segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Egipto: a Internet está desactivada no país


O Egipto tem 20 milhões de cibernautas, cerca de um quarto da população, que são afectados pelo corte da Internet ordenado pelo Governo.
As redes de telemóvel também foram, pelo menos parcialmente, bloqueadas. Um comunicado da Vodafone local informa que todos os operadores móveis receberam instruções para cortar as comunicações em algumas zonas. Segundo dados da CIA, cerca de 55 milhões de egípcios (69 por cento da população) têm telemóvel.
É a população jovem — 46 por cento dos egípcios têm entre 10 e 34 anos — quem mais usa a Internet e os telemóveis para comunicar.

"Nós não saímos daqui enquanto Mubarak não deixar o país. Ficaremos dia e noite", diz Fatma, de 45 anos, professora, que está com um grupo que luta pelos direitos das mulheres. "O regime tem humilhado as pessoas. Conheço uma mulher cujo filho morreu no incêndio de uma escola. Morreram todos os alunos, porque era uma escola pública e, como tal, não tinha sistemas de segurança. Mas o Governo disse que a culpa foi das crianças. E recusava-se a entregar os corpos às famílias. Algumas mães decidiram assaltar a escola, roubando os corpos dos filhos, para lhes fazer o funeral. E foram espancadas pela polícia. É este o regime que temos. Por isso não saímos daqui. Já sofremos demasiado. Os helicópteros não nos temem medo."

Wael Abbas, jovem advogado, anda às voltas pela praça, a falar com uns e outros. "Quero auscultar as pessoas. Perceber o que elas pensam", diz ele. Wael é um dos activistas da página do Facebook designada Kolane Khaled Saied que foi fundamental no eclodir da revolta. O nome significa "Todos somos Khaled Saied", em homenagem a um activista e blogger que foi assassinado pela polícia em Junho do ano passado.

"Fomos nós que iniciámos esta revolução", diz Wael. "A nossa página e outras, como a 6 de Abril, foram conglomerando o descontentamento. Foi ali que nasceu a consciência de que era preciso mudar."

A Internet está desactivada no país, por ordem de Mubarak, e isso, admite Wael, "é um problema. Não temos forma de comunicar com as pessoas. Por isso fazemo-lo aqui. A Praça Al-Tahrir transformou-se numa rede social, num Facebook ao vivo. Eu ando a tentar recolher opiniões para perceber quais são os pontos comuns, as convergências, para podermos propor plataformas, ideias que depois apresentaremos aos políticos que nos representem".


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quem tem medo dos juízes?


Jorge Bleck, entrevistado no programa ”A cor do dinheiro” de 16 de Janeiro, começa por surpreender as lusas mentes com esta revelação:
"Tenho uma limitação profissional porque a sociedade de advogados a que pertenço, a Linklaters, tem um código muito rígido relativamente a investimentos e não me permite investir em acções. Porque somos depositários de muita informação privilegiada. Nunca sabemos qual é a empresa que vamos tratar, o facto de não ser cliente hoje não quer dizer que não seja cliente amanhã."





Questionado se temos advogados a mais em Portugal, respondeu que "temos" e aconteceu devido à "extraordinária inflação da oferta de faculdades e do número de alunos. E houve uma tendência para as pessoas se inscreverem mais nos cursos humanísticos, do que nos de ciências, e a advocacia era um".

Como o ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior aumentou este ano lectivo em 10% as vagas para Direito, naturalmente Camilo Lourenço (CL) quis saber a opinião do entrevistado a respeito desta incongruência e sobre a redução do numerus clausus na área do Direito. Eis a resposta:
"A ligação das faculdades à vida real ainda é muito distante. O nível de apoio do Estado às universidades públicas é feito per capita e portanto quanto mais alunos tiverem [melhor] (...). Há duas teses que se confrontam. Uma tese de mercado pura e dura, a procura é que disciplina a oferta, quem for para lá e ficar desempregado, paciência. Mas, no que respeita às universidades públicas, creio que o dinheiro devia ser melhor gerido. Devíamos ter melhores faculdades, professores melhor remunerados, porventura fazendo menos paracerística.
(...)
Creio que os pareceres são o cancro da faculdade de Direito. Compreende-se que os professores assim façam. O nível intelectual dos professores de Direito é, regra geral, muitíssimo bom e, comparativamente ao mercado da advocacia, a remuneração dos professores está muito abaixo, de modo que o recurso de pessoas daquele calibre é darem pareceres porque são muito acolhidos nos nossos tribunais. No momento em que os pareceres não puderem ser juntos às peças processuais, os professores deixam de ter essa receita.
Há duas soluções. Uma é aumentar substancialmente a remuneração dos professores, exigindo-se-lhes exclusividade, e continuar a ter o mesmo nível de qualidade de professores; outra é, se se continuar com os pareceres, então que os pareceres sejam das instituições. É a própria instituição que dá o parecer e os professores auferirão de uma forma indirecta.
O sistema actual leva a que, muitas vezes, os professores não publiquem, porque quem publica compromete-se e ao comprometerem-se o seu mercado de pareceres reduz-se. E do ponto de vista humano é natural esperar que o professor defenda o seu mercado.
"

Quando CL indagou por que é que a justiça está tão mal em Portugal, se é uma força de bloqueio, Jorge Bleck, embora recusando falar em bloqueio, explicou que há várias razões:
"Na justiça é onde se sente, de forma mais pesada, a herança do salazarismo, sobretudo naquilo que chamamos o direito adjectivo, o direito processual. Há uma tendência de disciplinar, regulamentar e criar baias aos juízes. Devíamos dar maior liberdade às magistraturas para julgarem, ter códigos mais flexíveis que dessem mais arbítrio aos juízes."

Em relação à produtividade das magistraturas, considera que a produtividade é um problema transversal da sociedade portuguesa e até "a maior parte dos juízes portugueses é incansável no trabalho (...)"
"Temos muitos processos por um acumular de situações, temos muitas minudências que prendem o tempo dos juízes e que seriam melhor julgadas noutro tipo de julgados.
O tribunal é uma instituição muito cara, no que custa da formação dos juízes, dos funcionários judiciais, das instalações e da informatização que devia ser reservada para verdadeiros casos e há muitas minudências na justiça. Para dar uma imagem do hospital, é cura do penso e a cirurgia mais sofisticada.
"

Quanto ao bastonário da ordem, Marinho Pinto, embora considere que "dispara em tantas direcções que às vezes perde a razão", no que diz respeito "à disciplina financeira que quer introduzir na ordem, tem uma substancial razão. É evidente que isso mexe com coisas muito sérias e daí parte da guerra que lhe estão a fazer".


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A opção de Cavaco Silva


A Presidência da República divulgou no seu site o seguinte comunicado:

"Nos termos da legislação aprovada pela Assembleia da República, o Presidente da República decidiu prescindir, a partir de 1 de Janeiro de 2011, do seu vencimento, no montante ilíquido de € 6.523,93.

Palácio de Belém, 26 de Janeiro de 2011
"


Segundo o DN, a declaração de rendimentos de 2009 entregue pelo Presidente no Tribunal Constitucional, em Dezembro passado, comprova que recebeu nesse ano € 142.375,70 por trabalho dependente (Presidência) e € 140.601,81 de pensões (Universidade Nova de Lisboa e Banco de Portugal).
Parece que Cavaco Silva perde receita ao optar pelas pensões.

Acontece, porém, que as pensões foram congeladas, não vão sofrer qualquer redução salarial.
Pelo contrário, o seu vencimento mensal bruto desceu de € 7.630,33 para € 7.248,81 em Julho do ano passado, devido ao corte de 5% do PEC 2, e a partir deste mês, com o corte de 10% da lei de Orçamento do Estado para 2011, passa a ser € 6.523,93.
Mais uma vez fica provado que Cavaco Silva sabe tomar óptimas decisões em matéria de finanças pessoais.

Confirma-se, a partir da declaração de rendimentos, que o Presidente recebe € 10.043/mês de pensões como tem sido noticiado.
Já a remuneração mensal como presidente, que antes das medidas de austeridade era €7.630,33, não se pode calcular a partir desta declaração porque inclui os abonos para despesas de representação que podem chegar aos € 2.962 mensais.

*

A questão é que, do ponto de vista ético, quem exerce funções públicas deve ser remunerado por essas funções, não como pensionista da CGA, da Segurança Social ou de Fundos de Pensões de instituições públicas, devendo o Presidente da República ser o primeiro a dar o exemplo.
Infelizmente Cavaco Silva toma as suas decisões financeiras como qualquer vulgar cidadão português, pondo sempre os seus interesses pessoais à frente dos interesses do país. Nunca foi, não é, nem nunca será capaz de orientar-se pelo referencial de ética que a suprema magistratura da nação exige, sendo tão ou mais responsável que qualquer um de nós pela falência do país.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O pântano III - O processo Face Oculta


O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga deslocou-se hoje ao Tribunal Central de Instrução Criminal para depor como testemunha de José Penedos, arguido do processo Face Oculta.

Eduardo Catroga classificou José Penedos, ex-presidente da REN - Redes Energéticas Nacionais, como "um dos mais competentes gestores na área da energia".
Questionado sobre a oferta e recebimento de presentes por parte de Penedos, a testemunha admitiu que ele próprio sempre recebeu prendas de maior ou menor valor e que considera esta prática normal.

"A troca de prendas é um hábito na sociedade portuguesa no contexto da vida empresarial e social. As pessoas recebem mas mantêm a sua independência. Nunca tive qualquer problema em aceitar prendas", declarou, no final, aos jornalistas.
Acrescentou que recebeu várias ofertas enquanto administrador de empresa e ministro das Finanças de "valor mais ou menos elevado", dando como exemplo, pratas, vinhos raros e livros.
Sobre José Penedos disse que é seu amigo há mais de 20 anos e que tem "um alto perfil moral e profissional".


A opinião dos outros:

hmco2000 26 Janeiro 2011 - 18:17
Alto perfil moral e profissional
Ninguém duvida que toda a gente tem alto perfil moral e profissional. Por exemplo, Al Capone tinha um alto perfil moral e profissional no seio da estrutura e pelos padrões da estrutura onde trabalhava.
A questão não é ter altos perfis morais e profissionais. A questão é quais são esses altos perfis morais e profissionais. Qual a profissão e qual o padrão moral em questão.
O Sr. Catroga terá de dizer quais os altos perfis morais e profissionais a que se refere para podermos tirar as conclusões.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Há dívida para além do défice"


"25 Janeiro 2011, 11:29 por Paulo Pinho

Num período histórico, não muito distante, em que um Governo colocou o problema do défice no topo da agenda política, se bem que pouco tenha feito para atacar as suas causas profundas, ficou famosa uma frase proferida em plena Assembleia da República pelo Presidente da República de então, segundo a qual existiria "vida para além do défice".

Ninguém poderá discordar de frase tão profunda. Mas valerá a pena recordar que, na altura, o défice excedia o limite de 3% com o qual nos comprometemos no Tratado de Maastricht, enquanto a dívida pública já excedia, embora por pouco, o limite de 60%. Sucede que, hoje em dia, oito anos depois, o valor oficial rondará os 90%. Como terá sido possível?

Será o défice público realmente tão importante ao ponto de se tornar em tema, hoje, tão obsessivo? Em minha modesta opinião, não. Aliás, julgo, que pelo andar do "sentimento dos mercados", em breve se tornará irrelevante, por muito que o Governo português se embrenhe em "adiantar" números que ainda não pode conhecer e se desmultiplique em explicações de cálculos "com e sem submarinos" ou lance cortinas de fumo sobre a óptica da contabilidade pública versus a da contabilidade nacional.

Em condições típicas, o défice mede o aumento do endividamento. Por outras palavras, se o défice medir a diferença entre a despesa e a receita, mede, também, a necessidade de endividamento. Contudo, a criatividade contabilística combinada com práticas de desorçamentação (áreas onde a Grécia se destacou pela negativa), fazem com que a relação entre o valor do défice oficial e o aumento do endividamento sejam cada vez mais difusas. Sendo que o segundo tende a ser cada vez maior do que o primeiro. Por isso, o crescimento da dívida pública total, oficial e das entidades e fundos que não consolidam com o Estado, tem crescido de forma muito significativa sem que os "défices" que o originaram não constem do "défice" para o qual todos olham. Ou olhavam. Honra seja feita ao Tribunal de Contas que muitas vezes tem alertado para a situação. Mas, como os nossos credores (ou "especuladores" no jargão de alguns políticos) andavam distraídos, a coisa passava. E Bruxelas, alinhava.

Costuma dizer-se que se pode enganar alguma gente durante algum tempo; mas que não se pode enganar muita gente durante muito tempo. Ora, quem ler atentamente o que as agências financeiras, de "rating" e imprensa internacional agora dizem sobre a situação actual das nossas finanças públicas verifica que o tom da análise se encontra a desenfocar do número do déficit. A questão da integração do Fundo de Pensões da PT é frequentemente mencionada. Mas, mais importante, é crescente o número dos que comparam o crescimento da dívida em 2010 com o deficit anunciado pelo Governo. E percebem que a bota não bate com a perdigota. Há mais crescimento da dívida do que défice, em 2010, tal como em 2009 e em 2008. E percebem que assim será em 2011. Vêem o défice a diminuir, mas a despesa corrente a subir, sendo óbvio, que o esforço fiscal exigido ao sector privado para compensar este crescimento da despesa trava o crescimento da economia, o que por sua vez compromete a recuperação das receitas públicas. E esse crescimento económico é indispensável para um saudável reequilíbrio das contas públicas. Olham também para as taxas de juro das novas emissões, multiplicam por toda a dívida futura a emitir e percebem que não as conseguiremos pagar.

Neste jogo de expectativas entre o emitente Estado e seus potenciais credores, o primeiro coloca todos os esforços sobre o número oficial do défice. Mas é tarde. Porque os segundos já olham para o crescimento da dívida e correspondente taxa de juro marginal enquanto se interrogam quanto ao crescimento da dívida não-oficial. E percebem que aquele só poderá ser travado por uma travagem da despesa pública e resolução dos défices que se encontram fora do perímetro de consolidação das contas públicas. Por isso, esses são os tópicos enfatizados nas análises que "os mercados" fazem da nossa situação, alguns dos quais recentemente publicados por casas de "research". Hoje, os mercados vêem a dívida que está para além do défice oficial. E sem sinais claros de como o crescimento desta será travado e revertido, o que obriga a um esforço claro de contenção da despesa corrente, Portugal não regressará em condições aceitáveis aos mercados internacionais, condenando-se a si próprio a uma inevitável intervenção externa, porventura mais preocupada com o saneamento financeiro imediato do que com o relançamento da economia a longo-prazo.


Professor da Universidade Nova de Lisboa"


*


Pior que o défice orçamental é o défice escondido com o rabo de fora na dívida.
Este artigo não me causa surpresa porque, há algum tempo, verifiquei que os senhores deputados aprovaram a despesa orçamental de 191 milhões de euros para 2010, ou seja, quase o dobro dos 100 milhões estabelecidos no Orçamento de Estado para esse ano. E não é, com certeza, caso único.
Por isso duvidei que a execução orçamental deste ano seja rigorosa e até pedi a vinda do FMI.

A opinião dos outros:

lmgg4690 25 Janeiro 2011 - 17:29
Dívida pública tem de ser "atacada" rapidamente
Como o artigo diz, e muito bem, têm de ser atacados todos os "mini-défices" e "mini-dívidas" que existem nas inúmeras empresas e organizações sob a alçada do Estado e do dinheiro dos contribuintes.
Todos os gestores públicos têm de ter consciência da urgência da situação. Devem conter custos e eliminar todos os gastos não justificáveis.
Enquanto cidadãos, temos de perceber, de uma vez por todas, que ao alimentarmos a economia paralela estamos a diminiuir os nossos próprios salários ou a aumentar os impostos futuros.
E a classe política deve ser responsabilizada. Os políticos devem ter qualidade e ser melhor que a média dos cidadãos.

surpreso 25 Janeiro 2011 - 11:45
Este é o incontornável caminho da falência.


"O chinês que há em nós (ou ir para fora cá dentro)"


Obrigatório ler:

"O chinês que há em nós (ou ir para fora cá dentro)"

25 Janeiro 2011, 11:33 por Rui Alpalhão

"A República Portuguesa entrou na Novo Ano com as Finanças em mau estado.

A aprovação do Orçamento para 2011 (o 37º deficitário consecutivo, uma série que só empalidece perto da das vitórias do Futebol Clube do Porto de Villas-Boas) foi difícil e pareceu comprometida até perto da hora da votação. Na passagem do ano, a Dívida Pública representava mais de 90% do PIB, qualquer coisa na casa dos 150 mil milhões de euros. Sem grande surpresa, os potenciais tomadores da dívida portuguesa foram manifestando vontade continuada de se manterem tomadores — a boa notícia — mas desde que dotados de uma recompensa acrescida para a possibilidade de incumprimento — a má notícia. Ao contrário do que muitos parecem pensar, os "mercados" não conspiram contra Portugal, até porque boa parte dos que neles dão ordens não sabem sequer onde fica. Sabem os números: o "stock" de dívida, o PIB, a trajectória orçamental, e decidem em conformidade. Há, nos "mercados", outras oportunidades melhores; países com orçamentos mais equilibrados, dívidas públicas menores relativamente aos respectivos produtos. Os "mercados" emprestam mais barato a estes. Tal e qual como outros "mercados" oferecem mais pelo Cristiano Ronaldo do que pelo Franck Ribery (aqui a "conspiração" é a nosso favor). O CR7 marca mais golos, faz mais assistências, vale mais. A dívida portuguesa, por razões análogas, vale menos.

A perda de valor da dívida portuguesa é um problema sério. Com orçamentos deficitários como os nossos, a dívida continuará a subir a menos que a República tome a decisão de vender activos. Como as últimas emissões nacionais de dívida pública consolidada — isto é, que nunca é amortizada — foram feitas durante a Segunda Guerra, em 2011 a República terá de ir aos "mercados" levantar dinheiro para reembolsar emissões que atingem a maturidade com emissões novas. Pode ser que o consiga, mas a um preço bem superior ao que pagou pelas emissões que reembolsará.

Pode, também, acontecer que os "mercados" pura e simplesmente não tomem dívida portuguesa a nenhum preço razoável. Retomando a analogia com o mercado de futebolistas, este seria o momento do fim da carreira do craque, chegado a um ponto em que nenhum clube "razoável" lhe propõe contrato. Segue-se uma carreira de treinador, dirigente, comentador ou algo mais imaginativo. A República, no entanto, não pode pendurar as botas: tem de continuar a jogar para pagar as contas. Ciente disso, o Governo tem reivindicado perseverança e mostrado aversão séria a financiamentos fora dos "mercados", junto de mecanismos internacionais que Portugal integra, aos quais já recorreu no passado e cuja razão de ser é precisamente proporcionar alternativas aos emitentes soberanos que os "mercados" rejeitam. Pelo contrário, tem mostrado grande apetência pela busca de mercados alternativos, e mais remotos: China, Brasil, Líbia, até mesmo o pequeno Timor Leste. Algo como o craque da bola que, não conseguindo já um contrato na Europa, segue para o Médio Oriente para fazer uma ou duas bem remuneradas épocas. Porém, não há bela sem senão: o craque em decadência terá de se confrontar, jogo após jogo, com o seu passado, e a comparação será penosa. Por isso, muitos campeões poupam-se a estes dourados exílios. Também para a República a colocação da nossa dívida em "mercados" exóticos não será isenta de escolhos, pois no Oriente os almoços também não são grátis.

A alternativa que resta é um pouco mais de imaginação. O tomador mais natural da dívida pública portuguesa no seu estado actual não é o "mercado", que tem muitas alternativas melhores, nem os exóticos "mercados" alternativos que tão afanosamente temos visitado, mas o nativo deste jardim à beira-mar plantado. O nativo já provou no passado que toma dívida pública consolidada, e que recebe subsídios de Natal em certificados de aforro não imediatamente mobilizáveis. Fá-lo com a suavidade de quem não reage a Planos de Estabilidade e Crescimento à pedrada, como em algumas tragédias gregas.

Uma alternativa que o nativo ainda não provou e que, salvo melhor opinião, valeria a pena considerar, é a tomada de obrigações indexadas ao crescimento do seu jardim, o que os "mercados" - e o Fundo Monetário Internacional - designam GIB (o acrónimo inglês de "growth-indexed bonds"). Esta dívida pública distingue-se da tradicional por ser indexada ao crescimento do seu emitente. Sem prejuízo de sofisticações, o seu cupão é variável, com uma base fixa não muito alta à qual é acrescido, em cada ano, um "spread" dado pela diferença entre a taxa de crescimento do PIB desse ano e a média, digamos, das taxas de crescimento dos últimos vinte anos. Assim, se o PIB cresce mais, os tomadores recebem mais, se cresce menos, ou decresce, recebem menos. Convém definir uma remuneração mínima de zero, não vá o ano correr mal. Quer-me parecer que há por aí gente para tomar títulos destes sem ficar com os olhos em bico.

Professor Auxiliar, IBS"


*


O papão dos "mercados" explicado às crianças e contado ao povo
Aqui está um texto para trabalhar nas melhores turmas B3 durante as aulas de Cidadania e Empregabilidade do Curso Novas Oportunidades. Com rigor científico e adequação pedagógica, mais estimulante que certas idiotices sugeridas pelos "pedagogos" do ministério da Educação.


O pântano II - O processo BPN


O inspector tributário Paulo Jorge Carvalho da Silva foi hoje ouvido como testemunha no mega processo BPN, que começou a ser julgado em 15 de Dezembro no Campus da Justiça (Parque das Nações), em Lisboa.

O inspector, que colaborou na investigação, descreveu como eram criadas e funcionavam as diversas offshores do BPN e que, segundo o próprio, "serviam para ter e disponibilizar fundos para desenvolver a actividade do Grupo, parquear custos que não havia interesse em serem divulgados, pois provocariam resultados negativos, e também para a detenção de acções da SLN e de offshores em cadeia criando opacidade sobre os verdadeiros donos dos negócios".

Explicou ainda como é que o Banco Insular de Cabo Verde começou a operar, actuando em benefício do BPN sem que fosse assumido como sendo propriedade do banco português.

Recorde-se que a acusação do caso BPN foi conhecida em Novembro de 2009 quando o Ministério Público deu a conhecer o nome dos 24 acusados, quase todos pertencentes à alta finança e ligados a instituições financeiras.
O mais conhecido era José Oliveira e Costa, ex-secretário de Estado de um dos governos de Cavaco Silva, que fora convidado em Novembro de 1997, depois de cessar funções como administrador do Finibanco, para liderar o projecto de implantação do BPN no mercado como banco comercial.
Segundo a acusação, "desde o início da sua liderança, Oliveira Costa definiu como estratégia a obtenção de poder pessoal e influência nas áreas financeira e realização de negócios, aceitando conceder a terceiros, que com ele colaborassem, dividendos retirados do BPN".

Abuso de confiança, burla qualificada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais (dois), infidelidade, fraude fiscal qualificada e aquisição ilícita de acções são os crimes de que Oliveira e Costa é acusado.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O pântano I - O processo Face Oculta



O ex-presidente da República Jorge Sampaio, atestou hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, "o alto valor moral e a grande capacidade técnica" do arguido do processo Face Oculta José Penedos.

Questionado sobre o facto de José Penedos ter recebido presentes quando era presidente da REN, uma das questões de que é acusado, Jorge Sampaio referiu: "Há presentes e presentes. Recebi centenas e ninguém pode dizer que influenciaram qualquer das minhas decisões”. A testemunha lembrou ainda que a maior parte dos presentes "são mera cortesia (...) quem é influenciado e afectado por eles, é porque não tem capacidade moral". Jorge Sampaio admitiu ser amigo de José Penedos.

Outra das testemunhas arroladas por José Penedos foi o ex-comissário europeu António Vitorino, que não prestou declarações aos jornalistas.

A instrução é uma fase processual facultativa destinada a rebater os argumentos do Ministério Público e tentar evitar a ida a julgamento.

José Penedos foi acusado de dois crimes de corrupção e dois de participação económica em negócios, que envolvem também o seu filho Paulo Penedos, com o empresário da sucata Manuel José Godinho, o único dos arguidos em prisão preventiva.
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar, que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, liderado por Manuel José Godinho.


Os resultados de todas as eleições presidenciais


Reproduzimos do Negócios, com a devida vénia, um gráfico interactivo com os resultados de todas as eleições presidenciais:





Este gráfico, muito útil para motivar os conteúdos de Estatística no ensino básico, permite chegar a várias conclusões num relance de olhos:
• Ramalho Eanes e Mário Soares conseguiram aumentar o número de votos na reeleição enquanto Jorge Sampaio e Cavaco Silva foram reeleitos com um número drasticamente inferior.
• Nas reeleições de Jorge Sampaio e Cavaco Silva mais de metade dos eleitores abstiveram-se.
• Em 2011 a abstenção atingiu o maior valor de sempre.
• Em 2011 Cavaco Silva obteve o menor número de votos de sempre.


A abstenção não mudará nada



Os jornais portugueses são unânimes nas conclusões: Abstenção recorde. Cavaco venceu, mas com números historicamente baixos. Manuel Alegre desiludiu e, com ele, José Sócrates e o PS. As surpresas foram o independente Nobre e o “Tiririca” Coelho.

Se somarmos
  • os ministros, secretários, subsecretários de Estado e os deputados, com os seus chefes de gabinete, assessores e secretárias;
  • os governadores civis;
  • os autarcas (308 concelhos com os presidentes de câmara, vereadores, presidente da assembleia municipal e deputados municipais e 4260 freguesias, cada uma com um presidente, um secretário, um tesoureiro e um presidente da assembleia de freguesia);
  • os administradores do sector público administrativo (institutos, fundações, agências, ... ), do sector público empresarial e das empresas regionais e municipais,
no activo, subvencionados ou reformados, respectivos cônjuges, filhos e amantes devemos obter um número superior a uma centena de milhar.

Agora, caro leitor, vá a www.base.gov.pt, faça umas pesquisas de ajustes directos, contabilize os milhares de empresas privadas que vivem à sombra do Estado, junte os seus colaboradores e respectivos familiares e vai chegar a um milhão.

Esta gente irá sempre votar nalgum dos partidos representados na Assembleia da República e este milhão de votantes é tudo o que a classe política precisa para se manter à superfície da água.
Aliás nestas eleições em cada 4 eleitores, 1 votou em Cavaco, 1 votou outro e 2 ficaram em casa. Isto já é catastrófico, mas vê alguém preocupado?

Portanto podemos esperar sentados que a abstenção seja a chave da mudança.


A opinião dos outros:

Dr_House 24 Janeiro 2011
Democracia? Um presidente eleito por 23% dos portugueses tem alguma voz activa?
Estou feliz. Acabei de ganhar as eleições com 53,3% deixando todos os outros candidatos a larga distância, senão vejamos: Cavaco Silva com 2,2 sobre 9,6 milhões de portugueses dá uns 22,9 arredondemos para 23%! Cavaco Silva é o Presidente de 23% dos portugueses que têm poder de voto.
Eu e mais 5,139 milhões de portugueses pertencemos ao partido PACON que é um francesismo derivado de PAS=NÃO e CON=estúpido, ou seja, ao partido dos NÃO-ESTÚPIDOS. Somos já mais de 5.139.000 e nem sequer somei os votos nulos e brancos, que também pertencem ao partido PACON. Vivam os mais de 5 milhões de portugueses do PACON! O próximo objectivo é ultrapassarmos os 6 milhões, seguem-se os 7 milhões até atingirmos o objectivo final de 9 milhões. Nessa altura, apresentaremos nas TV's o ridículo da política e dos seus resultados.

A diferença entre o nosso povo e os políticos

Certo dia um florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:
— Não posso aceitar o seu dinheiro porque estou a prestar serviço comunitário esta semana.
O florista ficou feliz e foi-se embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um bouquet com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.

Mais tarde no mesmo dia veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:
— Não posso aceitar o seu dinheiro porque estou a prestar serviço comunitário esta semana.
O padeiro ficou feliz e foi-se embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro.

Naquele terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo. Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:
— Não posso aceitar o seu dinheiro porque estou a prestar serviço comunitário esta semana.
O deputado ficou feliz e foi-se embora. No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar o cabelo.

Essa história ilustra bem a grande diferença entre os cidadãos do nosso país e os políticos que o administram.
"Políticos e fraldas devem ser trocados com frequência pelo mesmo motivo!"

Albatross 24 Janeiro 2011
Surpresa?
Para a comunicação social os resultados de Fernando Nobre só foram surpresa porque tudo fizeram para o silenciar. Hoje todos os jornalistas e comentadores políticos de Portugal deviam estar de luto, pois ficou demonstrado que em vez de cumprirem a nobre missão de informar estão ao serviço dos mais obscuros interesses deste país.
Dr. House
Não resisto a dizer ao comentador Dr. House que não vejo onde estão os motivos para tanta alegria. Afinal vai ser governado nos próximos anos pela mesma gente. Ou era isso que afinal queria quando apelou à abstenção?

Dr.Ginko 24 Janeiro 2011
Servir o País ou servir-se do...
É só mais um sinal que chegou a altura de mudança...
Para que servem estes Presidentes? Este Direito, estas elites? Por semelhança com o Direito, também o sistema político urge mudar. Há demasiadas garantias para os faltosos. O actual sistema é um luxo de loucos. O barco está a afundar-se e assobiamos para o lado, como se nada fosse. Eu votei contra o sistema.

rulo 24 Janeiro 2011
Ao auto-intitulado "não-estúpido" Dr.House, apenas lhe digo o seguinte...
Se tanto gostam que o país se transforme num dos muitos países em que os povos não votam, porque não podem votar, então façam o favor a Portugal de se deslocarem para uma das várias ditaduras que existem no mundo. Aí, poderão naturalmente não votar...
Ao contrário de muitos, para mim, conhecendo os Portugueses como conheço, o sinal de abstenção não é senão um 'deixa-andar'... Se querem votar contra o sistema, votem em branco ou nulo. Mas levantem-se do sofá, do café, da praia, ou do shopping e VOTEM!
Se não votam, não têm um único motivo de se queixarem, um único!

rciii 24 Janeiro 2011
Ao Dr. House
Engraçado este senhor dizer que ganhou as eleições. Este senhor não só não ganhou coisa alguma, como perdeu o direito de se manifestar, de criticar. Pois se na única altura que o poderia ter feito, preferiu ficar em casa e ainda por cima vir para aqui gabar-se de não ter feito nada para mudar o PR, que ao que parece, não é o que lhe agrada.
Há que respeitar o privilégio que temos em podermos escolher quem nos governa (mesmo que mal). Há países em guerra para ter o direito de votar e 53% dos portugueses desperdiçaram esse direito. Havia candidatos independentes, candidatos apoiados pela extrema esquerda até aos apoiados pelos partidos de direita. E nenhum agradou?
Se em vez de ficar em casa, os 53% tivessem ido votar, o resultado poderia ter sido diferente. O PR reeleito ganhou e ganhou bem. Temos PR por 5 anos e governo por mais três. Precisamos de estabilidade política e dar oportunidade ao governo para ver o resultado das medidas bem duras que tomou. Agora deixem-se de m€rdas e vão trabalhar para tirar o país do buraco!

HS-2011 24 Janeiro 2011
Nobre 14.1% a semente da esperança
Perdemos uma das últimas oportunidades de evitar a tragédia que se avizinha.
Eleitores inscritos: 9.629.630
Cavaco Silva: 2.230.170 — 23.16%
O povo português elegeu um Presidente com 23.16% dos votos dos eleitores inscritos e que perdeu 540.000 votos em relação ao 1º mandato. Houve 5.139.726 abstenções!
São resultados preocupantes. Quem não votou não tem autoridade moral para se queixar, é que não é o Pacon, é mesmo o Parvon, o partido dos parvos, dos egoístas, dos desmotivados, dos incivilizados, um pouco a causa de estarmos como estamos.

themainman 24 Janeiro 2011 - 15:08
Ditadura?
É incrível a ingenuidade/ignorância de algumas pessoas. Mas alguém acredita realmente que o país ficará melhor com um ditador? Abram os olhos e vejam os exemplos espalhados pela história e pelo mundo. Qualquer ditadura, seja de direita ou de esquerda, apenas beneficia quem está no poder, tudo o resto é um mero pretexto.
A democracia é, de longe, o melhor modelo de governação. Pois é o único que obriga os governantes a governar para todo o povo, sob pena de serem substituídos. Já para não falar do papel fiscalizador da oposição.

sugnaug 24 Janeiro 2011 - 15:18
themainman
LOL
O Salazar foi ditador e governou para o povo. Deixou lá 900 toneladas de ouro para os "democratas" se governarem a eles próprios...
Tenha vergonha.


Presidenciais 2011: os discursos finais


Cavaco Silva diz que "a honra venceu a infâmia"






Saiu com dignidade






A candidatura da Cidadania




Francisco Lopes insiste na "exigência de mudança"




Coelho promete "lutar por uma Madeira democrática"




Defensor Moura diz que a sua candidatura era "contra o clientelismo e a corrupção"




domingo, 23 de janeiro de 2011

Era possível


Convido-o, caro leitor, a observar os resultados das Presidenciais 2011:

4.260 freguesias apuradas de 4.260 (0 por apurar)
60 consulados apurados de 71 (11 por apurar)

Cavaco Silva
Manuel Alegre
Fernando Nobre
Francisco Lopes
José Coelho
Defensor Moura
________________

EM BRANCO
NULOS
________________
Votantes
Abstenção
________________
Inscritos


2.230.104 votos
831.959 votos
593.868 votos
300.840 votos
189.340 votos
66.091 votos
_______________

191.159 votos
86.543 votos
_______________
4.489.904 votos
5.139.726 votos
_______________
9.629.630 votos


52,94%
19,75%
14,10%
7,14%
4,50%
1,57%
_________
100,00%









49,67%
18,53%
13,22%
6,70%
4,22%
1,47%


4,26%
1,93%
__________
100,00%





23,16%
8,64%
6,17%
3,12%
1,97%
0,69%


1,98%
0,90%


53,37%
________
100,00%


Portanto Cavaco tem 2.230.104/(4.489.904-277.702) = 52,94% dos votos expressos e ganhou, folgadamente, à 1ª volta.

Agora suponha, caro leitor, que aqueles 277.702 votos em branco/nulos eram direccionados para outro candidato.
Cavaco passaria a ter 2.230.104/4.489.904 = 49,67%. E a ser obrigado a percorrer a via sacra da 2ª volta.
Dir-me-ão que nessa altura os eleitores optariam por Cavaco Silva para não darem ao governo de Sócrates um balão de oxigénio chamado Manuel Alegre.
Mas, quem disse que os votos em branco/nulos tinham de ir parar às mãos de um político?

Ora vejamos: 593.868+277.702 = 871.570
Era à tangente? Pois era. Mas era possível afastar a classe política da Presidência da República, se os portugueses não fossem obstinados, se quisessem raciocinar e fixar um objectivo.
E, se têm amor à verdade, não tentem dizer que Cavaco Silva e Fernando Nobre são iguais, porque ao longo da vida mostraram que não são: ambos doutos profissionais, mas um é ganancioso e o outro generoso.


O futuro da Democracia


Apenas 46,6% dos eleitores inscritos se decidiram a arrostar com o frio polar que se abateu sobre o país para exercer o direito, e o dever, que a Democracia lhes concede de escolherem o Presidente da República.
É certo que a abstenção já fora ligeiramente superior ao número de votantes nas eleições presidenciais de 2001. No entanto, a abstenção de hoje prenuncia, a médio prazo, a catástrofe da Democracia.

Pode evitar-se? Pode.
Precisamos, por um lado, que apareçam candidatos de grande mérito e acima de qualquer suspeita de envolvimento com a política, por causa do nepotismo e da corrupção associados. E, por outro lado, precisamos que os eleitores deixem de continuar a refugiar-se no cómodo pensamento de que os candidatos “são todos iguais”, para poderem mergulhar de consciência tranquila no prazer da alienação pelo futebol e pelas telenovelas e, em vez disso, adquiram apetência para se informarem sobre a saúde, o ensino, a justiça, a economia e as finanças do país.

No curriculum do ensino regular pontua a Formação Cívica e no Curso Novas Oportunidades temos a Cidadania e Empregabilidade mas, pelos vistos, os docentes a quem os directores dos agrupamentos confiam a leccionação destas áreas estão a obter um tremendo insucesso. Talvez porque privilegiem o compadrio em detrimento do mérito...

Mas isto levar-nos-ia para o fosso entre os resultados inscritos nas actas das reuniões de avaliação e os resultados verídicos, o que é um problema de política educativa portanto cabe aos políticos resolvê-lo. A não ser que persigam o objectivo de reduzir as eleições ao universo dos militantes dos seus partidos.
Temos de concordar que é um método seguro de gerir as suas carreiras. O único senão é que vão incentivar a diáspora e transformar Portugal no país mais pobre da União Europeia.


Presidenciais 2011: directo


As eleições em directo.


sábado, 22 de janeiro de 2011

"Votar, mesmo que sem caneta"


"Se eleito, quando Cavaco Silva terminar o seu segundo mandato como Presidente da República terá tido responsabilidades no poder em Portugal por mais de 22 anos, entre as funções que ocupou como ministro das Finanças da Aliança Democrática (1980-1981), a chefia do Governo entre 1985 e 1995 e como Presidente da República; Aníbal Cavaco Silva é o político que mais tempo esteve à frente de um Governo na história portuguesa do pós-25 de Abril.

Manuel Alegre esteve 34 anos no Parlamento. Passou por responsabilidades públicas outras: foi nomeado para Director dos Serviços Recreativos da Radiodifusão Portuguesa em 1974; no I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, foi primeiro secretário de Estado da Comunicação Social e depois secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro. Foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e vice-presidente da Assembleia da República. Perdeu as eleições para a liderança do PS em 2004 para José Sócrates, e em 2006 foi candidato independente, obtendo o famigerado milhão de votos nessas eleições Presidenciais, sendo o segundo candidato mais votado no sufrágio.

Tudo indica que um destes dois homens será o próximo Presidente da República, num mandato que terminará muito perto dos 42 anos da nossa Democracia. Talvez por essa altura a necessidade — que a tanto obriga — nos tenha forçado a uma profunda reflexão sobre as fundações e as perversões do sistema político-partidário, talvez a mais séria ameaça ao nosso desenvolvimento, prosperidade, liberdade e auto-determinação que enfrentamos. Até lá, não se dissipará o perigo do humilhante retrocesso, às mãos da promiscuidade e do clientelismo, ou por outra, da sensação de impunidade a que nos condenam — gasolina para cima das brasas da nossa Democracia.
"


partidocracia 21 Janeiro 2011 - 19:13
Mudar o sistema eleitoral

(1) Não podia concordar mais: o sistema eleitoral é de facto a causa profunda da maior parte dos problemas de Portugal.
Portugal tem sido muitíssimo mal governado e a razão é que os cidadãos não têm uma palavra a dizer sobre o elenco do parlamento. O problema nem sequer é estável: tem vindo a degradar-se a cada mandato parlamentar. É por isso que acontecem coisas como [alguém] dizer que viu o CV de todos os deputados e constatou que nenhum tem experiência de ter integrado os quadros de administração duma empresa.

(2) O cenário é sempre o mesmo: a semanas de cada eleição, o elenco do parlamento seguinte já está largamente decidido, vide "lugares elegíveis". Cinco chefias partidárias escolhem livremente os membros das listas eleitorais, sem qualquer intervenção do eleitorado. Os eleitores só decidem quantos deputados cabem a cada partido e nem sequer podem reordenar as listas. Portugal é, literalmente, uma partidocracia.
Há quem diga que a razão é a falta de exigência do eleitorado. Mas imaginem que nas próximas eleições as chefias partidárias resolvem elaborar listas exclusivamente constituídas por Tiriricas. Suponham também que nessas eleições o eleitorado português tornou-se tão exigente e esclarecido quanto o sueco. Com estas regras, que opções tem o eleitorado? Votar na opção menos má? Ficar em casa? Votar branco? Nulo? O resultado é sempre o mesmo: um parlamento de 230 Tiriricas.

(3) Há muito que os partidos se aperceberam do poder e impunidade que isto lhes confere. Paulatinamente instalou-se nos partidos uma oligarquia partidária que capturou não só o sistema político como o próprio regime e as instituições do Estado.
Todos os problemas têm origem directa ou indirectamente daí. Por exemplo, é por isso que muitos governantes parecem não ter estratégia, ou as competências requeridas para os cargos que ocupam (incluindo nas empresas públicas). Os governos governam mal porque não há verdadeiro escrutínio. A história recente já demonstrou que trocar de partido a cada eleição não resolve o problema.

(4) Muitos problemas de Portugal já estão diagnosticados há anos e no entanto as medidas correspondentes nunca foram tomadas. Dado que as energias são limitadas, mais vale focarmo-nos na causa profunda.
Dificilmente a iniciativa de mudar o sistema eleitoral virá dos partidos. Mesmo que o líder de um dos principais partidos pense desta forma, nunca estará em posição de a defender abertamente. Se o fizesse, as clientelas partidárias tratariam rapidamente de o neutralizar e expulsar da liderança. Sem exageros, estamos entregues a uma oligarquia.

(5) Provavelmente o sistema não é reformável por dentro. Não vale a pena esperar que venha um Sebastião salvador, um "político diferente", que ponha cobro a isto.
A sociedade civil está entregue a si própria e é dela que têm de partir as iniciativas para desalojar as clientelas que capturaram o sistema. Terá de gerar movimentos focados específica e explicitamente para esse efeito. Na história recente, o mais próximo disso foram os movimentos que se geraram no contexto dos referendos. Agora, há que replicar esse feito num jogo muito mais complexo e cuja parada é muito mais alta.

(6) Mesmo que algum movimento da sociedade civil consiga impor na agenda política a mudança do sistema eleitoral, não há garantia de que uma reforma seja levada até ao fim. Os partidos têm o poder de decidir que reforma é aprovada e podem facilmente sabotar o processo, a pretexto de discordâncias.
Provavelmente qualquer mudança que acarrete longas negociações entre chefias partidárias nunca produzirá um acordo. Seria o caso da opção por círculos uninominais, que requerem o delimitar de muitos círculos. Tais negociações eternizar-se-iam e o tema acabaria por sair da agenda.

(7) Para maximizar as hipóteses de vingar, a mudança no sistema tem de parecer moderada e prescindir de negociações morosas.
Uma hipótese é manter o actual sistema eleitoral, mas introduzindo um voto personalizado que determine a ordem efectiva dos candidatos nas listas. Não é o ideal, mas é um passo na direcção certa, e significativo. Já introduziria um elemento de pressão concorrencial, no bom sentido, que contribuiria para elevar gradualmente o nível de exigência. Talvez isto seja o máximo que os partidos consiguem digerir numa primeira fase.


Tunísia: os bloggers desencadearam o movimento contra a corrupção


Na Tunísia a acção dos bloggers foi determinante na mobilização das pessoas contra os políticos corruptos que governavam o pais, o que conduziu à queda do presidente da República e à substituição do governo:





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Início dos cortes salariais e fim das cumulações


Os funcionários públicos vão sofrer cortes salariais entre 3,5% e 10% a partir de hoje

As Finanças prevêem que esta redução das remunerações, consagrada na lei do Orçamento do Estado, gere uma poupança bruta de 1.190 milhões de euros na Administração Central, Regional e Local, onde serão abrangidos 350 mil funcionários.


Fim da cumulação de pensões e subvenções com vencimentos para os titulares de cargos políticos

Chefe de Estado opta por reformas de 10.042 euros

O Presidente da República mandou suspender o seu vencimento de 7.415 euros mensais, dando seguimento à lei do Orçamento do Estado que acabou com o direito de cumulação de reformas com vencimentos públicos a partir de 1 de Janeiro.
Portanto Cavaco opta pelas duas pensões de professor catedrático e de reformado do Banco de Portugal que somam 10.042 euros mensais.
De acordo com a lei do Orçamento de Estado, a opção dos detentores de cargos políticos deve ser feita mediante declaração dos interessados, mas o Chefe de Estado não entregou. Preferiu dar uma ordem directa aos serviços da Presidência para suspender o processamento do seu salário.

No final da semana passada o Diário Económico insistiu junto da Presidência se Cavaco Silva já tinha comunicado a opção pela suspensão do pagamento da remuneração ou das pensões. Fonte oficial da Presidência afirmou, então, que os titulares de cargos políticos não têm prazo para entregar a declaração, admitindo mesmo que poderia usar esta prorrogativa e, posteriormente, devolver com retroactivos a 1 de Janeiro a remuneração que viesse optar por suspender.
Mas, no início desta semana, a mesma fonte acabou por garantir que o Presidente da República "não terá de devolver retroactivos porque mandou suspender o processamento do vencimento".

Questionada ainda sobre os montantes das reformas que Cavaco recebe do Fundo de Pensões do Banco de Portugal, donde saiu em 2004 com o nível 18, e da Caixa Geral de Aposentações como professor jubilado da Faculdade de Economia da Universidade Nova, confirmou apenas o valor mencionado na declaração de rendimentos de 2009, de 10.042 euros: "Este valor corresponde à soma das duas pensões a que o Prof. Cavaco Silva tem direito, na sequência dos descontos que realizou durante toda a sua vida profissional".

Depois de chegar à Presidência da República Cavaco Silva deixou de receber a subvenção resultante do exercício dos cargos políticos de ministro das Finanças e primeiro-ministro.


AR solicita declaração a deputados

Outros titulares de cargos políticos, como os deputados da Assembleia da República, já estão também a seguir as novas regras este mês.

Num ofício de 4 de Janeiro, dirigido a todos os deputados, a secretaria geral da Assembleia da Republica, realça que a opção é exercida mediante declaração do interessado, a qual deverá ser "conhecida até ao próximo dia 12 de Janeiro, a tempo dos serviços financeiros da AR disporem da informação necessária ao correcto processamento das remunerações de Janeiro".
Uma solicitação que é feita, segundo este ofício, "nos termos do regime introduzido pelo artigo 172 da Lei do Orçamento de Estado".

Defensor Moura, que é médico reformado e deputado pelo PS, optou também por continuar a receber a pensão. "Já recebi ontem o primeiro recibo de vencimento zero", declarou ao PÚBLICO.
Questionado sobre as razões da sua escolha, respondeu que médico é "sempre" e além disso a reforma "é ligeiramente maior" que o salário.

Segundo a declaração que entregou no Tribunal Constitucional como candidato a Presidente da República, em 23 de Dezembro de 2010, os seus rendimentos em 2009 foram 30.847,03 euros anuais de salários como presidente da Câmara Municipal de Viana Castelo (cargo que exerceu até Setembro), 9.029,23 euros como deputado (a partir de meados de Outubro) e 59.976,14 euros de pensão.


Mas a decisão não foi difícil, diz Defensor Moura, porque "já só recebia um terço do ordenado por receber a reforma. E agora recebo zero e por isso assinei 'deputado voluntário e sem remuneração' ", na declaração onde optou pela suspensão do vencimento de deputado.

Nos termos da lei anterior já era obrigatório os funcionários públicos aposentados, e a desempenhar funções em organismos do Estado, optarem por receber apenas um terço das pensões ou dos ordenados. A partir de 1 de Janeiro deste ano têm que optar por receber apenas um dos rendimentos.




Correcção em 26 de Janeiro de 2011:
O comunicado da Presidência da República desta data permite concluir que a remuneração noticiada pelo Diário Económico está profundamente desactualizada.
O presidente auferia 7.415,29 euros em 2008. Depois beneficiou do aumento eleitoralista de 2,9% da função pública em 2009, subindo para 7.630,33 euros.
Ver continuação aqui.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Votar em branco/nulo é ajudar Cavaco Silva


Reparem nesta sondagem:

Eleições presidenciais portuguesas de 2011

Em qual candidato vai votar?

Cavaco Silva

Defensor Moura

Francisco Lopes

José Manuel Coelho

Manuel Alegre

Fernando Nobre

votos brancos/nulos
________________________
Votos totais:

763

30

46

93

95

188

138
__________
1353

56%

2%

3%

7%

7%

14%

10%
__________



As amostras têm mil votantes aproximadamente.
Portanto esta amostra com 1353 votantes tem alguma credibilidade, apesar de ter apenas eleitores com acesso à Internet (por exemplo, os RSI não estão representados porque não têm apetência pela Net, são consumidores de televisão).

Parece que o candidato mais votado tem 56% dos votos.
Mas será sempre eleito, à primeira ou segunda volta, o candidato que tiver mais de metade dos votos expressos, qualquer que seja o número de votos brancos ou nulos.
Portanto Cavaco tem 763/(1353-138) = 63% dos votos expressos e ganha, folgadamente, à 1ª volta.

Agora suponha, caro leitor, que aqueles 138 votos se distribuíam por algum, ou alguns dos outros candidatos.
Cavaco passaria a ter os 763/1353 = 56%. E a aproximar-se da perigosa metade dos votos expressos.
Mas não se esqueça que os RSI vão votar, e votarão no candidato do PS para garantirem o seu subsídio sem terem de retribuir com serviço para a comunidade, portanto o denominador desta fracção aumenta e a percentagem ainda diminui mais.
Cavaco sabe fazer cálculo, daí o seu discurso na última semana.

A Matemática não engana. Pense nisto.
Votar em branco/nulo, caro leitor, é ajudar Cavaco Silva que não merece.
Não vote em políticos.
Vote num Cidadão.


Arrufo de namorados ou mera encenação?





A democracia está doente. Permitiu a promiscuidade da política com a economia, da política com o sindicalismo.

Os sindicalistas da função pública são pagos pelo Estado e quotizam os filiados nos seus sindicatos. Negoceiam as carreiras dos seus sócios com a tutela e as suas carreiras também.

Exímios negociantes, criaram clientelas cujos interesses defendem afincadamente, negligenciando os outros, e foram ficando reféns dessas paróquias. O mérito nada lhes diz: é grotesca a afirmação de alguém que o protesto era contra a ganância dos mercados financeiros.
São a almofada entre a tutela e os seus sócios e cobram o reconhecimento. Aprenderam a aceitar cargos nos gabinetes dos ministros, a ser deputados, eurodeputados e a abraçar pastas ministeriais.

Há no ar um cheiro a putrefacção. A nossa confiança esta ferida de morte.
Quando o lobo da fábula, enfim, aparecer, vão descobrir que estão sozinhos.






A pedincha continua...



... e as mentiras também. O país caiu nas mãos de um mentiroso compulsivo:


16 Jan


O primeiro-ministro José Sócrates garante que a possibilidade de venda da dívida portuguesa ao Qatar, que tem um dos maiores fundos soberanos do mundo, não foi discutida:
"Não discutimos [a dívida], discutimos as oportunidades de investimento do Qatar em Portugal e a presença das empresas portuguesas [neste país]."


Carlos Morais. 16.01.2011 12:49 Via Facebook
O costume
Na linha tradicional do contrário do que afirma, no embuste e mentira que são uma característica da sua personalidade, eu não acredito. Por isso, para mim, Sócrates falou (pediu) mesmo no Qatar para a compra da dívida portuguesa. E assim vai continuar.
Não tem este governo uma linha definidora para resolver os problemas nem para lutar no sentido de sair da crise aguda em que nos encontramos. Agora a política, em termos actuantes, é pedir, pedir dinheiro em todo o lado. Ainda resta a Sócrates uma pequena chance: o prestígio que o nosso país possui, por esse mundo fora, mercê do seu passado e da sua história. Já não é como antes, mas ainda somos prestigiados e reconhecidos. Não graças a Sócrates, nem aos políticos de agora e de passado recente.
Sobre o artigo, para mim é o contrário do que ele afirma. É o seu género. É o costume!


18 Jan


O primeiro-ministro José Sócrates confirmou que Teixeira dos Santos teve hoje de manhã reuniões com os responsáveis do principal fundo soberano do Abu Dhabi.


Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011 15:10
Comprar dívida!
Mário Soares andava pelo estrangeiro de mão estendida na procura de financiadores. Agora o discurso é dizer-se que a China, Timor, Angola, etc. compram dívida portuguesa. Quantos portugueses compreendem esta linguagem?
O Estrangeiro interessa-se por Portugal por isso compra. Eles compram mas Portugal, vendedor, é nessa condição quem paga. O estrangeiro subscreve obrigações do tesouro que têm um vencimento e nessa data o tesouro português reembolsa, devolve os fundos e paga os juros a taxas na ordem dos 7%.
Por que não se promove o ajuste da taxa de juro dos Certificados de Aforro para valor apelativo para os aforradores portugueses? Estes compram e os juros ficam nas mãos de portugueses. Evita-se a saída de capitais.
Os bancos, há pois é! Transferência de poupanças da banca para o Tesouro Português. Lá vinha a falta de liquidez e crise na banca. Gerir o dinheiro e os interesses à sua volta não é coisa fácil. Boa tarde.
  • Observador, ao largo da RATARIA. 18.01.2011
    RE: Comprar dívida!
    Essa é fácil, eu respondo-te: não sobem os juros dos Certificados porque os sucateiros dos bancos faliam logo a seguir.
    De facto é triste que se ande a vender o País quando, por exemplo, em Itália (com grande dívida, mas "em casa") a maior parte da dívida contraída é dívida doméstica, que fica no próprio país; o mesmo no Japão, etc.
    Por cá os vigaristas do partido sucateiro preferem, quais traidores de Argel, pagar 7% aos estrangeiros do que 1% aos portugueses! É o espelho do que trafulhas conseguem fazer.
    • Jutland, Abrantes Portugal. 18.01.2011
      RE: RE: Comprar dívida!
      Faz a mesma leitura por outras palavras.
      Aos compradores estrangeiros dá um jeitão a crise portuguesa a 7%. Onde encontram melhor remuneração para suas economias? Portanto os portugueses que se cuidem porque amigos assim são amigos da onça — Sócrates e Teixeira dos Santos não sabem! Ainda se os fundos fossem para aplicar em meios de produção/investimento.
      O barco está à deriva.
      Empréstimos novos para pagar empréstimos a vencer/resgatar. Não valorizar as taxas dos C.A. é não querer fazer concorrência à banca. Não tem mal, quando for preciso fazem-se mais uns cortes, por exemplo nos abonos de família, as crianças inocentes nem dão por isso.
      Cavaco andou 5 (cinco) anos a poupar energias e a acumular experiência e conhecimento. Quando, e se, for reeleito, vai finalmente tomar conta dos desígnios deste tão mal tratado povo. Alguém acredita? Más recordações desde os tempos da sua governação absoluta. Nunca mais.
      Posso estar enganado. Alguém diga de sua justiça. Boa tarde.

Anónimo, Maia, Portugal. 18.01.2011 15:34
Abu Dhabi
Espero que o "vendedor" e a cambada tenham vendido algo... Pois uma noite no Emirates Palace Hotel custa entre 700 e 10.000 Euros.

Ilmério António, Aveiro. 18.01.2011 16:51
Chega!
Não é bota-abaixismo. É realismo: este homem não pode continuar a vender Portugal a retalho e não dar cavaco (salvo seja) ao Povo. Exijamos responsabilidades e tomada de posição à Oposição e ao PR!


domingo, 16 de janeiro de 2011

A aldeia do cavaquistão




Na Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tem por vizinhos Oliveira Costa e Fernando Fantasia, homens-fortes da SLN. Um loteamento que nasceu à sombra de muitas empresas e off-shores.
A escritura do lote do Presidente da República não se encontra no Registo Predial de Albufeira. O próprio não se recorda em que cartório a assinou.
Um dos promotores da urbanização, velho amigo e colaborador de Cavaco, diz que a propriedade foi adquirida "através de uma permuta com um construtor civil".


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Votar é um direito e um dever


Temos sido confrontados com a promiscuidade entre a economia e a política, com as remunerações, prémios e mordomias obscenas de gestores de empresas altamente endividadas do sector público empresarial, com a acumulação de pensões de reforma pelos detentores de cargos públicos e políticos, muitas vezes obtidas antes dos 50 anos.
Ouvimos os nossos governantes mentirem despudoradamente, observamos o crescimento descontrolado da dívida pública, o alastrar da corrupção e assistimos ao bloqueio da justiça pelos códigos aprovados pelos nossos deputados.
Muitos de nós já não confiam nem na competência, nem na ética da classe política.
A poucos dias das eleições presidenciais vêem-se, em comentários nos jornais, apelos à abstenção ou ao voto em branco. Em sondagens neste blogue, que atrai leitores de nível cultural muito superior à média nacional, o voto em branco está em 2º lugar. Daí propor-se uma reflexão sobre o assunto.

Não se apoia a abstenção porque significa alheamento e incumprimento de um dever de cidadania.

Compreende-se o desencanto que conduz ao voto em branco e ao voto nulo, apesar de permitir ao candidato mais votado ufanar-se de ter ganho as eleições à primeira volta.
Porque, caro leitor, segundo uma informação da Comissão Nacional de Eleições, os votos em branco e os votos nulos não têm influência no apuramento dos resultados.

No entanto, os eleitores já foram tantas vezes ludibriados que alguns nem num candidato independente conseguem confiar e vão votar branco ou nulo.
• Ora num país em 32ª posição no Índice de Percepção da Corrupção, o voto em branco pode ser transformado em voto nalgum candidato, frustrando a intenção do eleitor. Cuidado!
• Pelo contrário, o voto nulo é seguro. Para anular o voto pode-se escrever uma frase ou traçar uma grande cruz.


Mas será sempre eleito, à primeira ou segunda volta, o candidato que tiver mais de metade dos votos expressos, qualquer que seja o número de votos brancos ou nulos.


"This little piggy went to the market"


"Temos mesmo de passar por isto?"

14 Janeiro 2011, 11:00 por Camilo Lourenço

"Na quarta-feira, depois do leilão de Obrigações Tesouro, procurei saber o que a Imprensa internacional pensava da operação.

A menos que não fosse para perceber se o pessimismo com que interpretei o leilão, não era mau feitio... (obrigado Paul Krugman!). Ao "folhear" a prestigiadíssima "The Economist", dei com o título "This little piggy went to the market". A brincadeira pretendeu associar Portugal a "porquinho", usando o título de uma canção para crianças e o acrónimo "PIGS", encontrado pelos anglo-saxões para qualificar os países afectados pela crise de dívida soberana: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (Spain).

Vale a pena ligarmos ao insulto (é de insulto que se trata)? Não. Venha ele de onde vier. Porque, como nos ensinam em miúdos, o insulto só desqualifica o autor.
Mas vale a pena perguntar se não podemos fazer nada para evitar aparecer, ciclicamente, nas bocas do mundo… pelas piores razões. Um antigo colega de faculdade, jornalista do "The Wall Street Journal", dizia-me há semanas que nunca pensou ouvir falar tanto de Portugal... pelas más razões. Uma alusão à performance do País nos primeiros dez anos pós-integração europeia, que levava a pensar que embalaríamos para uma segunda década de prosperidade (1995-2010).

É nisto que devemos meditar. Não há em Portugal talentos que ajudem a traçar um rumo que poupe o País às humilhações das últimas décadas? Há. As empresas de sucesso que temos confirmam-no. O problema é que há uma divergência galopante entre a qualidade da gestão empresarial e... a gestão política. Time for a generation change?"


*




Para os políticos, primeiro a carreira, depois o país

O título é insultuoso mas o conteúdo da notícia publicada no The Economist é, infelizmente, verdadeiro e o gráfico anexado mostra a colagem das taxas de juro das obrigações do tesouro a 10 anos às taxas da Irlanda, entre Abril e Outubro de 2010.

Grudado ao cargo de primeiro-ministro, José Sócrates deixou a execução orçamental derrapar em 2009 e mentiu sobre o valor do défice orçamental — 5,9% quando, na verdade, atingia 9,4% do PIB.
No início de 2010 absteve-se de tomar as medidas que se impunham, deixando arrastar a situação até ao último trimestre de 2010. E o presidente da República alinhou.

Nos próximos anos os portugueses vão pagar as altas taxas de juro a que estamos a financiar a dívida pública, as quais, aliadas ao desinvestimento na economia, vão mergulhar o país numa recessão. Além de passarmos pela vergonha de ver os nossos governantes a mendigar que nos comprem dívida:



Bill Gross:
We do not blame Prime Minister Socrates for touting his market. That’s the name of the game in these days, not just in Portugal, but in other countries. They’re not like Greece, in other words. And yes, I guess we can give it to him in terms of 80% foreign participation and yes, we can give it to him in terms of a well-bid auction, but basically these auctions are prearranged sales. They are not really auctions.
They are bought by domestic banks within euro land and then they’re rediscounted to the central bank. So it is internal buying. There are claims of Japan and China and so on, but they’re really looking for the private institutions like PIMCO and other insurance companies to buy, and we just have not done that yet.



A opinião dos outros:

xibantinha 14 Janeiro 2011
Necessitamos dos Ronaldos todos
Completamente de acordo, chamar para a política os bons técnicos, e pagar-lhes devidamente, fica sempre mais barato do que pagar pouco a maus técnicos, evidentemente. Com as devidas diferenças, perguntem a Florentino Perez se Ronaldo não acaba, apesar de caro, por ficar barato. Pois é!

femur 14 Janeiro 2011
Nós por cá ...
... para pagar a dívida ao juro leiloado precisávamos de crescer 5% por ano. Para o ano vamos ter recessão, vamos lá a ver como estes políticos se safam. Isto é, não se safam. Mobilizar o país em torno do FMI é má política porque nós é que precisamos, não eles. E esperem pelas contas das PPP daqui a dois anos e depois é que elas mordem. Nós é que nos colocámos a jeito. Estes criminosos vão safar-se como sempre e até irão para lugares de destaque. A culpa é da democracia à portuguesa.

bcarlos 14 Janeiro 2011 - 14:32
Caro Camilo, ouviu o que Bill Gross disse sobre o leilão de dívida?
Como sabe, Bill Gross da Pimco é o gestor de uma dos maiores e melhores fundos de obrigações do mundo. Esta semana, após o leilão, ele disse: foi tudo combinado para ser um êxito. Os bancos europeus compraram as obrigações e em seguida entregaram-nas como colateral no BCE para obtenção de financiamento.

jalminha 14 Janeiro 2011 - 14:45
Estou pasmado...
Caro Sr. Xibantinha,
Vou recordar-lhe a frase que citou: "Completamente de acordo, chamar para a política os bons técnicos e pagar-lhes devidamente, fica sempre mais barato do que pagar pouco a maus técnicos, evidentemente".
Deve com certeza pertencer à classe dos gestores públicos que já são pagos a peso de ouro e ainda querem mais! Só assim entendo esta sua afirmação. Pagar mais aos gestores públicos? Mais reformas cumulativas desses energúmenos? Mais ajudas de custos para os city boys?
Mais despesa pública concentrada em três dúzias de imbecis? Tenha bom senso e vá ao âmago da questão sem tapar o sol com peneiras.

CarlosCostaTeixeira 14 Janeiro 2011 - 14:55
Guerra é guerra
Lamento que os respeitáveis economistas deste burgo ainda não tenham percebido o que se passa. É um facto que Portugal está endividado até à medula, mas faço uma pergunta: estão os USA melhor? Não, mas têm uma vantagem, podem pôr as rotativas a trabalhar na impressão de dólares.
O problema é que com o Euro este modelo, tão usado no passado, já não resulta e então pode-se pressionar os Países mais fracos da zona Euro para dar cabo desta moeda. Ou têm dúvida que depois de Portugal se seguirão a Espanha, Bélgica e Itália?
O que lhes doeu desta vez foi o acordo com os chineses que são os principais competidores para a liderança económica mundial num futuro próximo. E eu estou-me nas tintas para quem me compra dívida e me dê trabalho, sejam chineses ou dinamarqueses.

abc1945 14 Janeiro 2011 - 15:23
Gestores/Patrões
O problema se calhar não está nos gestores mas está, de certeza absoluta, num número muito elevado de patrões que se habituaram a não pagar as suas contribuições ao Estado. Se todos os anos se tem conseguido recuperar milhões e milhões atrasados, é porque não tinha sido pago na altura devida.
Gostava que o Sr., como jornalista, fizesse um trabalho sobre este assunto, porque provavelmente chegaria à conclusão de que estamos na situação em que estamos por causa destas dívidas vergonhosas. Num país civilizado os patrões com dívidas são olhados de lado, cá são vistos como chicos-espertos e invejados pela imensa maioria de analfabetos ou semi-analfabetos.

xibantinha 14 Janeiro 2011 - 16:20
Caro Sr. Jalminha,
Sem querer desiludi-lo, devo dizer-lhe que não pertenço à turma do Rui P.S, olhe mas nem por sombras.
Dito isto, vou-lhe lembrar respeitosamente, claro, o seguinte: Havia um director-geral dos Impostos que ganhava 23.000€ por prestar os seus préstimos ao País. Caiu o Carmo e a Trindade que não podia ganhar mais que o primeiro-ministro, não sei quê, não sei que mais... Dizem também que saiu do BCP onde ganhava isso.
Não tenha dúvidas, meu caro, quem é o bom técnico que quer andar de cavalo para burro? Ninguém. E mais, sem ter a exposição mediática que se tem na política, ou seja, sem ter que responder a jornalistas e dar satisfações frequentemente na Assembleia. É evidente que, se quer chamar para a causa pública bons técnicos, tem que se lhes pagar devidamente, pelo menos, ao nível do que se ganha nas empresas honestas, doutra forma estamos condenados a levar com o refugo.
Cumprimentos


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Enquanto a orquestra toca, o Titanic afunda-se


A China comprou mil milhões de dívida a Portugal, pelo prazo de 18 meses, numa operação de venda directa em 5 de Janeiro. Embora o governo não confirme, consta que a dívida foi colocada à taxa de juro de 4,75%, portanto superior à que os mercados estão a cobrar nas emissões de Obrigações do Tesouro para prazos mais alargados. Por exemplo, a taxa das obrigações a três anos é cerca de 4,59%.
Trata-se de um péssimo precedente porque Portugal precisa este ano de 20 mil milhões de euros para financiar o défice orçamental de 2010 e a antiga dívida.

Parece que a China também licitou parte dos 599 milhões de euros de obrigações do tesouro a dez anos colocadas ontem, ajudando a descer a taxa de juro para 6,716%.
Este leilão foi considerado um sucesso por José Sócrates e Teixeira dos Santos porque na última emissão de 2010 a taxa atingiu 6,806%.
Na maturidade a quatro anos, foram colocados 650 milhões à taxa de juro 5,396%.



Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, comentou no seu blogue:

"12 de Janeiro de 2011, 12:21

Concordo com Calculated Risk aqui: considerar um sucesso a capacidade de Portugal colocar obrigações a dez anos a uma taxa de juro de 'apenas' 6,7% diz alguma coisa do profundo desespero da situação europeia.
Se se pensar na dinâmica da dívida — os encargos dos juros crescentes sobre uma economia que provavelmente vai enfrentar anos de deflação para abater dívida — uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa. Mas não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada; daí o sucesso.

Mais alguns sucessos e a periferia europeia estará destruída."


*


A opinião dos outros:

Oespanhol 13 Janeiro 2011
Sabem muito
Este fretista de Wall Street, que tem muitos iludidos europeus como seguidores, segue a voz do coração americano face ao aumento da influência chinesa.
Estavam a fazer o dente e como um carneirinho da manada não caiu já, como aconteceu com a Irlanda e a Grécia, ficaram fulos e usam estes submarinos supostamente keynesianos para fazer fretes. Os nossos "amigos", que nos têm ajudado muito, queriam continuar sozinhos a festa com os Borges, Cavacos e Coelhos à cabeça em Portugal, e como ainda não foi desta, vão buscar os Krugman e Soros ao baú.
A aliança da Nova Ordem, disfarçada de fingida boa vontade, quer continuar a ter o monopólio do roubo dos periféricos.

naolivre 13 Janeiro 2011
Este não entende ...
... nada de economia. Sócrates, sim: enquanto houver possibilidade de 'engordar os boys' tudo está bem. Mas há outro país na Europa que tenha tantos deputados à esquerda da social-democracia? O povo está a pagar as consequências do esquerdismo fora de moda. Somos os mais pobres, mais desiguais e mais endividados. Conseguimos!

piroc 13 Janeiro 2011
Não é preciso ser Nobel ...
... para chegar a esta conclusão mas, por cá, Sócrates gaba-se de ter conseguido um grande feito, ao endividar-se a 6,7%. E o resto da manada (salvo poucas excepções) segue-lhe o raciocínio... Todos em direcção ao abismo!

danny1williams 13 Janeiro 2011
Não é preciso ser Nobel ...
... mas este senhor é, com mérito.
Não é como muitos economistas portugueses da treta, em posições de destaque, algumas até lá no estrangeiro.
E se agora critica Portugal como economista, sendo americano, também o fez e faz para as políticas americanas. Mas critica com fundamento. Certo ou errado, mas fundamentado.
E quando é assim, deve-se ouvir e tentar perceber o que ele diz, acho eu... É uma questão de racionalidade.

jpgjpg 13 Janeiro 2011
Do the markets believe Portuguese leaders? Not really.

Dr_House 13 Janeiro 2011
Ruinosas não são as taxas de juro, ruinoso é o sistema
Este Nobel até parece que descobriu a pólvora! Parece que não sabe, que os EUA e a maioria dos países europeus estão falidos. Só há 2 alternativas, ou continuamos na dança das dívidas e dos créditos ou rebentamos com o sistema e abrem todos falência. Mas já que este Senhor é um Nobel, eu gostaria é que ele apresentasse uma solução concreta para reformar o Sistema actual.

anti 13 Janeiro 2011 - 13:42
Claro que sim, pois a taxa de juro do euro está em 1% ...
... e com juros a 6.7%, que serão pagos a prazo, não há investimento suficiente. Sem investimento, porque estamos a pagar dívida e juros da dívida, não há crescimento e portanto cresce a dívida.
A taxa compromete o investimento necessário. Tudo para investimento e não para eliminar passivos e juros. Senão ainda será mais difícil sair do buraco!

nmcaf2000 13 Janeiro 2011 - 15:41
Krugman
Quem acompanha os escritos deste senhor há mais de 24h (o que deve ser o caso de apenas 1% dos comentadores e jornalistas) sabe que este comentário não é uma crítica à actuação do Estado Português, o qual seguiu exactamente as medidas de intervencionismo que o Paul Krugman defende, mas sim à falta de uma estratégia integrada de combate à especulação nos mercados de dívida soberana e políticas orçamentais/fiscais integradas ao nível da zona Euro.
6,7% é uma taxa insustentável no longo prazo, não é preciso ter um prémio Nobel para o perceber.
Já o aproveitamento ridículo que a imprensa faz de supostas "más notícias" é permanente. Ora vejam lá o destaque que se deu às opiniões do Paul Krugman sobre qual o método de combate mais eficaz à crise económica, num contexto de recessão internacional generalizada.
Para quem tiver tempo, vale a pena ler o blogue de Krugman.
Aconselho os jornalistas do Negócios a fazer o mesmo. E já agora, que deixem de ser parciais nas análises que fazem, o jornalismo é suposto ser isento.

JDMT2010 13 Janeiro 2011 - 15:53
É espantoso!
Ainda há quem duvide da causa do estado de desgraça e descrédito que sofre este pobre país... Ponham na cabeça que os Alemães fizeram ao longo dos últimos anos o seu trabalho de casa, vivendo com modéstia. Nós Portugueses andámos a alimentar ilusões, vivendo à grande e votando em governos irresponsáveis e corruptos. Veja-se o nosso parque automóvel, Mercedes, BMW's, Porsches, etc, tudo com gente nova rica, feia, pequena e peneirenta lá dentro.

10011949 13 Janeiro 2011 - 20:43
nmcaf2000
Partilho a sua opinião e felicito-o pelo comentário.
O nosso governo já nem quer saber se o juro é 6,7 ou 6,9 ou até 7,5%, quer é o financiamento, esquecendo-se que os juros são para pagar. Ora Krugman tem toda a razão.
Agora os portugueses deviam questionar-se: Portugal fazendo parte da União Europeia, porque é que para se financiar paga juros de 6,7% e outros pagam 3 ou 4%, sendo todos parceiros?


Entrevista de Fernando Nobre




Em entrevista ao Negócios, o candidato independente à Presidência da República reconhece que era considerado "uma referência como cidadão" e "não estava habituado a ser silenciado, desprezado e insultado".


manelze 13 Janeiro 2011 - 11:55
Conte com o meu voto
Mas... Só enquanto não pertencer a uma qualquer quadrilha partidária.


TOURALENSE 13 Janeiro 2011 - 13:18
Eu disse-o
Aquando da polémica questão do não pagamento da renda da sede da campanha, escrevi que o Dr. Fernando Nobre me tinha surpreendido ao meter-se na política pois, sendo ele uma personalidade que eu muito admirava pelo seu espírito humanista e pela sua obra na AMI, ia juntar-se com os coveiros da Nação, ser espezinhado por eles e por quem os apoia e vive às custas da situação vigente. E terminava dizendo que se juntava a gente que não presta.
Hoje tenho o reconhecimento de que as minhas palavras não pecaram por excesso, mas talvez por defeito. Penso que não irá desistir, também penso que terá muitos votos, mas sem que correspondam a outra coisa que não seja a demonstração de repúdio pelos candidatos políticos profissionais.


Albatross 13 Janeiro 2011 - 13:31
Força Fernando Nobre!
Espero que Fernando Nobre continue em frente. Portugal precisa de mudar e há muitas pessoas que confiam nele para essa mudança.
Basta de nos conformarmos com a triste política que tem sido a nossa nos últimos anos.
Mesmo que perca, Fernando Nobre será sempre um Grande Homem que vai ficar na história do nosso país por muitas boas razões.


baltar2000 13 Janeiro 2011 - 17:16
helder
Pode contar com o meu voto Sr. Nobre.
Conheço a sua obra na AMI e a sua capacidade para lidar com verdadeiros problemas, estando ao lado de quem sofre e tomando decisões certas na altura certa.