegue atravessar uma rua capaz de fazer perder o equilíbrio a qualquer outro robot.



Não é tão impressionante como o BigDog da Boston Dynamics, mas é ainda muito raro ver um humanóide andar fora do laboratório.
O HRP-4C atraiu multidões no stand da Yamaha Motors que desenvolveu o software do sintetizador Vocaloid que lhe permite cantar:





O BigDog 'todo-o-terreno' da Boston Dynamics é um robot com um sistema de equilíbrio excepcional que lhe permite subir pela floresta, manter o equilíbrio ao ser empurrado e ao deslizar sobre o gelo, viajar através da neve e da lama, correr 5 milhas por hora e trepar sobre os escombros.




Mais recentemente o robot americano adquiriu a capacidade de lançar blocos com cerca de 20 kg.

A Boston Dynamics desenvolveu também a Cheetah, o robot mais rápido do mundo, que atinge a velocidade de 28,3 milhas por hora, o que é superior à maior velocidade conseguida pelo campeão olímpico Usain Bolt numa corrida de 20 metros.
Este robot tem uma traseira articulada que se flexiona para a frente e para trás em cada passo, aumentando a velocidade a cada passada tal como faz a chita, o felino que lhe deu o nome.





Outra via está a ser seguida pelo professor Hiroshi Ishiguro, director do Laboratório de Robótica Inteligente da Universidade de Osaka, no Japão.
O professor Ishiguro procura fazer um robot o mais semelhante possível a um ser humano vivo e capaz de interagir com as pessoas para que possa desempenhar serviços de guia ou de companhia.
Os robots já construídos — os Geminoids — têm uma aparência realista e conseguem realizar movimentos faciais.


O Geminoid-DK é um andróide baseado no Professor Henrik Scharfe da Aalborg University, na Dinamarca.


Outro andróide, conhecido como Geminoid F, desenvolvido na Universidade de Osaka com a ajuda da Kokoro Co.


Reunião, em Março de 2011, no ATR (Advanced Telecommunications Research Institute) com o professor Hiroshi Ishiguro, criador dos Geminoids, o Professor Henrik Scharfe, uma anónima e os respectivos clones andróides.


sexta-feira, 8 de março de 2013

No país das fundações - II


Na sequência do censo e avaliação das fundações, o Conselho de Ministros aprovou as propostas e as decisões a aplicar às fundações participantes e avaliadas naquele censo, que podem ir da redução, ou cessação de apoios financeiros públicos, à sua extinção ou ao cancelamento do estatuto de utilidade pública.

Recordamos que responderam ao censo 558 entidades, tendo sido excluídas cooperativas, associações, centros sociais e/ou paroquiais, bem como fundações constituídas ao abrigo do direito canónico.

Das 408 fundações avaliáveis, verificou-se que 178 eram fundações de solidariedade social. Sendo abrangidas pelo Estatuto das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), a sua avaliação e as decisões a aplicar foram reservadas para momento posterior, avaliando-se apenas 230 fundações.
Foram ainda identificadas 235 fundações avaliáveis que incumpriram a obrigação de responder ao censo, das quais 42 são fundações de solidariedade social, contabilizando-se 193 fundações.

Segundo o Relatório final sobre a Avaliação das Fundações, estas 643 fundações representam uma cobertura na ordem dos 80% do número total de fundações
avaliáveis estimado pelo Governo (800 fundações).

Para o universo de 423 fundações não IPSS, a Resolução do Conselho de Ministros 13-A/2013, hoje publicada, tomou as seguintes decisões finais:
  • Relativamente a 98 fundações (quase todas privadas e que não recebem apoio financeiro do Estado) foi decidida a manutenção dos termos da sua relação com o Estado;
  • Relativamente a 132 fundações foram decididas propostas de alteração envolvendo decisões, recomendações ou propostas de extinção, redução total ou parcial de apoios, ou ainda a cessação do estatuto de utilidade pública;
  • As 193 fundações não respondentes ao censo deixam de receber transferências do Orçamento do Estado para 2013 — artigo 14º/2 da Lei 66-B/2012 —, devendo ainda ser assegurado a não atribuição de número de registo de fundação para obtenção de quaisquer apoios financeiros públicos.

Nas fundações tuteladas directa ou indirectamente pelos ministérios, o Governo determinou:

ADMINISTRAÇÃO CENTRAL DO ESTADO (73)

Extinção de 3 fundações:
Fundação Cidade de Guimarães
Fundação Alter Real
Fundação para a Computação Científica Nacional - FCCN

Cessação total de apoios financeiros públicos a 13:
Fundação Casa de Mateus
Fundação Oriente
Fundação Casa de Bragança
Fundação Luso Africana para a Cultura
Fundação D. Manuel II
Fundação Mata do Buçaco
Fundação Convento da Orada - Fundação para a Salvaguarda e Reabilitação do Património Arquitectónico
Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco
Fundação Cidade de Lisboa
Fundação Portugal-África
Instituto Marquês de Valle Flor
Fundação Vox Populli
Fundação para as Comunicações Móveis

Redução de 50% do total de apoios financeiros públicos a 1:
Fundação Portuguesa das Comunicações

Redução de 30% do total de apoios financeiros públicos a 42:
Fundação Museu do Douro
Côa Parque - Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa
Fundação Arpad Szénes - Vieira da Silva
Fundação Casa da Música
Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo
Fundação de Serralves
Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva
Fundação Conservatório Regional de Gaia
Fundação Bracara Augusta
Fundação Batalha de Aljubarrota
Fundação Pedro Ruivo
Fundação CEFA — Fundação para os Estudos e Formação Autárquica
Fundação da Juventude
Fundação Caixa Geral de Depósitos - Culturgest
Fundação Júlio Pomar
Fundação de Assistência Médica Internacional
Fundação Mário Soares
Fundação Amadeu Dias
Fundação António Quadros - Cultura e Pensamento
Fundação das Universidades Portuguesas
Fundação Eça de Queiroz
Fundação Engenheiro António de Almeida
Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva - Universidade do Porto
Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral
Fundação Minerva - Cultura - Ensino e Investigação Científica
Fundação Professor Francisco Pulido Valente
Fundação Económicas - Fundação para o Desenvolvimento das Ciências Económicas, Financeiras e Empresariais
Fundação Conservatório de Música da Maia
Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa
Asilo de Santo António do Estoril
Fundação Denise Lester
IFEC - Fundação Rodrigues da Silveira
Pro Dignitate - Fundação de Direitos Humanos
Fundação INATEL
Fundação Aga Khan Portugal
Fundação do Gil
Fundação Manuel Viegas Guerreiro
Solidários - Fundação para o Desenvolvimento Cooperativo e Comunitário
Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto de Mesquita Carvalho
Fundação Casa Museu Maurício Penha
Fundação Inês de Castro
Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado

Redução de 20% do total de apoios financeiros públicos a 1:
Fundação Centro Cultural de Belém

Falta de reconhecimento e cancelamento de apoios financeiros públicos a 10:
FEDRAVE - Fundação para o Estudo e Desenvolvimento da Região de Aveiro
Fundação Associação Académica da Universidade do Minho (Universidade do Minho)
Fundação Carlos Serrano
Fundação Eurocrédito
Fundação Gramaxo de Oliveira
Fundação Hermínia Ester Lopes Tassara
Fundação José Cardoso
Fundação Maria Augusta de Brito Subtil
Fundação Mater-Timor Loro'Sae
Fundação Rei D. Dinis - UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

Cancelamento do Estatuto de Utilidade Pública a 3:
Fundação Manuel Simões
Fundação Manuel Leão
Fundação Frei Pedro


O Governo não conseguiu extinguir 27 das 34 fundações a dissolver sob alçada dos governos regionais, autarquias e universidades que travaram a proposta do executivo por rejeição ou ausência de resposta.
Globalmente, autarquias, governos regionais e universidades recusaram 39 das 59 propostas do Governo para extinção, corte nos apoios financeiros públicos ou cancelamento de registo como fundação:

GOVERNOS REGIONAIS E AUTARQUIAS (46)

PROPOSTAS DO GOVERNO QUE FORAM ACEITES (18)

Fundações a extinguir (7)
Fundação ELA, Município de Vila Nova de Gaia
Fundação PortoGaia para o Desenvolvimento Desportivo, Município de Vila Nova de Gaia
Fundação Carnaval de Ovar, Município de Ovar
Fundação Ciência e Desenvolvimento, Município do Porto
Fundação Odemira, Município de Odemira
Fundação Cultura Juvenil Maestro José Pedro, Município de Viana do Castelo
Fundação Paula Rego, Município de Cascais, sem prejuízo da continuidade da Casa das Histórias Paula Rego

Fundações com cessação total de apoios públicos (3)
Fundação Arbués Moreira, Município de Sintra
Fundação Cultursintra, Município de Sintra
Fundação Terras de Santa Maria da Feira, Município de Santa Maria da Feira

Fundações com redução de 30% do total de apoios públicos (5)
Fundação Cascais, Município de Cascais
Fundação Gil Eannes, Município de Viana do Castelo
Fundação Cidade Ammaia, Município de Marvão
Fundação A Lord, Freguesia do Lordelo (Paredes)
Fundação Manuel Cargaleiro, Município de Castelo Branco

Fundações com falta de reconhecimento e cancelamento de apoios públicos (3)
Fundação Fausto Figueiredo, Município de Cascais
Fundação La Salette, Município de Oliveira de Azeméis
Navegar - Fundação para o Desenvolvimento Cultural, Artístico e Científico de Espinho, Município de Espinho

PROPOSTAS DO GOVERNO QUE FORAM REJEITADAS (19)

Fundações a extinguir (12)
Fundação Gaspar Frutuoso, Governo Regional dos Açores
Fundação D. Luís I, Município de Cascais
Fundação Bienal de Arte de Cerveira, Município de Vila Nova de Cerveira
Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, Município do Porto
Escola Profissional de Leiria, Município de Leiria
Fundação de Ensino Profissional da Praia da Vitória, Município de Praia da Vitória
Fundação Serrão Martins, Município de Mértola
Fundação Comendador Manuel Correia Botelho, Município de Vila Real
Fundação Robinson, Município de Portalegre
Fundação António Aleixo, Município de Loulé
Fundação Santo Thyrso, Município de Santo Tirso
Fundação Marquês de Pombal, Município de Oeiras

Fundações com redução de 30% do total de apoios públicos (5)
Fundação Engenheiro José Cordeiro, Governo Regional dos Açores
Fundação Átrio da Música, Município de Viana do Castelo
Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, Município de Gondomar
Fundação João Carpinteiro, Município de Elvas
Fundação Frederic Velge, Município de Grândola

Fundações com falta de reconhecimento e cancelamento de apoios públicos (1)
Escola Profissional de Vila Franca do Campo, Município de Vila Franca do Campo

Fundações com cancelamento do Estatuto de Utilidade Pública (1)
Fundação Rebikoff-Niggeler, Governo Regional dos Açores

AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO SOBRE A PROPOSTA DO GOVERNO (9)

Fundações a extinguir (4)
Fundação Madeira Classic, Governo Regional da Madeira
Escola Profissional de Setúbal, Município de Setúbal
Fundação Dr. Elias de Aguiar, Município de Vila do Conde
Fundação Arquivo Paes Teles, Freguesia de Ervedal (Avis)

Fundações com cessão total de apoios públicos (1)
Fundação Abel e João de Lacerda, Município de Tondela

Fundações com redução de 30% do total de apoios públicos (3)
Fundação Os Nossos Livros, Município de Bragança
Fundação Castro Alves, Município de Vila Nova de Famalicão
Fundação Maria Ulrich, Município de Lisboa

Fundações com falta de reconhecimento e cancelamento de apoios públicos (1)
Fundação de Ensino e Desenvolvimento de Paços de Brandão, Freguesia de Paços de Brandão (Santa Maria da Feira)


UNIVERSIDADES (13)

PROPOSTAS DO GOVERNO QUE FORAM ACEITES (2)

Fundações a extinguir
Fundação João Jacinto de Magalhães (Fundação da Universidade de Aveiro)
Fundação da Universidade de Lisboa (Universidade de Lisboa)

PROPOSTAS DO GOVERNO QUE FORAM REJEITADAS (7)

Fundações a extinguir
Fundação Carlos Lloyd de Braga (Universidade do Minho)
Fundação Cultural da Universidade de Coimbra (Universidade de Coimbra)
Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Universidade de Lisboa)
Fundação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Universidade Nova de Lisboa)
Fundação Luis de Molina (Universidade de Évora)
Fundação Museu da Ciência (Universidade de Coimbra);
Fundação para o Desenvolvimento da Universidade do Algarve (Universidade do Algarve)

AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO SOBRE A PROPOSTA DO GOVERNO (4)

Fundações a extinguir
Fundação Fernão de Magalhães para o Desenvolvimento (Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Fundação Gomes Teixeira (Fundação da Universidade do Porto)
Fundação Instituto Politécnico do Porto (Instituto Politécnico do Porto)
FNE — Fundação Nova Europa (Universidade da Beira Interior)

*

Esperemos que o eleitorado compreenda que o despesismo acarretado por estas decisões dos governos regionais e locais terá de ser compensado com mais impostos sobre os contribuintes. E que penalize os autarcas, que assim procederam, nas eleições autárquicas de Outubro de 2013.

Quanto ao Governo, recuou na decisão de extinguir duas fundações — a Coa Parque - Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Coa e a Fundação Museu do Douro — e avançou com a inesperada extinção da Fundação para a Computação Científica Nacional - FCCN, embora com cedência do seu património e atribuições à Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Mesmo assim, vai receber uma violenta reacção dos que viviam à sombra das fundações agora extintas ou com apoios reduzidos, que vão acusá-lo de obscurantismo cultural e exigir a sua demissão.
Sempre com Soares — Fundação Mário Soares e Pro Dignitate - Fundação de Direitos Humanos vão ter cortes de 30% nos apoios financeiros que recebem do Estado — a comandar o fogo de artilharia.


domingo, 3 de março de 2013

Humor em Março


O ex-presidente do Banco Comercial Português (BCP) Filipe Pinhal vai liderar o Movimento dos Reformados Indignados (MRI).

O novo movimento está contra a “famigerada taxa CES que constitui um instrumento de espoliação dos reformados e pensionistas”.
O movimento acrescenta que, com a presença da troika em Portugal, pretende chamar a atenção “para os ataques que estão a ser feitos aos reformados bancários, retirando-lhes diariamente os instrumentos sociais de sobrevivência e fustigando-os com taxas e impostos incomportáveis para a classe”.
Esta contribuição foi criada no OE 2013, incide sobre as pensões acima de 1350 euros e tem uma taxa inicial de 3,5%, mas é progressiva atingindo 10%, com um corte cumulativo de 40% sobre o montante que exceda 7545,96 euros.

Filipe Pinhal foi administrador do BCP e mais tarde presidente da instituição, saindo após o escândalo das offshores do banco através das quais foram manipuladas as acções do BCP em bolsa. Foi condenado nos processos que lhe foram movidos pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), de que recorreu, e pelo Banco de Portugal, em que recorreu para o Tribunal Constitucional.
É um dos reformados do BCP que ficaram a receber reformas milionárias. Recentemente todos aceitaram uma redução, excepto Jardim Gonçalves que recusou renegociar a sua reforma mensal de 167.650,70 euros.


sábado, 2 de março de 2013

Manifestações não impressionam


As manifestações convocadas para hoje, para 40 cidades portuguesas e algumas estrangeiras, por múltiplos movimentos de cidadãos ligados ao PCP, ao Bloco de Esquerda e também ao PS, através de redes sociais como o Facebook e o Twitter, tinham o apoio da CGTP que é a maior central sindical portuguesa.


02 Mar, 2013, 20:50
Vê-se Ana Gomes, eurodeputada socialista, a exigir a demissão do actual Governo e, de relance, consegue ver-se Francisco Louçã. O secretário-geral da CGTP Arménio Carlos faz uma curta declaração, assim como João Semedo, um dos coordenadores bloquistas, Álvaro Beleza, coordenador da área da Saúde do PS que pretende extinguir a ADSE, e João Ferreira, eurodeputado do PCP.


Com o lema “Que se lixe a troika, o povo é quem mais ordena”, estas manifestações pretendiam impressionar a delegação da troika — Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional — que veio fazer a sétima avaliação do memorando de entendimento assinado pelo governo socialista de José Sócrates.
No entanto, as notícias e os vídeos feitos com meios aéreos, já divulgados pela comunicação social, revelam que o objectivo ficou longe de ser atingido:


02 Mar, 2013, 20:26


02.03.2013 20:16


Vejamos o que diz o jornal Público sobre a manifestação de Lisboa:
O Terreiro do Paço, incluindo a zona de estrada por onde os carros circulam, e a zona do Cais das Colunas, em frente, por onde os manifestantes também se dispersaram, ronda os 44.000 metros quadrados, de acordo com medições feitas no programa Google Earth (o valor integra espaços como o ocupado pela estátua de D. José I, no centro, e o do palco montado pela organização que não podem ser ocupados por pessoas).

Com uma multidão de densidade média — cerca de duas pessoas por metro quadrado —, o espaço fica cheio com 88 mil pessoas. Se a multidão for densa — três pessoas por metro quadrado —, cabem cerca de 132 mil pessoas. Caso toda a gente em toda a área do Terreiro do Paço e do Cais das Colunas estivesse próxima ao ponto de ter dificuldades em movimentar-se — umas quatro pessoas por metro quadrado, o que não foi o caso —, seria possível ter naquela área 176 mil pessoas.

As ruas que desembocam no Terreiro do Paço ainda tinham gente quando se cantou a Grândola, um pouco antes das 18h30. Mas estas acrescentam pouco à área total. A Rua Augusta, por exemplo, a principal da baixa lisboeta, tem aproximadamente 6500 metros quadrados, o que significa que consegue acomodar cerca de 20 mil pessoas se a densidade for superior a três pessoas por metro quadrado.

Já a faixa central da Avenida da Liberdade, por onde as imagens mostram que a manifestação circulou, tem 27 mil metros quadrados. A Praça dos Restauradores ronda os 15 mil metros quadrados e o Rossio ultrapassa os 17 mil metros quadrados. Estas três áreas integralmente preenchidas com uma multidão densa, de três pessoas por metro quadrado, rondariam as 177 mil pessoas.
Sobre a manifestação na cidade do Porto:
No Porto, o protesto terminou na zona da Avenida dos Aliados. Esta avenida e a Praça da Liberdade, que lhe é contígua no extremo sul, totalizam aproximadamente 25 mil metros quadrados, incluindo espaços como árvores e canteiros. Aqui, caberiam, com uma densidade de três pessoas por metro quadrado, 75 mil pessoas.

Depois dos tremendos sacrifícios financeiros impostos à população portuguesa nos últimos dois anos, qualquer resultado que ficar abaixo das 300 mil pessoas que, em 12 de Março de 2011, se manifestaram por todo o País, terá de ser considerado um fracasso.


Passemos agora às intenções dos manifestantes.

Quando, há dois anos, o governo socialista assinou um memorando de entendimento com a troika aceitando um conjunto de medidas, que iam da liberalização dos despedimentos e diminuição das respectivas indemnizações à privatização das empresas públicas, em troca de um empréstimo de 78 mil milhões de euros, conhecia as consequências gravosas para os orçamentos das famílias.
Ver agora eurodeputados e outros destacados elementos do partido socialista participarem numa manifestação contra a troika, sem receio de receberem um murro de algum manifestante mais informado, é elucidativo da inconsciência e da sordidez moral desta gentinha.

Contudo não se pense que os políticos dos partidos anti-troika — PCP e Bloco de Esquerda — são movidos por sentimentos de solidariedade para com os seus semelhantes.
Tentar obter uma taxa de juro mais baixa para o empréstimo, é legítimo e benéfico, significa encargos menos pesados.
Deixar de receber as tranches do empréstimo, não é. Significa que o País deixava de poder financiar o défice público, o que obrigaria a uma diminuição brutal da despesa pública — redução ainda mais rápida e drástica dos salários dos funcionários públicos, das pensões dos reformados e dos cuidados de saúde — com consequências ainda mais graves nos orçamentos familiares e no bem-estar das pessoas. Dizer aos portugueses que deviam correr com a troika é uma desonestidade intelectual com o objectivo de provocar o caos, única via que permitiria àqueles partidos conquistar o poder.

Quanto às pessoas que se manifestaram ordeiramente, essas pretendem apenas dissipar as tensões acumuladas devido aos sacrifícios financeiros a que estão a ser submetidas e desejam apenas que o pesadelo acabe depressa.