quinta-feira, 26 de maio de 2011

Biografia de Pedro Passos Coelho


Pedro Passos Coelho nasceu em 24 de Julho de 1964, na cidade de Coimbra.

Passou a infância em Angola, onde o pai exercia medicina num serviço de luta anti-tuberculose. Regressada a Portugal em 1974, a família fixou-se em Vale de Nogueiras e Passos Coelho estudou na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Vila Real:

"Regressámos para Trás-os-Montes que é a terra do meu pai (a minha mãe é alentejana). Tencionava exercer clínica e precisava de ser reconhecido. Vila Real era um sítio onde tinha um nome. Vivi lá até aos meus 19 anos."

Vejamos o contexto. O ano lectivo 1973-74 foi interrompido a partir de 25 de Abril não tendo havido mais aulas ou exames em qualquer escola portuguesa e em qualquer nível de ensino. O mesmo ocorreu em 1974-75. Os alunos inscreviam-se e obtinham passagens administrativas no final do ano lectivo.
Tímida e lentamente começou-se a regressar à normalidade a partir de Setembro de 1975, primeiro nas instituições do ensino superior, depois nas outras. No ano lectivo 1976-77 todas as escolas preparatórias e secundárias já estavam a funcionar. No entanto, o reinício foi difícil não só porque os alunos haviam estado muito tempo inactivos, mas também por terem saltado dois anos de escolaridade.
Portanto, entre os 10 e os 12 anos, Passos Coelho esteve cerca de dois anos de férias, tal como todas as crianças e adolescentes deste país. Os anos de passagens administrativas deixaram uma marca indelével nessa geração pois ter todo o tempo livre levou-os a viver intensamente o momento político que o país atravessava. Não surpreende que tenha aderido à Juventude Social Democrata com 14 anos:

"Nesse verão de tédio, absoluto tédio — em Trás-os-Montes o calor é insuportável e diz-se que há nove meses de Inverno e três de Inferno — ouvi falar de um tipo que estava ligado ao PSD e que fazia uns campeonatos de king e de sueca. A minha primeira abordagem foi lúdica: encontrei uma mesa de king onde tinha lugar e onde passei umas tardes. Criaram-se alguns laços e convidaram-me a fazer parte de uma lista da comissão política concelhia. Por essa época, descobri o regresso do Dr. Sá Carneiro ao poder. Em 1978 estive em Lisboa, como observador, no congresso do cinema Roma em que ele regressou à liderança do PSD."

A partir daí as suas opções de vida giram à volta da política:

"Escrevi coisas políticas. As moções de estratégia, de 1982 até 95, que a JSD apresentou no congresso do PSD saíram grandemente das minhas mãos."

"Por causa da política. Só concorri para Lisboa. Já estava na comissão política nacional, vinha a Lisboa com regularidade. Vinha de autocarro ou de comboio. Fiquei colocado na segunda opção, que era matemática. Se tivesse concorrido para Porto ou Coimbra, teria entrado em Medicina, e a minha vida seria muito diferente daquela que foi."

"Há gente que me considera demasiado jovem para poder ser candidato a primeiro-ministro, houve gente que me considerou demasiado velho quando aos 23 anos fui eleito pela primeira vez presidente da JSD. Já era pai de família.
Aconteceu assim. Não foi planeado, mas não houve problema. A Joana nasceu de um primeiro casamento que tive com a Fá, Fátima Padinha.
"

"Nascemos de determinado modo, mas o que nos acontece na vida não é apenas obra do acaso, é obra da nossa vontade. Durante muito tempo não sabia o que iria fazer. Se deveria ser médico, economista, matemático; gostaria de ter sido estas coisas todas.
Tinha 34 anos quando fiz essa opção
[Economia] e não tive coragem para regressar ao curso de Matemática. A experiência que já levava da política estava muito amputada pelo facto de não conhecer de forma estruturada uma parte do fenómeno político e social, que é a Economia."

"A primeira coisa que fiz foi dar aulas de matemática entre os 18 e os 19 anos. Quando vim para Lisboa estudar, durante um ano o meu pai pagou-me a mesada. Entretanto fui pai e fui trabalhar para a Quimibro, com o engenheiro Bento dos Santos, numa oportunidade que me foi facultada por um primo, sócio dele."

"[A mesada] acabou por minha iniciativa. “Não estou a estudar e não faz sentido mandar-me a mesada”. Houve um período mais difícil, que foi aquele em que decidi candidatar-me a presidente da JSD, porque durante esse ano despedi-me da função que tinha. Vivi das disponibilidades financeiras que tinha cumulado (poucas) e do vencimento da minha mulher. Foi um tempo de aperto. Depois disso fui eleito deputado em 91 e estive oito anos no parlamento; foram os únicos anos remunerados que tive na política. Saí e ganhei a vida na Tecnoforma (no essencial), que faz consultoria na área dos recursos humanos. Em finais de 2003 apareceu esta oportunidade na Fomentinvest. O Ângelo Correia telefonou-me: “Você já acabou o curso? Está disponível? Estou a criar uma coisa nova na área do ambiente”. E aconteceu assim."

Resumindo, entre os 20 e os 35 anos, temos o seu primeiro casamento com Fátima Padinha, uma das quatro vocalistas do grupo musical Doce, com quem teve duas filhas, Joana, nascida aos 23 anos, e Catarina, aos 28 anos, e a sua ligação entre os 23 e os 25 anos à Quimibro, empresa de que um primo era sócio.
Ocupou os cargos de vice-presidente e presidente da Comissão Política Nacional da JSD entre os 23 e os 31 anos e foi deputado à Assembleia da República, pelo Círculo de Lisboa, entre os 27 e os 35 anos.
Aos 37 anos licenciou-se em Economia, na Universidade Lusíada de Lisboa, e tornou-se colaborador da LDN Consultores, até 2004. Dirigiu o Departamento de Formação da URBE - Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção, entre 2003 e 2004. Em 2004 Ângelo Correia convida-o para ingressar no Grupo Fomentinvest.





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O leitor não ligue a este desabafo, que nos meus tempos de estudante não havia partidos políticos, nem universidades privadas, portanto sou pessoa antiquada que não dá importância a boémias partidárias: se filho meu tivesse começado a sua vida profissional aos 37 anos, considerá-lo-ia um grande calaceiro.

Temos de dar a Passos Coelho o benefício da dúvida?
Vão desculpar-me, mas é coisa que não dou a quem anda a criticar a população empregada por falta de produtividade mas se aliou ao PS para reprovar, no parlamento, a criação de um tecto para as remunerações dos gestores de empresas públicas que são a outra face do problema da estagnação da Economia.
E também se esqueceu de reforçar a recente chamada de atenção da CMVM sobre uma "matéria tão relevante como a das remunerações dos administradores, onde as empresas nacionais ainda se afastam das melhores práticas", prejudicando os seus accionistas.


4 comentários:

  1. Livra... o homem é mesmo bom!!! ahahahahahha

    Ai País... vais parar longe.

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    1. Acha? eu penso que nao,o pais esta a ir para o buraco....

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  2. Fiquei a saber um pouco mais sobre a biografia de Pedro Passos Coelho. Obrigado!

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  3. O povo portugues nao sabe a biografia completa deste senhor,o que realmente e' pena!

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